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Principais Notícias da Semana no Mundo Agro

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GERAIS

Embrapa 50 anos

Melhor que aceitar o que o futuro nos impões é se preparar para as mudanças e também criar o futuro. Há 50 anos, a Embrapa, juntamente com produtores rurais, universidades, instituições públicas, empresas e sociedade civil, tem transformado a agricultura brasileira. Apoiados no uso e desenvolvimento de ciência, combatemos a escassez de recursos e condições desfavoráveis de produção para tornar o País num dos maiores produtores mundiais de alimento. E, de olho no que o futuro impõe, a Embrapa continua atenta aos outros temos outros grandes desafios. A pesquisa agropecuária está desenvolvendo novos modelos de produção mais inclusivos e sustentáveis; está atenta para enfrentar os desafios das mudanças climáticas e atuante para atender mudanças que passam pela digitalização do campo e por mudanças no mercado consumidor.

Fonte: Embrapa

Mapa e MMA buscam alinhamento sobre o Cadastro Ambiental Rural (CAR)

O ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, e a ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, receberam na sede do Mapa os deputados federais Marco Bertaioli e Isnaldo Bulhões, vice-presidente da comissão mista e relator da Medida Provisória (MP 1154/2023), que estabelece a reestruturação e organização administrativa do Poder Executivo, entre outras coisas, na nova gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Fávaro e Marina apresentaram aos parlamentares o entendimento conjunto do Mapa e do MMA sobre o funcionamento do Cadastro Ambiental Rural (CAR). “O que apresentamos foi a garantia de que, independente do ministério ao qual esteja relacionado, o CAR será tratado conforme a lei: nem terá rigor excessivo por parte do Meio Ambiente e nem qualquer tipo de precarização ou flexibilização no Mapa. Vamos cumprir a lei”, ressaltou o ministro Carlos Fávaro.

Ele lembra que o cadastramento já esteve tanto no âmbito do Mapa quanto do MMA e, atualmente, somente 0,72% dos mais de 6 milhões de cadastros estão aprovados. A análise dos dados declarados por meio do CAR é de responsabilidade dos estados.

“Esta é uma oportunidade de mostrar que há um alinhamento da nossa parte. Esse entendimento é em cima de um consenso”, disse a ministra Marina Silva.

O CAR foi instituído legalmente pelo Código Florestal, em 2014. É um registro público obrigatório para todos os imóveis rurais e deve ser feito, preferencialmente, nos órgãos ambientais municipais ou estaduais. Ele consiste em uma base de dados estratégica para o controle, monitoramento, combate ao desmatamento e planejamento ambiental e econômico.

Eficiência

Além do entendimento conjunto sobre o CAR, os ministros Carlos Fávaro e Marina Silva vão realizar uma análise aprofundada do sistema para que os proprietários rurais consigam a aprovação dos seus cadastros cumprindo a proposta da regularização ambiental.

Fonte: Mapa

Mapa prepara servidores para uso de drones em auditorias e fiscalizações

Começaram na última terça-feira (25), em Campinas, as aulas práticas dos 100 servidores federais do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) que estão aprendendo a pilotar drones. O instrumento não tripulado vai auxiliar nas auditorias, fiscalizações e inteligência.

As aulas teóricas iniciaram em março, de forma remota. No total, são quatro turmas de 25 servidores, com aulas presenciais de abril a 1º de setembro, sempre em Campinas (SP).

A abertura do curso prático teve a participação da superintendente de Agricultura e Pecuária no Estado de São Paulo, Andréa Moura; do chefe da Divisão de Defesa Agropecuária, Danilo Kamimura; e do organizador do curso, Lucas Fernandes de Souza. Andréa disse que o Mapa de hoje é totalmente diferente de 15 anos atrás e, por consequência, a forma de fiscalizar também mudou. “Temos que acompanhar a evolução tecnológica”, afirmou.

O auditor fiscal federal agropecuário Fábio Bessa, do Vigiagro do Maranhão, disse que a tecnologia que o drone traz para o Mapa “é um mundo que a gente ainda não descobriu”. Segundo ele, os drones serão a extensão dos olhos do auditor fiscal. “Você consegue ver ângulos, registrar vídeos e fotos de lugares onde uma pessoa não conseguiria ir. Ou, se fosse, seria muito perigoso.”

A auditora fiscal Scheila Silva, que trabalha na regional de Sorocaba (SP), disse que atua em duas áreas em que os drones poderão ser muito úteis: fiscalização de organismos geneticamente modificados (OGMs) e monitoramento de pragas. “O sobrevoo das áreas de produção vai facilitar a detecção de plantas sintomáticas e a coleta direcionada, otimizando nosso tempo e nossos recursos”, afirmou. Essa otimização tem sido uma preocupação do Mapa.

Equipamentos

A proposta do treinamento foi elaborada pela Superintendência de Agricultura e Pecuária de São Paulo (SFA-SP), que recebeu sete drones e câmeras de alta resolução apreendidos pela Receita Federal. Os equipamentos serão utilizados na fiscalização da defesa agropecuária no Estado de São Paulo.

Os instrumentos são novos e estão totalmente desmontados. É necessário conhecimento técnico específico para sua montagem e utilização. “Os drones são versáteis e cada dia mais surgem novas aptidões. No campo da fiscalização, por exemplo, podem otimizar as atividades, auxiliando os fiscais na apuração de ilícitos e evitando a exposição dos servidores a situações de risco”, explicou Uéllen Lisoski Duarte Colatto, chefe de Divisão de Aviação Agrícola do Mapa.

Além de aprender a manusear, fazer ajustes e realizar a manutenção básica, o curso vai incluir o conhecimento sobre as regras para utilização dos equipamentos e dos softwares de imageamento. “Esse conteúdo vai propiciar o uso mais eficiente da ferramenta em diversas áreas de atuação da defesa agropecuária”, afirmou Uéllen.

Por se tratar de uma aeronave, o uso está sob o arcabouço do Regulamento Brasileiro da Aviação Civil Especial 94, da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), sendo necessário treinamento adequado para que sua utilização seja proveitosa e produtiva para o serviço da Defesa Agropecuária. Os recursos para custear a entidade de ensino são do Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA).

Fonte: Mapa

Embrapa 50 anos: a ciência que proporciona economia bilionária ao agro brasileiro

Se hoje o Brasil é uma potência agrícola mundial é porque conseguiu estabelecer uma produção sustentável no Cerrado, bioma conhecido pela baixa fertilidade dos solos. Essa conquista deve-se, em grande parte, ao trabalho da Embrapa Cerrados, localizada em Planaltina (DF). Criado em 1975, dois anos após a fundação da Embrapa que completa 50 anos em 2023, o centro de pesquisa foi concebido com o desafio de ajudar a viabilizar a produção agropecuária no Cerrado brasileiro no bojo de uma política governamental que previa um conjunto de ações a serem implementadas na região.

O objetivo de desenvolver sistemas produtivos com viabilidade econômica, social e ambiental para o Cerrado não foi apenas alcançado, como hoje a região é o grande celeiro do Brasil e sua importância no cenário agropecuário aumenta a cada ano. Algumas tecnologias desenvolvidas pela equipe do centro de pesquisa foram decisivas para que os solos ácidos e pobres em nutrientes, típicos do Cerrado, fossem incorporados ao processo agrícola.

“Sem correção dos solos, não haveria agricultura nos cerrados, sem a qual não haveria agricultura tropical do jeito que a conhecemos, com o tamanho, a eficiência e importância que hoje tem para o mundo”, ressalta o chefe-geral da Embrapa Cerrados, Sebastião Pedro da Silva Neto.

Uma das tecnologias que ajudaram a transformar o bioma está fazendo 30 anos em 2023 e, apesar do tempo, continua eficiente e atual: o lançamento das estirpes de bactérias fixadoras de nitrogênio (rizóbios) para a inoculação da soja CPAC-7 (SEMIA 5080) e CPAC-15 (SEMIA 5079).

“Até hoje essas estirpes permanecem como as mais eficientes”, destaca a pesquisadora da Embrapa Cerrados, Ieda Mendes. Após 18 anos de estudos, em 1993, a empresa lançou essas duas estirpes que ainda hoje compõem os inoculantes comerciais (produtos que contêm microrganismos favoráveis ao crescimento das plantas).

As pesquisas realizadas na época comprovaram que as estirpes CPAC-7 e CPAC-15 eram mais eficientes e competitivas que as lançadas pela própria Embrapa Cerrados em 1980 (29W e SEMIA 587). Como elas foram isoladas e selecionadas em áreas de Cerrado, cultivadas com soja, são adaptadas ao bioma.

Mesmo já tendo se passado quatro décadas, o desempenho excepcional dessas bactérias faz com que até hoje as quatro estirpes selecionadas pela Embrapa Cerrados (CPAC 15, CPAC 7, 29W e SEMIA 587) permaneçam como as únicas recomendadas para a cultura da soja no Brasil.

Se forem considerados os 43,5 milhões de hectares plantados com soja no país na safra 2022/2023 (Conab), e os recentes aumentos nos preços do adubo nitrogenado, a economia proporcionada pela fixação biológica de nitrogênio, que permite o cultivo sem a utilização de adubos nitrogenados, é da ordem de US$ 43,5 bilhões por ano. “Além disso, também temos os ganhos ambientais, já que o processo biológico não resulta em poluição ambiental”, ressalta Mendes.

“O lançamento de estirpes de rizóbios para a cultura da soja foi um dos fatores determinantes para a expansão dessa leguminosa no Cerrado”, afirma o pesquisador da Embrapa José Roberto Peres. Do grupo de jovens cientistas do qual Peres fazia parte também atuavam os pesquisadores Milton Vargas e Allert Suhet.

“É uma alegria ter feito parte da equipe que trabalhou na seleção dessas estirpes. Essa é uma tecnologia que chegou para resolver um problema e até hoje reduz muito o custo de produção da cultura”, ressalta Vargas. “Na época, não imaginávamos que essas estirpes seriam usadas por tanto tempo. Isso nos dá uma satisfação pessoal por saber que o trabalho da equipe continua contribuindo para a economia de bilhões de dólares anualmente para o Brasil”, destaca Allert.

Fonte: Embrapa

Mapa e BNDES anunciam a liberação de crédito rural para financiamento em dólar

Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) anunciaram uma linha de financiamento rural em dólar com taxa fixa que será destinada a produtores rurais que tenham receitas ou contratos em dólar. O valor disponibilizado inicialmente é de R$ 2 bilhões, e a taxa de juros será de 7,59% ao ano, mais a variação cambial.

O crédito é destinado para a aquisição de máquinas e equipamentos agrícolas de qualquer espécie, de fabricação nacional para a ampliação da mecanização, a renovação e atualização tecnológica da frota de tratores e colheitadeiras agrícolas, viabilizando maior produtividade no campo. Para ter acesso ao financiamento, o produtor deve ter receitas ou contratos em dólar ou atrelados à variação cambial e ter limite de crédito nos bancos parceiros, que devem receber nesta terça-feira (18) a circular informando sobre a nova linha.

O ministro Carlos Fávaro explicou que as linhas de crédito com equalização de juros pelo Tesouro continuarão sendo oferecidas para produtores que não tenham receita atrelada às vendas internacionais. “Quem produz leite, feijão, arroz, terá que ter linhas de crédito em reais. E para isso vamos estruturar novas linhas, inclusive com a participação do Tesouro. Mas os produtores que têm a sua receita atrelada à venda internacional não têm risco em fazer a operação dolarizada e também não tem custo para o Tesouro. Essa é uma nova forma de financiar o agro exportador, é um modelo inteligente, que não pesa nos cofres públicos e dá competitividade aos nossos produtores”, disse o ministro, que participou do anúncio por videoconferência, de Londres, onde cumpre agenda.

O presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, disse que a nova linha de financiamento vai possibilitar a compra de silos, tratores, máquinas, além de investimentos em inovação no campo. “Queremos uma agricultura de precisão, que inova e tenha eficiência”, disse, lembrando que o aumento das exportações do agro permite a segurança aos produtores para pegar essa linha de financiamento.

Para quem cultiva produtos de exportação como soja, milho e algodão, é vantajoso tomar financiamento em dólar, explicou o assessor especial do ministro, Carlos Augustin. “O BNDES foi ao mundo, trouxe dinheiro barato e colocou na mão dos produtores de exportação. Assim, sobra mais recursos para que o governo possa oferecer crédito equalizado para pequenos produtores e para outros produtos e outros produtos agrícolas”, disse.

Os produtores rurais poderão contar com essa nova alternativa de financiamento a partir de maio. Para obter o financiamento, o produtor deve buscar um dos agentes financeiros credenciados ao BNDES.

Fonte: Mapa

Pesquisadores da América debatem ações em agricultura e segurança alimentar

Uma equipe de 20 negociadores da América estiveram na Colômbia, de 17 a 20 de abril, para discutir os elementos da decisão da COP 27 – Conferência das Partes (COP27) da Convenção das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (UNFCCC) realizada em novembro de 2022 em Sharm el Sheikh, Egito, que buscou analisar os sucessos anteriores e preparar o caminho para ambições futuras, na implementação de ações em agricultura e segurança alimentar. O encontro é organizado pelo Program on Agricultural Climate Action and Sustainability, do Ministério de Agricultura da Colômbia e Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA).

Esse intercâmbio das Américas busca formalizar um entendimento comum para desenvolver capacidades entre os representantes do setor agrícola e fortalecer as relações de trabalho na região.

A agricultura é um fator chave para a segurança alimentar, meio de subsistência, desenvolvimento socioeconômico e sustentabilidade ambiental nas Américas. Considerando a participação na economia e também nas emissões de gases de efeito estufa na América Latina e no Caribe a agricultura é um setor chave como parte da solução climática. Ao mesmo tempo, os impactos das mudanças climáticas estão ameaçando a capacidade do setor de continuar a fazer essas contribuições para a região.

A COP 27 obteve dois resultados importantes em relação à agricultura, uma vez que cumpriu os requisitos da COP 26 para relatar o progresso e os resultados do Koronivia Joint Work on Agriculture (KJWA)  e aprovou a decisão de continuar o trabalho conjunto dos órgãos subsidiários para assessoramento técnico-científico (SBSTA) e para implementação (SBI) na agricultura, por meio do “Sharm el-Sheikh joint work on implementation of climate action on agriculture and food security” (Trabalho conjunto de Sharm el-Sheikh na implementação da ação climática na agricultura e segurança alimentar), construído sobre os elementos da decisão que estabeleceu o KJWA.

O KJWA é uma decisão histórica no âmbito da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (UNFCCC) que reconhece o potencial único da agricultura no combate às mudanças climáticas, sua importância para a segurança alimentar e a especial vulnerabilidade às mudanças do clima.

A decisão de Koronivia aborda seis tópicos inter-relacionados sobre solos, uso de nutrientes, água, pecuária, métodos para avaliar a adaptação e as dimensões socioeconômicas e de segurança alimentar das mudanças climáticas nos setores agrícolas. A decisão está de acordo com os objetivos das convenções internacionais que incluem eliminar a fome, a insegurança alimentar e a desnutrição, reduzir a pobreza rural e tornar a agricultura, a silvicultura e a pesca mais produtivas e sustentáveis.

As partes agora têm a tarefa de identificar as ações específicas e o plano de trabalho que irão avançar para os próximos quatro anos para cumprir os objetivos acordados. Espera-se com esse encontro uma capacitação fortalecida entre representantes do setor agrícola, maior coesão entre os negociadores agrícolas das Américas e melhor compreensão dos diversos pontos de vista para facilitar o consenso durante o debate formal nas negociações durante a 58ª reunião anual dos órgãos subsidiários da UNFCCC em Bonn, Alemanha (SB 58), que ocorrerá em junho 2023.

Os temas analisados abordaram agricultura: o que aconteceu na COP 27, o que há de novo e tarefas formais à frente para a SB 58, inclusive com um workshop sobre barreiras para uma ação climática mais ambiciosa na agricultura e alimentação segurança e como superá-los, além de apresentações de experiências dos países em agricultura e segurança alimentar.

Para o pesquisador da Embrapa Meio Ambiente Marcelo Morandi, que representou o Brasil no encontro, foi uma oportunidade única de discutir em conjunto com representantes dos países de toda a América as visões da agricultura e os caminhos necessários para superar as barreiras para implementação de ações de adaptação e fortalecimento da resiliência da agricultura.

Segundo ele, ficou clara a grande diversidade de modelos e de situações nacionais em agricultura, que exigem esforços de implantação de ações que promovam a sustentabilidade dos sistemas produtivos e a inclusão produtiva. As negociações devem seguir no sentido de transpor as barreiras políticas, técnicas e econômicas para efetiva colaboração dos países na manutenção da segurança alimentar e do desenvolvimento sustentável.

“O Brasil tem muitas experiências exitosas e pode contribuir efetivamente para o debate, mas também para avançar na adaptação e ampliação da adoção de práticas sustentáveis, que promovam a redução das emissões e ampliação sustentável da oferta de alimentos”, destaca o pesquisador.

Fonte: Embrapa

PRODUÇÃO

Zoneamento agrícola de risco climático para a soja é atualizado no Brasil

​O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) publicou no dia 26/04 as Portarias que atualizam o Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc) para a cultura da soja nos estados da Bahia, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Maranhão, Piauí, Pará, Rondônia, Tocantins, Acre e no Distrito Federal. As portarias dos demais estados deverão ser publicadas nos próximos dias.

O Zarc é uma ferramenta de análise do risco que auxilia a tomada de decisão no campo, considerando a probabilidade de ocorrência de adversidades climáticas baseada numa série histórica de dados climáticos, além de características da cultura e do solo.

No caso da soja, foram definidas as áreas e os períodos de semeadura, simulando probabilidades de perdas de rendimento inferiores a 20%, 30% e 40%, devido à ocorrência de eventos meteorológicos adversos, principalmente seca durante a fase reprodutiva da planta. “Porém, é importante ressaltar que o Zarc não estabelece os períodos e os locais de semeadura com maior probabilidade de obtenção dos maiores rendimentos”,  explica o pesquisador José Renato Bouças Farias, da Embrapa Soja.

Novos parâmetros e fatores de risco foram considerados, associando questões hídricas e térmicas, inclusive, a probabilidade de ocorrência de geadas. Foram introduzidas ainda nova abordagem dos riscos associados à água disponível no solo, o que permitirá, em breve, vincular também conceitos de manejo do solo e dos sistemas produtivos. Segundo o pesquisador, as Portarias do Zarc-Soja para a safra 2023/24 são as primeiras a contemplar essa nova metodologia.

Os estudos para o desenvolvimento da nova versão do Zarc para a soja foram iniciados em 2021 e validados em reuniões regionais e estaduais, em 2022, realizadas junto aos principais atores da cadeia produtiva da soja.

Novo sistema de classificação da água disponível do solo

A principal atualização nessa versão do Zarc Soja é o novo sistema de classificação de solos que deixa de utilizar o tradicional sistema de solos “Tipo 1”, “Tipo 2” e “Tipo 3” e passa a adotar uma nova metodologia que define seis classes de água disponível (AD1, AD2, AD3, AD4, AD5, AD6). Nesse sistema, a classe de AD do solo é determinada com base na sua composição textural completa, ou seja, com os teores de areia, silte e argila. No sistema antigo, os tipos do solo eram estabelecidos, basicamente, pelo teor de argila.

A água disponível (AD) do solo deve ser estimada para cada área de produção, a partir da sua composição textural determinada por análise de solo padrão. A estimativa é feita através do uso de uma equação (função de pedotransferência), devidamente ajustada para os distintos solos brasileiros, resultado de pesquisas recentes da Embrapa sobre o assunto (Boletim de Pesquisa 272 – Embrapa Solos(1), Comunicado Técnico 135 – Embrapa Agricultura Digital(2)). O Zarc Soja – 06ADs apresenta maior precisão nas estimativas de risco de déficit hídrico e uma melhor representação da realidade nos diferentes solos brasileiros em comparação aos três tipos utilizados anteriormente.

Todos as novas atualizações de Zarc geradas a partir de 2022 já utilizam o sistema 06ADs. Porém, a maioria dos Zoneamentos já publicados, continuarão com os resultados em “3 solos”, até serem gradualmente substituídos pelas novas versões atualizadas para o sistema 06ADs. A soja é a primeira cultura que passa a vigorar com esse novo formato.

Disponibilidade hídrica e produtividade da soja

De acordo com Farias, a soja é uma cultura com ampla adaptabilidade ao clima e aos solos brasileiros, nos dois lados da linha do equador. Dos elementos climáticos que mais influenciam o desenvolvimento e a produtividade da soja, a disponibilidade hídrica é a que mais afeta o rendimento de grãos. Com relação às necessidades de água para o cultivo da soja, Farias afirma que o ideal seria em torno de 450 a 800 mm de água disponível ao longo de toda a estação de crescimento da cultura, variável em função do ciclo da cultivar, do desenvolvimento das plantas e das condições climáticas da região.

Para a soja apresentar um bom desempenho, o pesquisador afirma que a cultura necessita de volumes adequados de água e boa distribuição durante as fases mais críticas. “Tão ou mais importante até que o volume total de água é a distribuição das chuvas ao longo do ciclo. As fases mais sensíveis ao déficit hídrico ocorrem durante o período de semeadura-germinação-emergência e, principalmente, da floração ao enchimento de grãos, quando a seca afeta consideravelmente o rendimento das lavouras”, destaca Farias.

A chuva é a principal fonte de água para a maior parte da produção brasileira de soja, tanto que a área irrigada com soja ainda é insignificante. “É importante destacar que as práticas agrícolas que favorecem a melhor estruturação do solo e o aprofundamento do sistema radicular contribuem para incrementar a disponibilidade de água no solo, principalmente, em momentos de precipitação insuficiente”, ressalta o pesquisador.

Fonte: Mapa

Começa a semeadura de inverno na Região Sul

Na Região Sul, a área com cultivos de grãos de inverno deve chegar a 3,4 milhões de hectares em culturas como trigo, aveia, cevada, triticale, centeio e canola (Conab). O trigo responde por mais de 80% da área de inverno. Apesar do zoneamento agrícola permitir o início da semeadura do trigo em abril, as operações devem ficar concentradas nos meses de maio e junho, em função do atraso na colheita da soja no RS e em SC, e da falta de chuva no PR.

De acordo com o zoneamento agrícola de risco climático (ZARC), a indicação é para a semeadura do trigo na Região Sul (visando produção de grãos em sistema de sequeiro) iniciar em 1º de abril no norte do PR, mas conforme o Deral, apenas 1% da área foi semeada até 20/04 devido à falta de umidade no solo.

No RS e em SC, a época de semeadura inicia em 11 de maio, mas em meados de abril ainda restavam, aproximadamente, 46% das lavouras de soja para serem colhidas no RS (Emater/RS) e 37% em SC ( Epagri ). A janela de semear do trigo indicada pelo ZARC se estende até o dia 31 de julho nos três estados do Sul.

Preparo da lavoura

O preparo da lavoura de inverno exige o controle de plantas daninhas, especialmente o azevém que pode roubar até 40% da produtividade do trigo. O controle de azevém pode exigir até duas aplicações de herbicidas em pré-semeadura, visando a diminuição do banco de sementes nos talhões, sendo uma planta daninha que tem como característica emergir durante todo o ciclo do trigo. Recentemente, a cultura ganhou novas opções para o manejo do azevém com o registro de herbicidas para aplicação em pré-semeadura, para controlar o banco de sementes, ou pós-emergência, quando o alvo é controlar o azevém na fase de plântula.

Na adubação, a melhor estratégia é adubar o sistema, que consiste em aplicar toda a dose de Fósforo (P) e Potássio (K) que vai no talhão no ano, por ocasião do ato da semeadura do trigo. Essa prática potencializa o rendimento do trigo e distribui de forma mais equilibrada os nutrientes no solo.

Fundamental antes da implantação da lavoura é o tratamento de sementes (TS), preferencialmente na modalidade industrial (TSI), prática que garante proteção das plantas contra fungos e pragas por, aproximadamente, 30 dias após a semeadura. O TS é uma tecnologia de baixo custo financeiro, reduzido impacto ambiental e muito eficiente.

Cultivar

Na escolha da cultivar, o produtor deve considerar o potencial produtivo na região, as cultivares mais adaptadas, o histórico da propriedade e do clima. A cultivar vai determinar o manejo da lavoura e o investimento necessário, especialmente em proteção de plantas. Diante da perspectiva de inverno e primavera mais úmida sob impacto do fenômeno El Niño, cultivares com melhor resistência a doenças fúngicas podem ser alternativas para economizar nos tratos culturais.

A quantidade de sementes a ser usada é um critério que merece atenção na semeadura. A indicação do obtentor da cultivar deve ser respeitada para evitar o uso de quantidades muito abaixo do ideal ou excessos que implicam em aumento de custos e podem resultar em acamamento de plantas. Uma recomendação genérica da maioria dos obtentores é a população de 300 plantas/m².

Outro cuidado essencial é o escalonamento da semeadura, optando por cultivares com diferentes ciclos, estratégia que pode reduzir riscos de perdas com doenças e adversidades do clima, além de flexibilizar o estabelecimento da subsequente safra de verão. A orientação é semear primeiro as cultivares de ciclo mais longo, enquanto que as cultivares precoces vão para a lavoura mais tarde, no final da janela de semeadura, para evitar danos com geadas durante o espigamento e o florescimento.

Veja as opções BRS para cultivo de trigo na Região Sul, clicando aqui.

Fonte: Embrapa

Dia Internacional e Nacional do Milho (24 de maio)

Com o crescente aumento da população mundial, atualmente, com mais de 8 bilhões de pessoas, e com a necessidade de uma produção agropecuária sustentável, capaz de promover segurança alimentar, riqueza social e desenvolvimento, pautados em ciência, dados e evidências, destacamos algumas iniciativas que suportam essa agenda produtiva, enfrentam os desafios de produzir mais e melhor, e entregam quantidade e qualidade de alimentos para agregar valor, ampliar a inclusão socioprodutiva e reduzir a fome e a miséria.

O milho é alimento e energia, e é absolutamente necessário na vida da sociedade moderna, notadamente concentrada no ambiente urbano (no mundo, cerca de 60%, e no Brasil, cerca de 85% da população vivem nas cidades), via utilização direta e na produção de proteína animal: bovinos – carne e leite, aves – carne e ovos, suínos, peixes, dentre outros. O milho é um cereal rico em carboidratos. O segundo grão mais produzido no território brasileiro. É um alimento nutritivo, energético, rico em fibras e em compostos bioativos, que faz parte da culinária nacional.

Milho-verde, milho-doce, milho-pipoca, grãos secos para alimentos, bebidas e usos industriais, para bioetanol de amido, silagem e corte e pastejo: esses usos mostram a versatilidade dos diferentes tipos de milho cultivados no Brasil. Em um país continental como o nosso, com cerca de 215 milhões de habitantes, tem-se obtido safras recordes de grãos, sobretudo pela performance do binômio soja e milho.

A safra brasileira de grãos (2022/2023) está estimada em 77 milhões de hectares, 312 milhões de toneladas, e produtividade média de 4.048 kg/ha. O milho total equivale a 22 milhões de hectares e a 124 milhões de toneladas, com produtividade média de 5.617 kg/ha. Para o milho total, a área plantada (ha) e o volume de produção (t) representam 20,0% e 21,4% (1ª safra), 77,0% e 76,7% (2ª safra) e 3,0% e 1,9% (3ª safra), respectivamente. Ao longo das últimas cinco décadas, a cultura do milho passou por uma verdadeira revolução no Brasil. Considerando o período a partir de 1976/1977, houve um crescimento de 83% da área plantada e de 484% da produção. Produtividade é a manchete de relevância em todos os avanços para a cultura do milho no Brasil.

Fonte: Frederico Ozanan Machado Durães/Embrapa

Novo sistema de cultivo de erva-mate pode aumenta a produtividade

Um novo sistema de cultivo de erva-mate, denominado Cevad Campo, é capaz de aumentar em até 160% a produtividade em apenas quatro anos após o plantio, em condições de superadensamento formado por mais de 25 mil plantas por hectare. Tradicionalmente, a espécie é cultivada em áreas naturais, em sistemas agroflorestais ou em monocultivos com espaçamentos de plantio em baixa densidade (que variam de 1,9 mil a 2,8 mil plantas por hectare). Outro diferencial do Cevad Campo é que utiliza maior quantidade de nitrogênio no plantio, proporcionando incremento de 86% na produtividade total de folhas e grande quantidade de ramos e folhas jovens, o que impacta no aumento de biomassa e abre novos mercados para a cultura.

O novo sistema é resultado da tese de doutorado defendida pela aluna Mônica Gabira, da Universidade Federal do Paraná (UFPR), sob orientação do pesquisador Ivar Wendling, da Embrapa Florestas (PR). Segundo o também pesquisador da Unidade José Mauro Moreira, a avaliação econômica realizada sobre o Cevad Campo mostrou que, inicialmente, a implantação exige um investimento maior devido ao grande número de mudas necessárias, mas, após quatro anos, começa a gerar fluxo positivo de caixa e, após oito anos, retorna o capital investido na cultura, além de apresentar um potencial de ganho líquido anual de até oito vezes o retorno do sistema convencional.

O experimento de campo foi implantado em 2018, em General Carneiro, PR, onde foram avaliadas três densidades de plantio: com 9.090, 13.333 e 25 mil plantas por hectare – e cinco doses de adubo – 0%, 50%, 100%, 200% e 300% da dose recomendada de nitrogênio. Os dados foram avaliados em cinco colheitas subsequentes realizadas de maio de 2019 a maio de 2021, com períodos de rotação reduzidos.

Fonte: Embrapa

Algodão: Marca internacional conhece sistema de produção sustentável brasileiro

​A Calvin Klein é uma marca que tem o algodão como insumo principal de quase tudo o que produz: a fibra participa com 70%, dentre todas as matérias-primas que ela processa. Por isso, nada mais natural que ver de perto como se dá a produção de algodão, no modelo moderno, sustentável e produtivo, típico da cotonicultura brasileira. Na semana passada, representantes da CK, de dentro e de fora do Brasil, visitaram a fazenda Samambaia, certificada pelo ABR, do produtor Carlos Moresco, em Luiziânia/GO. Para saber ainda mais, o grupo visitou a sede da Abrapa, em Brasília, onde foram feitas apresentações sobre a cotonicultura nacional e os programas da Abrapa, que vêm contribuindo para o fortalecimento da atividade e para a ampliação de mercado para o produto. A diretora de Relações Internacionais, Silmara Ferraresi, e o gestor de Sustentabilidade, Fábio Carneiro, receberam o time da área de Responsabilidade Corporativa da grife, formado por Karin Reimerink, Daniela Cunha, Fernanda Suzuki e Renata Antunes.

Fonte: Embrapa

Monitoramento das lavouras

Arroz – 80,2% colhido

No RS, a colheita avança e atinge 86%. A região mais adiantada é a Planície Costeira Externa, que está com 95% colhido, seguida pela

Campanha – 92%, Fronteira Oeste – 90%, Zona Sul – 86%, Planície Costeira interna – 84% e Central – 80%. Observa-se que a qualidade dos grãos colhidos é muito boa. Em SC, 90,5% da área foi colhida e as lavouras em maturação totalizam 9,5%. A colheita encontra-se mais avançada na região do litoral norte. Em GO, a colheita avança e alcança 97%.

No MA, as lavouras de sequeiro encontram-se em boas condições. A

colheita progride lentamente, devido ao excesso de chuvas, nas regiões da Baixada Maranhense e do Médio Mearim. Em MT, a colheita prossegue e atinge 64,4%. O clima favorável tem contribuído para o desenvolvimento vegetativo e reprodutivo da cultura, resultando numa boa produtividade.

Milho (2ª safra) – 100% semeado

Em MT, os primeiros talhões semeados iniciaram a maturação, e o restante encontra-se em florescimento, apresentando bom desenvolvimento. As chuvas de abril beneficiaram as áreas semeadas fora do período ideal. No PR, as precipitações favoreceram todas as áreas, em especial, algumas que foram impactadas pelo déficit hídrico. Em MS, as chuvas ocorridas garantiram umidade para o bom desenvolvimento das lavouras. Em GO, a boa reserva hídrica remanescente no solo e as chuvas, que ocorreram em forma de pancadas isoladas, contribuiu para a manutenção das boas condições das lavouras. Em SP, foi concluída a semeadura. Em MG, as lavouras estão com bom desenvolvimento. No TO, as chuvas regulares favorecem o desenvolvimento das lavouras em todo o estado. No MA, a maioria das áreas se encontram em desenvolvimento vegetativo e são beneficiadas pelo bom regime de chuvas. No PI, as precipitações regulares favorecem o desenvolvimento das lavouras, com boa parte delas já entrando em floração. No PA, apenas a região Oeste não finalizou o plantio, e o desenvolvimento das lavouras é favorecido pelo clima.

Feião (2ª safra)

No PR, as lavouras estão com bom desenvolvimento. As condições climáticas favorecem os tratos fitossanitários. Os grãos colhidos nas primeiras áreas apresentaram boa qualidade. Em MG, as lavouras, que estão nos mais diversos estágios fenológicos, têm se desenvolvido bem, favorecidas pelas chuvas. Na BA, a semeadura foi concluída e as lavouras encontram-se em emergência e desenvolvimento vegetativo. A maioria das áreas são de cultivo de feijão caupi. Em SC, a colheita foi iniciada e as lavouras estão, majoritariamente, na fase reprodutiva. As condições climáticas continuam favoráveis ao desenvolvimento das lavouras.

Soja – 89% colhida

Em MT, a colheita já foi finalizada. No RS, a colheita avança em 47% da área. Observa-se grande desuniformidade entre as lavouras em relação à produtividade devido à má distribuição das chuvas. Nota-se que a região Oeste foi a mais prejudicada. No PR, o clima mais seco permitiu um bom avanço da colheita, e os resultados obtidos estão superiores às estimativas iniciais. Em GO, a colheita foi finalizada e as produtividades alcançadas ficaram dentro do estimado. Na BA, a colheita está quase finalizada e as produtividades estão acima do esperado. Em MG, a colheita está praticamente finalizada e a produção dentro do esperado. Em SP, a colheita está em fase final, e verificam-se boas produtividades sendo alcançadas. No MA, a colheita avança e, na maioria das áreas, apresentam produtividades acima do estimado. No PI, as lavouras se desenvolveram em boas condições em quase todas a regiões produtoras. A colheita segue avançando em ritmo normal, confirmando boas produtividades. No PA, restam algumas áreas a serem colhidas no Oeste e Sudoeste do estado, e as chuvas constantes no Polo de Paragominas afetam, um pouco, a qualidade dos grãos.

Algodão – 0,1 % colhido

Em MT, as precipitações foram suficientes para manter a umidade no solo e as lavouras apresentam bom desenvolvimento. A maior parte da cultura está na fase de formação de maçãs, e as demais em maturação. Na BA, no Extremo Oeste, as lavouras estão em boas condições e em fases de desenvolvimento vegetativo, floração e formação de maçãs. No Centro-Sul, os cultivos em sequeiro foram impactados pela estiagem, antecipando parte da colheita.

Em GO, as lavouras estão, predominantemente, em formação de maçãs e apresentam boas condições de desenvolvimento. As áreas irrigadas, mais tardias, estão em desenvolvimento vegetativo e floração. Em MS, a maioria das lavouras está em estágios de formação de maçãs. O clima mais fresco e seco, chama atenção para o desenvolvimento de afídeos. No MA, as lavouras encontram-se em boas condições de desenvolvimento. As lavouras de primeira safra estão em fase formação de maçãs, enquanto os cultivos de segunda safra estão em floração plena. No PI e em MG, as lavouras apresentam bom desenvolvimento.

Fonte: Conab 

MERCADO

Indicadores Cepea – Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada

Soja

A safra recorde de soja no Brasil e o baixo volume negociado antecipadamente mantêm os preços do grão em queda, conforme indica levantamento do Cepea. Diante disso, no início da semana passada, os Indicadores ESALQ/BM&FBovespa – Paranaguá (PR) e CEPEA/ESALQ – Paraná chegaram a operar nos menores patamares desde meados de setembro/20, em termos nominais. Nos dias seguintes, entretanto, a queda nos preços internos foi limitada pela valorização do dólar frente ao Real, que incentivou alguns negócios no Brasil. Quanto aos derivados, os valores do farelo e do óleo de soja também estão recuando no mercado doméstico, influenciados pela demanda enfraquecida e pelo menor custo com a matéria-prima.

Milho

Os preços do milho seguem em queda no Brasil, com desvalorizações ainda mais expressivas registradas nos últimos dias. De acordo com pesquisadores do Cepea, a pressão sobre os valores vem da menor demanda, da melhora no ritmo da colheita da safra verão (que eleva a oferta em todas as regiões) e do desenvolvimento satisfatório da segunda safra. Nesse cenário, produtores vêm priorizando a colheita da soja (que deve registrar produção recorde), e compradores se mantêm afastados das aquisições de milho, à espera de quedas ainda mais intensa nos preços, principalmente no segundo semestre, quando se inicia a colheita da segunda safra.

Algodão

Os preços internos do algodão em pluma, que estão em queda desde meados de fevereiro, têm caído com ainda mais intensidade neste mês. Desde o dia 11 de abril, o Indicador CEPEA/ESALQ, com pagamento em 8 dias, vem registrando quedas diárias, acumulando forte baixa de 10,5% na parcial do mês. Inclusive, na semana passada, a cotação nacional chegou a operar por dois dias abaixo da paridade de exportação, o que não era verificado desde 25 de julho de 2022. Segundo pesquisadores do Cepea, aumentos nos preços externos e/ou da taxa de câmbio poderiam trazer suporte aos valores domésticos. No entanto, ainda que o dólar tenha se fortalecido nos últimos dias, os contratos externos da pluma seguem em queda. Diante disso, o que se verifica no mercado spot nacional é um grande desacordo entre os preços de vendedores e os de compradores, o que mantém a liquidez baixa.

Arroz

Os preços do arroz em casca vêm registrando apenas ligeiras oscilações no mercado spot do Rio Grande do Sul. De acordo com colaboradores do Cepea, parte dos agentes do setor retomou, de forma gradual, as compras do cereal na semana passada, elevando a liquidez e sustentando os preços no estado. Entretanto, o interesse de produtores em novas negociações esteve limitado, uma vez que esses agentes têm expectativas de valores maiores, devido à necessidade de compra dos engenhos. Por outro lado, casos isolados de maior oferta de orizicultores foram registrados. Isso porque esses vendedores consideram que os valores internos têm se aproximado do patamar mínimo aceitável, que é a paridade de exportação.

Trigo

Apesar da valorização de 2,7% do dólar frente ao Real entre 14 e 20 de abril, fechando a R$ 5,052 na quinta-feira, 20, os preços continuaram em queda no mercado interno na semana passada. De acordo com dados do Cepea, a pressão esteve atrelada sobretudo à baixa demanda por parte de moinhos. Muitos produtores, por sua vez, seguem afastados do mercado, atentos ao campo e indicando que os valores atuais de negociação do trigo não são atrativos. Esse cenário, atrelado ao feriado de Tiradentes, manteve o ritmo de negócios bastante lento – apenas lotes pontuais foram comercializados. 

Açúcar

O volume de chuva registrado na maior parte do estado de São Paulo atrasou o avanço da colheita da cana-de-açúcar nos últimos dias, dificultando a moagem e reforçando o contexto de baixa oferta de açúcar cristal branco. De acordo com dados do Cepea, alguns compradores, temendo ficar sem o adoçante, adquiriram o cristal a preços mais elevados, enquanto outros, estocados, preferiram esperar por valores mais atrativos para negociar, deixando o mercado com pouco movimento. Nesse cenário, os preços médios do açúcar seguiram em alta no mercado spot de São Paulo, e, após um ano, o Indicador CEPEA/ESALQ do cristal branco voltou para a casa dos R$ 142,00 por saca de 50 kg.

Etanol

Parte das usinas que já iniciou a temporada 2023/24 mostra dificuldades na retirada da matéria-prima do campo e, consequentemente, na produção dos etanóis, em decorrência da continuidade das chuvas nas principais regiões produtoras do Centro-Sul do Brasil. Segundo colaboradores do Cepea, este cenário vem dando sustentação aos preços dos biocombustíveis. Além disso, o aquecimento dos negócios envolvendo o hidratado e o anidro no estado de São Paulo também ofereceu suporte às cotações. Alguns compradores, no entanto, focaram na retirada de produto adquirido anteriormente em algumas poucas usinas que voltaram a moer nos últimos dias.

Boi

As desvalorizações do milho e do boi magro nos primeiros meses de 2023 vêm gerando certa expectativa positiva para os pecuaristas que realizam a terminação do animal para abate em confinamento. Conforme cálculos do Cepea realizados em parceria com a CNA, a alimentação (grãos, sobretudo) pode corresponder de 25% a 35% do Custo Operacional Efetivo (COE) da atividade pecuária, dependendo da região, ao passo que o animal de reposição pode representar entre 63% e 73% do custo. Por outro lado, os valores do boi gordo estão enfraquecidos, o que acaba gerando certa apreensão entre pecuaristas terminadores.

CLIMA

Previsão de chuva

O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) concluiu a previsão do tempo para as próximas duas semanas. Na primeira, entre os dias 24 de abril, os maiores volumes de chuva (tons vermelho e rosa no mapa da figura 1), devem ocorrer no extremo norte do País, principalmente em áreas do noroeste do Amazonas, em Roraima e norte do Maranhão e Piauí. Já em grande parte do Sudeste, interior da Região Nordeste e entre os estados de Goiás e Tocantins vai predominar o tempo seco na maioria dos dias (tons em branco e azul no mapa da figura 1).

Confira, abaixo, a previsão do tempo detalhada para cada região do Brasil nas próximas duas semanas:

Previsão para a 1ª semana (24/04/2023 a 01/05/2023)

Região Norte

São previstos volumes de chuva maiores que 60 mm em grande parte do extremo norte da região. Devido ao calor e alta umidade, volumes de chuva podem ultrapassar 80 mm no oeste do Amazonas e de Roraima. Por outro lado, nas demais áreas a previsão é de pouca chuva, com valores abaixo de 50 mm.

Região Nordeste

O extremo sul da Bahia e áreas do norte do Maranhão e Piauí serão atingidos por chuvas intensas, com volumes que podem ultrapassar 60 mm. Em áreas do MATOPIBA (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia), o tempo fica estável e com pouca chuva durante a semana. Nas demais áreas, como a costa leste da região e norte do Ceará, podem ocorrer baixos volumes de chuva (menores que 20 mm).

Região Centro-Oeste

O tempo ficará seco e sem chuva em grande parte da região, principalmente em Goiás e no Distrito Federal. No entanto, em áreas do oeste de Mato Grosso do Sul, além do norte e sudoeste do Mato Grosso, podem ocorrer volumes de chuva inferiores a 40 mm, na forma de pancadas, principalmente no início da semana.

Região Sudeste

A previsão indica tempo quente e seco diariamente, principalmente em áreas do centro e norte de Minas de Gerais. Já nas áreas do extremo norte do Espírito Santo e Vale do Mucuri em Minas Gerais podem ocorrer pancadas de chuva no início da semana.

Região Sul

Pouca chuva (abaixo de 50 mm), principalmente em áreas do noroeste do Rio Grande do Sul e oeste do Paraná e de Santa Catarina, devido à presença de áreas de instabilidade durante o início da semana. Para o decorrer dos dias o tempo seco vai prevalecer em praticamente toda a região.

Figura 1. Previsão de chuva para 1ª semana (24/04/2023 e 01/05/2023). Fonte: INMET.

Na segunda semana, entre os dias 2 e 9 de maio de 2023, a previsão do Inmet indica volumes de chuva significativos, podendo ultrapassar 100 mm na faixa norte do País e entre os estados de Santa Catarina, Paraná e sul de Mato Grosso do Sul. Veja figura 2.

Por fim, na parte do Brasil Central, Rio Grande do Sul e interior do Nordeste, a previsão é de volumes abaixo de 20 mm.

Previsão para a 2ª semana (02/05/2023 a 09/05/2023)

Região Norte

São previstos acumulados maiores que 70 mm em praticamente toda a região, podendo ultrapassar 100 mm em áreas do Amazonas, Acre, Pará e Amapá. Já em áreas do sul do Tocantins e norte de Roraima, os volumes devem ser inferiores a 50 mm.

Região Nordeste

A previsão indica chuvas significativas, com possibilidade de acumulados maiores que 100 mm entre os estados do Maranhão, Piauí, Ceará e Rio Grande do Norte. Já nas áreas do sul do MATOPIBA (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia), os volumes podem ficar em torno de 50 milímetros. Por outro lado, a costa leste e no interior da região, os volumes de chuva não devem ultrapassar 50 mm.

Região Centro-Oeste

Pouca chuva em praticamente toda a região, com volumes que não devem ultrapassar 50 mm, entretanto, no norte de Goiás e extremo norte do Mato Grosso, os acumulados de chuva podem ultrapassar 60 mm.

Região Sudeste

São previstos baixos acumulados no centro-sul da região, já nas áreas do norte de Minas Gerais e do Espírito Santo, os volumes podem ser maiores que 30 mm.

Região Sul

A previsão é de volumes de chuva maiores 60 mm entre os estados de Santa Catarina e Paraná. O tempo seco predomina nas áreas do centro-sul do estado.

Figura 2. Previsão de chuva para 2ª semana (02/05/2023 e 09/05/2023). Fonte: GFS.

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