Entenda a murcha-de-fusário do tomateiro

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(Curadoria Agro Insight)

A curadoria Agro Insight de hoje traz uma publicação dos pesquisadores da Embrapa,  Ricardo Borges Pereira e Jadir Borges Pinheiro, sobre uma importante doença do tomateiro, a murcha-de-fusário.

Murcha-de-fusário em tomateiro

Uma doença comum em tomateiro (Solanum lycopersicum L.), a murcha-de-fusário é causada por distintas raças do fungo de solo Fusarium oxysporum Schlechtend. Fr. f. sp. lycopersici (Sacc.) W. C. Snyder e H. N. Hans (REIS; LOPES, 2007). A murcha-de-fusário ocorre em lavouras de tomate em qualquer fase de desenvolvimento, seja em campo aberto ou estufa, para mesa ou processamento industrial.

Sintomatologia

A murcha-de-fusário manifesta-se no campo em qualquer época, sendo mais comum em plantas adultas a partir dos estádios de florescimento e frutificação (KUROZAWA; PAVAN, 2005).

Em viveiro, os sintomas da doença podem ser observados nas mudas na forma de clareamento das nervuras das folhas e curvamento dos pecíolos (epinastia). Contudo, estes têm sido atribuídos, na maioria dos casos, à raça 3 do patógeno.

No campo, a doença manifesta-se em plantas adultas na forma de reboleiras. Nestas observa-se inicialmente o amarelecimento das folhas mais velhas, que gradualmente murcham e apresentam necrose marginal ou total do limbo (VALE et al., 2004). Nas folhas superiores observa-se leve murcha nas horas mais quentes do dia, que é atribuída ao comprometimento parcial do sistema vascular da planta pela presença do patógeno nos vasos do xilema. Com o progresso da doença, este amarelecimento aumenta de forma ascendente até atingir também as folhas mais novas. Nesta condição, os frutos não se desenvolvem, amadurecem ainda pequenos ou caem prematuramente. É comum a murcha ou o amarelecimento aparecer apenas em um lado d planta ou da folha, correspondente ao lado do vaso infectado. Plantas doentes apresentam crescimento retardado. Finalmente, após comprometer totalmente o sistema vascular da planta, esta murcha de forma definitiva e morre.

Foto : Acervo da Embrapa Hortaliças

Quando o caule de plantas com sintomas visíveis é cortado no sentido longitudinal, observa-se uma coloração marrom característica na região do xilema, mais intensa na base do caule, enquanto a medula não apresenta nenhuma anormalidade (LOPES et al., 2005; PEREIRA et al., 2013). É importante ressaltar que, em tomateiro, este sintoma é marcante, porém não exclusivo do ataque de F. oxysporum f. sp. lycopersici. Plantas de tomateiro infectadas por Verticillium dahliae Kleb. apresentam necrose vascular, porém não tão intensa quanto F. oxysporum f. sp. lycopersici. Nas raízes, observa-se inicialmente crescimento reduzido ou a atrofia, mas com o tempo estas podem apodrecer (VALE et al., 2004).

Foto : Acervo da Embrapa Hortaliças

Controle

As medidas de controle adotadas para a doença são preventivas, visto que após a infestação do solo é impossível a erradicação do patógeno. O plantio de cultivares resistentes às raças fisiológicas 1 e 2 de F. oxysporum f. sp. lycopersici tem sido adotado pela maioria dos produtores, pois hoje existe um número significativo de cultivares resistentes disponíveis no mercado (KUROZAWA; PAVAN, 2005). Por outro lado, existe grande preocupação com relação à raça 3, tendo em vista o número restrito de cultivares ou porta-enxertos resistentes disponíveis.

A utilização de porta-enxertos resistentes a raça 3 é vista como uma alternativa viável para a produção de tomate de mesa, principalmente em áreas infestadas, visto que o controle químico não é eficaz e economicamente viável para o manejo da doença (BLANCARD, 1996). Ademais, os portaenxertos podem proteger as plantas contra outros patógenos de solo. Usualmente, produtores de tomate utilizam cultivares de tomateiro resistentes como porta-enxertos em cultivos comerciais.

Contudo, os porta-enxertos comumente utilizados são suscetíveis à raça 3 de F. oxysporum f. sp. lycopersici (CANTU, 2007). O uso de sementes e mudas sadias e o plantio em áreas livres do patógeno são, naturalmente, recomendados. Práticas culturais como a solarização do solo e a rotação com culturas não hospedeiras (gramíneas) por pelo menos cinco anos, embora contribuam para a redução da população do patógeno no solo, são de custo elevado e eficiência limitada, devido à persistência do fungo no solo. Outras medidas culturais, como calagem do solo, visando aumentar o pH para 6,5 a 6,8, adubação equilibrada e emprego de compostos orgânicos, visando aumentar a microflora antagonista, são recomendadas como medidas complementares.

Considerações finais

A identificação e o correto diagnóstico da murcha-de-fusário, causada por F. oxysporum f. sp. lycopersici em lavouras de tomate são essenciais para um manejo adequado da doença. É importante que o produtor conheça o histórico da área e adote sempre medidas preventivas, de modo a impedir a contaminação de novas áreas. Uma vez contaminada a área, o produtor deve realizar a rotação de culturas com espécies não hospedeiras visando à redução da população do patógeno e a recuperação das áreas.

Por fim, vale resaltar que as medida de prevenção e controle devem ser adotadas de forma integrada, o que levará o produtor a conseguir uma produção mais rentável, com menores riscos e sem colocar em risco a saúde humana e os recursos naturais.

BIBLIOGRAFIA E LINKS RELACIONADOS

PEREIRA, R. B.; PINHEIRO, J. B. Murcha-de-fusário em tomateiro. Brasília, DF: Embrapa Hortaliças, 2014., 8 p.

AGRIOS, G. N. Plant Pathology. Boston: Elsevier, 2005. 921 p.

BARBOSA, E. A.; COSTA, C. S.; GONÇALVES, A. M.; REIS, A.; FONSECA-BOITEUX, M. E. N.; BOITEUX, L. S. Identification of Fusarium oxysporum f. sp. lycopersici race 3 infecting tomatoes in Northeast Brazil. Plant Disease, Saint Paul, v. 97, p. 422, Mar. 2013.

BLANCARD, D. Enfermedades del tomate: observar, identificar, luchar. Montfavet: INRA, 1996, 212.p.

BOHN, G. W.; TUCKER, C. M. Studies on Fusarium wilt of the tomato. I. Immunity in Lycopersicon pimpinellifolium Mill. and its inheritance in hybrids. Columbia: University of Missouri, 1940. 82 p. (University of Missouri. Research Bulletin, 311).

CANTU, R. R. Desempenho de porta-enxertos de tomateiro em resistência a nematóides, murcha-defusário e produção da planta enxertada. 2007, 73 f. Dissertação (Mestrado em Agronomia). Universidade Estadual de São Paulo. Faculdade de Ciências Agronômicas. Botucatu.

COSTA, H.; ZAMBOLIM, L.; VENTURA, J. A. Doenças de hortaliças que se constituem em desafio para o controle. In: ZAMBOLIM, L.; LOPES, C. A.; PICANÇO, M. C., COSTA, H. (Ed.). Manejo integrado de doenças e pragas: hortaliças. Viçosa, MG: UFV, 2007. p. 319-336.

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LOPES, C. A.; REIS, A.; ÁVILA, C. Principais doenças do tomate para mesa causadas por fungos, bactérias e vírus. Informe Agropecuário, Belo Horizonte, v. 24, n. 219, p. 66-78, 2003.

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VALE, F. X. R.; ZAMBOLIM, L.; ZAMBOLIM, E. M.; ALVERENGA, M. A. R. Manejo integrado das doenças do tomateiro: epidemiologia e controle. In: ALVARENGA, M. A. R. (Ed.). Tomate: produção em campo, em casa de vegetação e em hidroponia. Lavras: UFLA, 2004. p. 213-308.

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Tags: doença, hortaliças, murcha-de-fusário, tomate

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