Panorama da Fruticultura Brasileira: Maçã

Panorama da Fruticultura Brasileira: Maçã

De acordo com informações compartilhadas pela Abrafrutas (Associação Brasileira dos Produtores Exportadores de Frutas e Derivados), oito frutas corresponderam a 75% da exportação brasileira, contabilizada entre janeiro e setembro de 2020. São elas: banana, limão e lima, maçã, mamão, manga, melancia, melão e uva.

As exportações de maçã aumentaram no decorrer do ano de 2019. No primeiro trimestre de 2020, conforme publicado pelo “Canal Agro” do Estadão, a exportação de maçã cresceu 56% em comparação ao ano anterior. Com isso, é possível visualizar que, mesmo com as inseguranças em consequência da pandemia, o setor permanece forte. Isso porque foi beneficiado pela boa demanda internacional. E hoje o produto brasileiro está mais adequado às exigências do mercado exterior. Fatores como a maior disponibilidade de maçãs médio-miúdas de melhor qualidade e o dólar valorizado foram os facilitadores destes embarques, diz a Abrafrutas.

Entretanto, nem tudo foi tão fácil para a exportação de maçã em 2020. Isso porque, o setor ainda teve que superar questões como os problemas alfandegários e a falta de contêineres nos portos. Ainda assim, a colheita conseguiu atender aos países, sendo que os principais destinos da fruta nacional foram Rússia (31%), Bangladesh (29%) e Índia (11%). Vale lembrar que a produção nacional concentra-se quase toda na região Sul do Brasil. Conforme dados da ABPM (Associação Brasileira de Produtores de Maçã), Santa Catarina concentra 51% do plantio brasileiro da fruta. Em seguida, está o Rio Grande do Sul, com 44% da produção, e o Paraná, com 5%.

Neste contexto, destacamos que, por ano, o mercado da maçã movimenta cerca de R$ 7 bilhões de reais na economia, a fruta é colhida no Brasil de janeiro a maio, mas fica disponível o ano todo para o consumidor, pois é armazenada em câmaras frias. O setor ainda tem o desafio de mecanizar a colheita para agilizar essa etapa da produção e facilitar o trabalho de agricultores nos pomares.

A tendência é de que ocorra um aumento da qualidade dos frutos e uma recuperação do volume colhido nessa temporada (2021), depois de uma produtividade menor em 2019/2020 por causa da seca nos principais estados produtores (SC e RS), afirma Marcela Barbieri, pesquisadora do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) da Esalq/USP.

As exportações brasileiras de maçã, que giram em torno de US$ 40 milhões por ano, podem crescer cerca de 60% em 2021, em volume e em valor, estima o presidente da Associação Brasileira de Produtores de Maçã (ABPM), Pierre Nicolas Pérès. Isso deve ocorrer em função da valorização do dólar em relação ao real e da melhor qualidade das frutas. Nossos principais compradores são a Rússia, Bangladesh e Índia.

O Brasil produz cerca de 1,1 milhão de toneladas da fruta por ano, emprega diretamente 50 mil pessoas e, para fazer a colheita, são necessários 45 mil trabalhadores. Isso porque ainda não há no Brasil, e nem em outros países, máquinas capazes de colher maçãs, conta o pesquisador Cristiano João Arioli, da Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri).

As principais cultivares de maçã cultivadas no Brasil são conhecidas como Gala e a Fuji. A primeira abre a temporada de colheita em meados de janeiro e segue até março, na temporada de 2021 além da expectativa de recuperação do volume, as Galas devem ter um tamanho maior nesta safra, de média a graúda, já que na temporada passada a seca impediu um crescimento mais intenso das frutas. Maçãs maiores são mais valorizadas pelas empresas compradoras do que as miúdas, tanto no mercado interno, como externo. Para o consumidor, esse cenário pode significar frutas mais em conta e com maior qualidade em 2021.

As maçãs Fuji são colhidas entre o final de março e o mês de maio, e as perspectivas para a variedade também são boas, já que 2021 é um ano de bienalidade positiva da fruta. Durante uma safra a macieira tem uma produtividade alta e, na próxima, apresenta queda. Além disso, outros fatores que devem favorecer a produção são o bom acúmulo de horas de frio que a macieira teve no ano passado, o que favorece a brotação e a retomada recente.

A maçã tem como principal destino o consumo fresco. Diversos tipos de processamento da fruta são possíveis, produzindo produtos como doces, geleias, compotas, sucos, bebidas e vinagre. O produtor deve estar atento sobre a capacidade de armazenamento dos frutos na região onde pretende produzir. No Brasil, a capacidade de armazenamento de maçãs é de 511.525 t, cerca de 60% da produção nacional, com boa parte dessa capacidade instalada em Santa Catarina. Sem o armazenamento, o produtor é obrigado a vender sua produção em um período muito curto de tempo, ficando sujeito à pressão baixista de preços.

O mercado consumidor é altamente exigente tanto para o preço quanto para a qualidade das frutas, o que demanda um beneficiamento capaz de selecionar criteriosamente as frutas com potencial de mercado in natura, com bases em infestações de doenças e em defeitos físicos, o que tem levado nos últimos anos a um descarte em torno de 30% da produção nacional. Esse descarte é normalmente direcionado à industrialização.

Esse percentual de industrialização no país tende a aumentar, devido à demanda crescente no mercado interno pelo suco pronto para consumo. Na indústria processadora de maçã, o suco é considerado um dos principais produtos. Do resultado de sua extração surge o bagaço, chamado de descarte sólido, que é uma mistura principalmente de casca, polpa e semente. O rendimento médio nas indústrias que utilizam a prensagem na extração de suco é de 65% de suco e 35% de bagaço. Novas tecnologias permitem uma relação de 84% de suco e 16% de bagaço.

No Brasil, o bagaço tem como principal destino o solo, como adubo orgânico, ou a utilização como ração animal. Uma série de estudos avalia seu aproveitamento na fabricação de álcool, bebida alcoólica, fibras para enriquecimento de alimentos e outros produtos. O vinho de maçã, além do consumo direto, constitui a base para a sidra, bebida frisante, e para a produção de destilados envelhecidos como os calvados ou para a produção de blends como o pommeau.

 BIBLIOGRAFIA E LINKS RELACIONADOS

https://dclogisticsbrasil.com/exportacao-de-maca-insights-e-como-realiza-la/

https://revistacampoenegocios.com.br/macas-o-que-voce-ainda-nao-sabe-sobre-a-atividade/

https://www.sebrae.com.br/sites/PortalSebrae/artigos/o-cultivo-e-o-mercado-da-maca,ea7a9e665b182410VgnVCM100000b272010aRCRD

https://www.todafruta.com.br/maca-movimenta-r-7-bilhoes-na-economia-e-exportacao-nacional-deve-crescer-em-2021/

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