Rizoctoniose da batateira

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(Curadoria Agro Insight)

 

Na curadoria de hoje, trouxemos uma publicação da Embrapa sobre uma das mais importantes doenças da batata, a Rizoctoniose.

A batateira é acometida por diversas doenças, sendo aquelas causadas por patógenos de solo as mais difíceis de serem manejadas. Entre as doenças causadas por patógenos de solo na batateira, o cancro de Rhizoctonia ou rizoctoniose, causada pelo fungo Rhizoctonia solani Kühn, está entre as mais comuns e que causam maiores prejuízos à cultura (FRANK, 1990; SOUZA-DIAS e IAMAUTI, 2005). Este patógeno ocorre com frequência em batateira, estando presente em todas as regiões produtoras do mundo. Sua presença é mais comum em solos cultivados intensivamente e onde não se pratica a rotação de culturas com espécies não hospedeiras (SOUZA-DIAS e IAMAUTI, 2005).

Foto: Carlos A. Lopes

Sintomas da doença

Normalmente o ataque do patógeno às plantas ocorre em reboleiras, provocando a formação de manchas de plantas doentes e plantas sadias no campo. O patógeno pode atacar todos os órgãos da planta, inclusive sua parte aérea, quando em condições de alta umidade do ar. Entretanto, o ataque é mais comum nos órgãos subterrâneos da planta ou naqueles próximos ao solo.

Quando o fungo ataca as brotações do tubérculo pode causar o retardamento da emergência e/ou morte dos brotos; resultando em um menor estande, desenvolvimento irregular das plantas e consequente redução na produção. Os brotos atacados podem emergir, apresentar cancros, que podem crescer levando-o à morte (WALE et al., 2008; ZAMBOLIM et al, 2011).

O fungo também pode atacar a planta já desenvolvida, causando cancros nos tubérculos, nos estolões e na base das ramas, podendo estrangulá-las e levá-las à morte. Quando o ataque se dá no tubérculo, este pode apresentar uma crosta preta, também chamada de mancha asfalto, que é resultante da formação de escleródios do patógeno na sua superfície. Tubérculos infectados podem ainda apresentar sintomas de rachaduras, malformação e necrose (FRANK, 1990; SOUZA-DIAS e IAMAUTI, 2005; WALE et al., 2008).

Como sintomas reflexos da doença, tem-se a clorose e o enrolamento das folhas, normalmente mais severos na parte apical da planta, podendo confundir com os sintomas do vírus do enrolamento das folhas (PLRV). Outros sintomas reflexos são a formação de tubérculos aéreos, enfezamento geral da planta e murcha (FRANK, 1990; SOUZA-DIAS e IAMAUTI, 2005, WALE et al., 2008). Em algumas cultivares, pode ocorrer pigmentação de cor púrpura nas folhas (Figura 9), devido ao acúmulo de antocianina (SOUZA-DIAS; IAMAUTI, 2005), sendo que este tipo de sintoma também pode ser causado pelo ataque de fitoplasma (WALE et al., 2008).

Foto: Carlos A. Lopes

Agente causal da doença

A doença é causada pelo fungo Rhizoctonia solani, que na sua forma perfeita corresponde ao basidiomiceto Thanatephorus cucumeris (Frank) Donk. Este é um patógeno polífago, atacando diversas espécies de plantas de diferentes famílias botânicas (OGOSHI, 1987). O ataque geralmente se dá a partir do solo, causando podridões de raízes, cancros em colo e caule e tombamento de mudas. Além disso, esta espécie pode causar podridões de frutos em algumas culturas como o tomateiro, e também causar doenças em culturas irrigadas por inundação, como o arroz, bem como atacar a parte aérea de algumas plantas como o feijão e o fumo (OGOSHI, 1987; SNEH et al., 1991). No Brasil, já foram relatadas pelo menos 37 hospedeiras deste fungo, em diferentes famílias botânicas, sendo algumas espécies ornamentais e algumas hortaliças (MENDES et al., 1998).

Epidemiologia da doença

O patógeno pode ser transmitido pela batata semente e pode sobreviver, na forma de escleródio, nos tubérculos, em restos de cultura e no solo. Os escleródios podem sobreviver no solo por vários anos (FRANK, 1990; CARLING; LEINER, 1990). Uma vez que o patógeno é polífago, este pode sobreviver em outras hospedeiras, principalmente dicotiledôneas, e em seus restos culturais (OGOSHI, 1987). As condições favoráveis para o desenvolvimento da doença são temperatura de solo em torno de 18°C e alta umidade. Solos pouco drenados favorecem o desenvolvimento da doença e a formação de escleródios sobre os tubérculos em desenvolvimento (FRANK, 1990; SOUZA-DIAS; IAMAUTI, 2005).

A disseminação a longas distâncias, ocorre principalmente através do tubérculo infectado. No campo, esta se dá normalmente por meio de máquinas, implementos agrícolas e água de superfície (NAZARENO; JACCOUD FILHO, 2003; SOUZA-DIAS; IAMAUTI, 2005). 

Manejo da doença

Por se tratar de doença causada por patógeno de solo e não existir variedades de batata resistentes, seu controle deve ser feito de modo preventivo (FRANK, 1990). São recomendados o plantio em áreas isentas do patógeno ou sem histórico de ocorrência do mesmo, a rotação de cultura, o enterrio ou destruição de restos de cultura e o plantio raso (para favorecer a rápida emergência dos brotos). Como o patógeno é transmitido pelo tubérculo semente, recomenda-se o uso de sementes sadias ou o seu tratamento com fungicidas (FRANK, 1990; NAZARENO; JACCOULD FILHO, 2003; SOUZA-DIAS; IAMAUTI, 2005, ZAMBOLIN et al., 2011). Entretanto o uso de semente sadia ou tratada não será eficiente se o plantio for feito em solo infestado (NAZARENO; JACCOUD FILHO, 2003, FRANK, 1990). No Ministério da Agricultura existem dez fungicidas registrados para o controle da doença. Entretanto, o controle químico desta doença nem sempre é viável tecnica e/ou economicamente (ZAMBOLIM et al., 2011).

BIBLIOGRAFIA E LINKS RELACIONADOS

REIS, A.; LOPES, C. A. Rizoctoniose da batateira. Brasília, DF, Embrapa Hortaliças, 2011. 5p.

CARLING, D. E.; LEINER, R. H. Virulence of isolates of Rhizoctonia solani AG-3 collected from potato plant organs and soil. Plant Disease, St. Paul, v. 74, p. 901-903, 1990.

CARLING, D. E.; LEINER, R. H.; WESTPHALE, P. C. Symptoms, signs, and yield reduction associated with rhizoctonia disease of potato induced by tuberborne inoculum of Rhizoctonia solani AG-3. American Potato Journal, Orono, v. 66, p. 693-702, 1989.

CERESINI, P. C.; SHEW, H. D.; VILGALYS, R.; CUBETA, M. A. Genetic diversity of Rhizoctonia solani AG-3 from potato and tobacco in North Carolina. Mycologia, New York, v. 94, n. 3, p. 437- 449, 2002.

FRANK, J. A. Rhizoctonia canker (Black Scurf). In: HOOKER, W. J. (Ed.). Compendium of potato diseases. St. Paul: American Phytopathological Society, 1986. p.52-54.

MENDES, M. A. S.; SILVA, V. L.; DIANESE, J. C.; FERREIRA, M. A. S. V.; SANTOS, C. E. N.; GOMES NETO, E.; URBEN, A. F. , CASTRO, C. Fungos em plantas no Brasil. Brasília, DF: Embrapa Cenargen, 1998. 569 p.

NAZARENO, N. R. X.; JACCOUD FILHO, D. S. Doenças fúngicas. In: PEREIRA, A. S.; DANIELS, J. O Cultivo da Batata na Região Sul do Brasil. Pelotas, Embrapa Clima Temperado, 2003. p.239-276.

OGOSHI, A. Ecology and pathogenicity of anastomosis and intraspecific groups of Rhizoctonia solani Kühn. Annual Review of Phytopathology, Palo Alto, v. 25, p. 125-43, 1987.

SNEH, B.; BURPEE, L.; OGOSHI, A. Identification of Rhizoctonia species. St. Paul: APS Press, 1991. 133 p.

SOUZA DIAS, J. A. C. DE; IAMAUTI, M. T. Doenças da batateira. In: KIMATI, H.; AMORIM, L.; Rezende, J. A. M.; BERGAMIN FILHO, A.; CAMARGO, L. E. A. Manual de Fitopatologia : doenças das plantas cultivadas. 4. ed. São Paulo: Ceres, 2005. p.119-142. v. 2.

WALE, S.; PLATT, H. W.; CATTLIN, N. Diseases, Pest and Disorders of Potatoes: a colour handbook. London, Manson, 2008. 176 p.

ZAMBOLIM, L.; DUARTE, H. S. S.; ZAMBOLIM, E. M. Medidas integradas de controle das doenças fúngicas da batata. In: ZAMBOLIM, L. Produção Integrada da Batata. Viçosa: UFV, 2011. p. 411-438.

 

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Tags: batata, Rhizoctonia

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