A guerra entre Rússia e Ucrânia evidenciou a dependência do agronegócio brasileiro em relação à importação de fertilizantes. Essa situação de vulnerabilidade reforçou a necessidade de desenvolver alternativas que contribuam para a segurança do abastecimento e a sustentabilidade da produção agrícola nacional.
Nesse contexto, o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e outras instituições têm desenvolvido pesquisas e iniciativas para reduzir a dependência brasileira de fertilizantes importados.
Entre as principais frentes de pesquisa, destacam-se:
- Biofertilizantes;
- Fertilizantes organominerais;
- Fertilizantes nanoestruturados;
- Agricultura de precisão;
- Condicionadores de solo e pós de rocha.
Dentro dessa última categoria, os remineralizadores de solo vêm ganhando destaque como uma alternativa complementar à fertilização convencional.
O que são remineralizadores de solo?
Os remineralizadores de solo são materiais de origem mineral, obtidos por processos mecânicos de redução e classificação granulométrica de rochas, utilizados para melhorar determinadas características da fertilidade do solo.
O princípio da remineralização consiste em fornecer elementos minerais ao solo por meio da aplicação de rochas selecionadas e moídas.
Esse processo se inspira em um fenômeno natural: a formação dos solos a partir do intemperismo das rochas, que ocorre ao longo de milhares de anos.
Entretanto, ao contrário do processo natural, a utilização agrícola de rochas moídas busca favorecer a disponibilização de determinados elementos minerais em uma escala de tempo compatível com a produção agrícola.
Os remineralizadores não devem ser considerados substitutos universais dos fertilizantes convencionais. Sua eficiência depende da composição mineralógica, da granulometria, das características do solo e das necessidades nutricionais das culturas.
Quando utilizados adequadamente, podem complementar a adubação mineral e contribuir para o manejo da fertilidade do solo.
Outro aspecto relevante é seu potencial de reduzir parcialmente a dependência de fertilizantes importados, especialmente quando existem fontes minerais adequadas próximas das regiões produtoras.
Segundo dados da Associação Nacional para Difusão de Adubos (ANDA), as importações brasileiras de fertilizantes chegaram a aproximadamente 33 milhões de toneladas em 2020.
Esse cenário demonstra a importância de diversificar as fontes de nutrientes e desenvolver alternativas nacionais economicamente viáveis.
1. Legislação e regulamentação dos remineralizadores de solo
A regulamentação dos remineralizadores no Brasil começou a avançar de maneira mais significativa em 2012, quando diferentes instituições participaram da formação de um grupo de trabalho voltado à normatização do uso de pós de rocha na agricultura.
Entre as instituições envolvidas estavam:
- Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), atual Ministério da Agricultura e Pecuária;
- Ministério de Minas e Energia (MME);
- Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI);
- Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa);
- Universidade de Brasília (UnB);
- Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), posteriormente substituído pela Agência Nacional de Mineração (ANM);
- Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (CPRM), atual Serviço Geológico do Brasil.
Como resultado desse processo, foi aprovada a Lei nº 12.890, de 10 de dezembro de 2013, que alterou a Lei nº 6.894, de 16 de dezembro de 1980, incluindo os remineralizadores entre as categorias de insumos destinados à agricultura.
Definição legal de remineralizador
De acordo com a legislação brasileira, remineralizador é o material de origem mineral que passou apenas por processos mecânicos de redução e classificação de tamanho e que altera os índices de fertilidade do solo pela adição de macro e micronutrientes para as plantas, além de promover melhorias nas propriedades físicas, físico-químicas ou na atividade biológica do solo.
Posteriormente, foram publicadas as Instruções Normativas nº 5 e nº 6, de 10 de março de 2016, estabelecendo regras relacionadas ao registro, às especificações e à comercialização desses produtos.
Requisitos técnicos dos remineralizadores
Conforme os critérios estabelecidos pela regulamentação de 2016, os remineralizadores devem atender a determinados requisitos de composição, granulometria e segurança.
Entre as principais exigências estão:
- Granulometria: apresentação nas formas físicas previstas na regulamentação, como filler, pó ou farelado.
- Soma de bases: teor de CaO + MgO + K₂O igual ou superior a 9% em massa.
- Potássio: teor de K₂O igual ou superior a 1% em massa.
- Sílica livre: teor de quartzo inferior a 25%.
- Segurança: atendimento aos limites máximos de contaminantes.
- Eficiência agronômica: apresentação da documentação e das comprovações exigidas para o registro.
Limites máximos de contaminantes
| Elemento | Limite máximo |
|---|---|
| Arsênio (As) | 15 mg/kg |
| Cádmio (Cd) | 10 mg/kg |
| Mercúrio (Hg) | 0,1 mg/kg |
| Chumbo (Pb) | 200 mg/kg |
Esses valores correspondem aos limites apresentados na regulamentação de 2016 e devem ser confrontados com eventuais atualizações normativas antes de sua utilização como referência regulatória atual.
É importante ressaltar que nem todo pó de rocha pode ser comercializado como remineralizador de solo. Para isso, o produto precisa atender aos requisitos legais aplicáveis, incluindo as exigências de registro no Mapa.
O registro permite identificar produtos submetidos aos procedimentos regulatórios exigidos, mas não significa que apresentarão os mesmos resultados agronômicos em todos os solos e culturas.
2. Como funcionam os remineralizadores de solo?
Os solos se originam, em grande parte, da transformação de materiais minerais provenientes de diferentes tipos de rochas.
Essas rochas podem ser classificadas em três grandes grupos:
- Rochas magmáticas: formadas pelo resfriamento e pela solidificação do magma ou da lava.
- Rochas sedimentares: originadas pela deposição, compactação e cimentação de sedimentos ou por processos químicos e biológicos.
- Rochas metamórficas: resultantes da transformação de outras rochas sob determinadas condições de pressão, temperatura e ação de fluidos.
Ao longo do tempo, processos físicos, químicos e biológicos promovem a alteração dessas rochas, contribuindo para a formação dos solos.
A remineralização agrícola utiliza parte desse princípio, aplicando materiais minerais selecionados para favorecer a liberação de determinados elementos presentes em sua composição.
Como ocorre a liberação dos nutrientes?
Depois da aplicação ao solo, os minerais presentes no remineralizador ficam sujeitos a processos de intemperismo e dissolução.
Esses processos podem liberar elementos como:
- Potássio (K);
- Cálcio (Ca);
- Magnésio (Mg);
- Silício (Si);
- Ferro (Fe);
- Manganês (Mn);
- Outros elementos presentes na composição mineralógica.
Entretanto, é fundamental compreender que a presença de um elemento na rocha não significa que ele estará imediatamente disponível para as plantas.
A velocidade de liberação depende de fatores como:
- Composição mineralógica da rocha;
- Tamanho das partículas;
- Acidez e condições químicas do solo;
- Umidade e temperatura;
- Atividade dos microrganismos;
- Tempo de permanência do material no solo.
Rochas com minerais mais resistentes ao intemperismo podem apresentar liberação muito lenta de nutrientes, mesmo quando contêm quantidades expressivas desses elementos.
A importância da granulometria
A moagem aumenta a área superficial exposta dos minerais, favorecendo seu contato com a água e com os componentes químicos e biológicos do solo.
Em determinadas condições, materiais mais finamente moídos podem apresentar maior velocidade de alteração mineral.
Contudo, partículas menores também podem exigir mais energia durante a moagem, elevando os custos de produção.
Por isso, é necessário encontrar um equilíbrio entre a eficiência agronômica e a viabilidade econômica.
3. Remineralizadores como insumos regionais
Uma das características importantes dos remineralizadores de solo é seu potencial de produção e utilização regional.
Isso ocorre porque, em muitos casos, são aplicados em quantidades relativamente elevadas, tornando o transporte um componente relevante do custo final.
Quanto maior a distância entre a unidade produtora e a propriedade rural, maior tende a ser a participação do frete no preço do produto.
Essa característica é semelhante à observada na comercialização de corretivos agrícolas, como o calcário.
Qual é a dose de remineralizador por hectare?
No artigo original, é apresentada uma faixa de referência de 1.000 a 5.000 kg por hectare.
Essa faixa pode ser utilizada como exemplo de doses empregadas em determinadas condições, mas não representa uma recomendação universal.
A quantidade apropriada depende da análise do solo, da cultura, do produto e das recomendações agronômicas específicas.
| Dose | Quantidade por hectare |
|---|---|
| 1 tonelada/ha | 1.000 kg |
| 2 toneladas/ha | 2.000 kg |
| 3 toneladas/ha | 3.000 kg |
| 4 toneladas/ha | 4.000 kg |
| 5 toneladas/ha | 5.000 kg |
A necessidade de transportar essas quantidades reforça a importância de identificar jazidas adequadas próximas das regiões agrícolas.
Dessa forma, o aproveitamento de recursos minerais regionais pode contribuir para a redução dos custos logísticos e para a diversificação das fontes de nutrientes utilizadas na agricultura brasileira.
4. Principais tipos de rochas e agrominerais utilizados na agricultura
Os agrominerais são recursos minerais empregados direta ou indiretamente para fornecer nutrientes, corrigir características químicas do solo ou melhorar determinadas condições relacionadas à fertilidade.
Entre os principais grupos estão os carbonatos, sulfatos, fosfatos e silicatos.
Embora pertençam ao conjunto mais amplo dos agrominerais, esses materiais não devem ser automaticamente classificados como remineralizadores no sentido da legislação brasileira.
4.1. Carbonatos
Os calcários agrícolas são exemplos de materiais ricos em carbonatos e amplamente utilizados na agricultura brasileira.
Suas principais funções incluem:
- Correção da acidez do solo;
- Redução da toxicidade do alumínio em solos ácidos;
- Fornecimento de cálcio;
- Fornecimento de magnésio, dependendo da composição do corretivo;
- Melhoria das condições químicas para o desenvolvimento das raízes.
A calagem é uma das principais práticas de manejo da fertilidade em solos ácidos.
4.2. Sulfatos
O gesso agrícola é um dos materiais sulfatados mais utilizados na agricultura.
Ele fornece cálcio e enxofre e pode favorecer o desenvolvimento radicular em profundidade, especialmente em solos com limitações químicas nas camadas subsuperficiais.
Entre seus efeitos potenciais estão:
- Fornecimento de cálcio e enxofre;
- Aumento da disponibilidade de cálcio em profundidade;
- Redução dos efeitos prejudiciais do alumínio em determinadas condições;
- Favorecimento do crescimento das raízes em camadas mais profundas.
Diferentemente do calcário, o gesso agrícola não é utilizado como corretivo da acidez do solo, pois não apresenta capacidade significativa de elevar o pH.
4.3. Fosfatos naturais
Os fosfatos naturais são materiais minerais utilizados principalmente como fontes de fósforo.
Dependendo da origem e da composição, também podem fornecer cálcio.
Sua eficiência agronômica varia conforme fatores como:
- Reatividade da fonte;
- Granulometria;
- Acidez do solo;
- Capacidade de fixação de fósforo;
- Espécie cultivada.
Alguns fosfatos naturais apresentam maior eficiência em solos ácidos e em sistemas de cultivo específicos.
Por isso, sua utilização deve considerar as características do material e as condições de aplicação.
4.4. Silicatos
Os materiais silicáticos representam uma categoria importante de agrominerais, incluindo diferentes rochas com potencial para utilização agrícola.
Dependendo de sua composição, podem fornecer potássio, cálcio, magnésio, silício e outros elementos.
Também podem provocar alterações nas propriedades químicas do solo, como o pH e a disponibilidade de determinados nutrientes.
Entretanto, esses efeitos não são iguais para todas as rochas silicáticas.
Alguns materiais podem apresentar resultados favoráveis sobre a fertilidade, enquanto outros possuem baixa reatividade e liberam nutrientes lentamente.
Por esse motivo, a caracterização química e mineralógica é fundamental para determinar o potencial agronômico de cada fonte.
5. Exemplos de remineralizadores e agrominerais registrados no Brasil
O Brasil apresenta ampla diversidade geológica, com materiais minerais que podem ser estudados para utilização agrícola.
Entre as rochas exploradas ou pesquisadas para essa finalidade estão basaltos, fonolitos, sienitos, micaxistos, siltitos glauconíticos e outras formações minerais.
A tabela a seguir reúne os produtos e materiais apresentados no levantamento original, com informações de composição e localização.
Importante: os dados representam um levantamento histórico, e não uma relação atualizada dos registros ativos no Mapa. Alguns materiais aparecem classificados como fertilizantes ou materiais secundários, não como remineralizadores.
Tabela 1 — Exemplos históricos de remineralizadores e outros agrominerais no Brasil
| UF | Município | Produto | Rocha | Soma de bases (%) | K₂O (%) | Sílica livre (%) |
|---|---|---|---|---|---|---|
| BA | Salvador | RMS-C01 | Granulito | 9,9 | 3,9 | 17 |
| GO | Aparecida de Goiânia | FMX | Micaxisto | 9,5 | 3,2 | 20 |
| GO | Aparecida de Goiânia | Pó de micaxisto* | Micaxisto | 9,6 | 3,3 | 26 |
| GO | Luziânia | REMAX | Calcixisto | 23 | 2,7 | 20 |
| GO | Abadiânia | Pó de micaxisto* | Micaxisto | 8,9 | 4 | 25 |
| MG | Carmo do Paranaíba | KP-Fértil | Kamafugito | 13 | 4 | 8 |
| MG | Nova Lima | Não informado | Serpentinito + fonolito | 35 | 1 | 0 |
| MG | São Gotardo | K-Forte | Siltito glauconítico | 13 | 10 | 13 |
| MG | Poços de Caldas | Ekosil | Fonolito | 10 | 8 | 0 |
| MG | Poços de Caldas | Potasil | Sienito | 12 | 12 | 0 |
| MG | Pratápolis | Dunito** | Dunito | 40 | 0 | 0 |
| PR | Palotina | Renutra | Basalto | 13 | 1,01 | 0 |
| PR | Paula Freitas | Mineralle Agro | Microgabro + dacito | 14 | 1,4 | 10 |
| PR | Piên | Silmag | Serpentinito + filito | 26 | 1,2 | 15 |
| SP | Lençóis Paulista | Reminer GS3 | Diabásio | 14 | 1,4 | 0 |
Produtos classificados como material secundário no levantamento original.
Produto classificado como fertilizante de magnésio no levantamento original.
Fonte: Instituto Brasil Orgânico/Mapa, conforme os dados apresentados no material original.
A tabela demonstra a diversidade de materiais minerais estudados ou utilizados na agricultura brasileira.
Entretanto, a classificação regulatória e a situação comercial de cada produto precisam ser verificadas individualmente.
Além disso, a comparação direta entre os teores químicos apresentados não é suficiente para determinar a eficiência agronômica.
Um produto com maior concentração total de determinado elemento não necessariamente disponibiliza esse nutriente com maior rapidez para as plantas.
6. Fertilizantes solúveis x remineralizadores: qual é a diferença?
Os fertilizantes minerais solúveis e os remineralizadores apresentam características distintas, mas podem atuar de maneira complementar no manejo da fertilidade do solo.
A principal diferença está na forma e na velocidade com que os nutrientes podem ficar disponíveis para as plantas.
Fertilizantes minerais solúveis
Os fertilizantes solúveis são desenvolvidos para fornecer nutrientes em formas que, geralmente, apresentam elevada disponibilidade após a aplicação.
Essa característica permite atender às necessidades nutricionais das culturas durante períodos de maior demanda.
Entretanto, dependendo das propriedades do solo, do clima, da fonte utilizada e do manejo, parte dos nutrientes pode sofrer processos de perda ou transformação.
Entre esses processos estão:
- Lixiviação;
- Volatilização, em determinadas fontes nitrogenadas;
- Escoamento superficial;
- Fixação ou retenção de nutrientes em formas menos disponíveis.
A intensidade desses processos varia conforme o nutriente e as condições de cultivo.
Remineralizadores de solo
Os remineralizadores apresentam mecanismos de fornecimento de nutrientes associados principalmente à alteração e à dissolução dos minerais.
Em muitos casos, sua liberação ocorre de maneira mais lenta que a dos fertilizantes altamente solúveis.
Entre seus potenciais benefícios estão:
- Fornecimento gradual de determinados nutrientes;
- Diversificação das fontes minerais utilizadas na agricultura;
- Aproveitamento de recursos geológicos regionais;
- Possibilidade de alterações favoráveis em características químicas do solo;
- Complementação dos programas convencionais de adubação.
A magnitude desses benefícios depende diretamente das características do produto e das condições agronômicas.
Comparação entre fertilizantes solúveis e remineralizadores
| Característica | Fertilizantes solúveis | Remineralizadores |
|---|---|---|
| Disponibilidade dos nutrientes | Geralmente rápida | Variável, frequentemente gradual |
| Composição | Formulações com nutrientes específicos | Depende da composição mineralógica |
| Resposta da cultura | Pode ocorrer rapidamente | Pode exigir mais tempo |
| Doses utilizadas | Dependem da concentração e recomendação | Podem ser relativamente elevadas |
| Transporte | Influenciado pelo volume e pela concentração | Pode ter grande impacto econômico |
| Uso principal | Suprimento de nutrientes | Complementação da fertilidade e fornecimento de elementos minerais |
| Resultados agronômicos | Dependem do manejo e das condições do solo | Dependem da rocha, do solo, da cultura e do tempo |
É possível combinar os dois tipos de insumos?
Sim. A utilização conjunta pode ser uma estratégia interessante em determinadas condições agrícolas.
Os fertilizantes solúveis podem atender às necessidades nutricionais mais imediatas, enquanto determinados remineralizadores podem contribuir com elementos minerais cuja liberação ocorre ao longo do tempo.
Essa combinação também pode proporcionar efeitos sobre características químicas do solo que influenciam a disponibilidade dos nutrientes.
Contudo, não é correto afirmar que os remineralizadores sempre permitem reduzir as doses de fertilizantes convencionais.
Qualquer redução precisa ser sustentada por análises de solo, acompanhamento nutricional das culturas e resultados experimentais adequados.
7. Remineralizadores e disponibilidade de fósforo no solo
Uma das linhas de pesquisa relacionadas aos materiais silicáticos envolve suas possíveis interações com a disponibilidade de fósforo.
Em determinados solos, compostos de silício podem interferir nos processos de adsorção do fósforo, pois espécies químicas de silicato e fosfato podem competir por alguns sítios de reação nas superfícies dos minerais do solo.
Esse mecanismo pode contribuir para alterar a disponibilidade de fósforo em condições específicas.
Entretanto, o efeito depende de fatores como:
- Características mineralógicas do solo;
- Concentração e forma química do silício disponível;
- pH;
- Presença de óxidos de ferro e alumínio;
- Fonte de fósforo utilizada;
- Características do remineralizador.
Dessa maneira, não é possível afirmar que toda aplicação de rocha silicática aumentará a disponibilidade de fósforo.
O comportamento precisa ser avaliado considerando as condições químicas e mineralógicas de cada sistema.
O que mostram as pesquisas?
O artigo original menciona um estudo de Carneiro et al. (2016), envolvendo um material à base de siltito e fertilização fosfatada com superfosfato triplo.
Entretanto, sem a referência bibliográfica completa e a metodologia do experimento, não é possível confirmar adequadamente as doses, os tratamentos ou a equivalência entre os resultados.
Por isso, a principal interpretação técnica é que determinadas fontes minerais podem interagir com a dinâmica do fósforo no solo, mas sua eficiência deve ser demonstrada por experimentos específicos.
8. Vantagens e limitações dos remineralizadores de solo
A utilização de remineralizadores apresenta oportunidades importantes para a agricultura brasileira, mas também envolve limitações técnicas e econômicas.
Principais vantagens
Diversificação das fontes de nutrientes
Permite ampliar as opções de insumos disponíveis para o manejo da fertilidade do solo.
Aproveitamento de recursos regionais
A exploração de depósitos minerais adequados pode favorecer cadeias produtivas locais e reduzir a necessidade de transportar determinados materiais por grandes distâncias.
Fornecimento gradual de elementos minerais
Dependendo da mineralogia, alguns produtos podem liberar nutrientes ao longo do tempo.
Complementação da adubação convencional
Podem ser utilizados em estratégias integradas de fertilidade, desde que existam recomendações técnicas adequadas.
Potencial de redução da dependência externa
O desenvolvimento de fontes nacionais pode contribuir para diversificar o abastecimento de determinados nutrientes utilizados na agricultura.
Principais limitações
Liberação lenta de nutrientes
Alguns minerais apresentam baixa velocidade de intemperismo, o que pode limitar seu aproveitamento durante ciclos agrícolas curtos.
Variabilidade na composição
Rochas de origens diferentes podem apresentar concentrações e formas mineralógicas bastante distintas.
Custo de transporte
O deslocamento de grandes quantidades pode comprometer a viabilidade econômica.
Necessidade de comprovação agronômica
A composição química, isoladamente, não garante eficiência em campo.
Dependência das condições do solo
Um mesmo produto pode apresentar resultados diferentes conforme o tipo de solo, a cultura e as condições ambientais.
9. Como escolher um remineralizador de solo?
Antes de utilizar um remineralizador, é importante avaliar não apenas o preço por tonelada, mas também suas características químicas, físicas e agronômicas.
Entre os principais critérios de escolha estão:
- Registro e regularidade do produto: verificar a situação do remineralizador perante o Ministério da Agricultura e Pecuária.
- Composição química: analisar os teores dos elementos de interesse agronômico.
- Composição mineralógica: compreender em quais minerais esses elementos estão presentes.
- Granulometria: avaliar o tamanho das partículas e sua possível influência na reatividade.
- Eficiência agronômica: considerar resultados experimentais e recomendações técnicas.
- Necessidades do solo: utilizar análises para identificar limitações nutricionais e químicas.
- Custo final por hectare: considerar preço, dose, frete e aplicação.
A escolha deve ser acompanhada por um profissional habilitado, levando em consideração o planejamento nutricional da cultura.
10. Considerações finais
Os remineralizadores de solo representam uma alternativa relevante para a diversificação dos insumos utilizados na agricultura brasileira.
O país possui grande diversidade geológica, com materiais minerais que podem apresentar potencial para fornecer nutrientes ou contribuir para determinadas melhorias nas condições de fertilidade dos solos.
Além disso, o desenvolvimento de fontes regionais pode favorecer a redução de custos logísticos e diminuir parcialmente a exposição dos produtores às oscilações internacionais de preços dos fertilizantes.
Entretanto, a eficiência desses produtos depende de fatores como mineralogia, granulometria, características do solo, necessidades das culturas e condições de manejo.
Por isso, sua utilização deve ser fundamentada em informações técnicas e resultados agronômicos, evitando a ideia de que qualquer pó de rocha possa substituir diretamente os fertilizantes convencionais.
O maior potencial dos remineralizadores está em sua utilização criteriosa e integrada às demais práticas de manejo da fertilidade do solo.
A expansão dessa tecnologia dependerá do avanço das pesquisas, da caracterização de fontes minerais, da aproximação entre os setores agrícola e mineral e da disponibilidade de produtos com eficiência agronômica comprovada.
Com planejamento e critérios técnicos adequados, os remineralizadores podem contribuir para sistemas agrícolas mais diversificados, eficientes e menos dependentes de determinadas fontes externas de nutrientes.