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Nutrição e fertirrigação da bananeira

Nutrição e fertirrigação da bananeira

A banana é a segunda fruta mais produzida no Brasil, com 6,8 milhões de toneladas (ANUÁRIO 2020). É uma espécie frutífera de clima tropical que apresenta crescimento rápido e elevada capacidade produtiva, de forma que necessita de grandes concentrações de nutrientes para o seu desenvolvimento e produção.

A quantidade e a qualidade da produção, o crescimento e o desenvolvimento das plantas, a suscetibilidade a pragas e a doenças e a rentabilidade são alguns dos aspectos fundamentais da bananicultura que dependem do manejo adequado da adubação.

Nesse contexto, os nutrientes podem ser fornecidos por adubação via solo ou através da água de irrigação, sendo o segundo método mais eficiente, pois combina dois fatores essenciais ao crescimento e desenvolvimento das plantas, água e nutrientes.

1. ABSORÇÃO DE NUTRIENTES

O potássio (K) e o nitrogênio (N) são os nutrientes absorvidos em maior quantidade e que garantem produções elevadas de banana; seguidos do magnésio (Mg), cálcio (Ca), enxofre (S) e fósforo (P) (Figura 1). Com relação aos micronutrientes, os mais absorvidos são o cloro (Cl), manganês (Mn), boro (B), zinco (Zn) e cobre (Cu), respectivamente (Figura 2).

2. EXPORTAÇÃO DE NUTRIENTES

Para determinarmos a necessidade de cada nutriente, é essencial conhecermos a exportação da cultura pela colheita, ou seja, aquela quantidade de nutrientes que sai com a produção de frutos.

No caso da bananeira, os nutrientes exportados pela colheita do cacho estão no fruto, engaço, ráquis feminina, ráquis masculina e coração.

Os macronutrientes mais exportados pelos cachos de banana são K > N > Mg > S > Ca > P, podendo haver alteração na ordem dos três últimos dependendo da cultivar e do tipo de solo (Figura 1).

A exportação de nutrientes e a produtividade esperada são fatores importantes para a determinação das doses de fertilizantes. Culturas mais produtivas e por consequência que exportam maior quantidade de nutrientes, requerem maior reposição de nutrientes via adubação.

3. RESTITUIÇÃO DE NUTRIENTES

Embora a bananeira necessite de grande quantidade de nutrientes, uma parte considerável retorna ao solo, já que 66% da massa vegetativa fica na área e se decompõe (BORGES, 2002). Isso significa algo em torno de 15 toneladas por hectare de matéria seca, que conforme pode ser observado na Figura 1, possibilita a reciclagem/restituição, à área de produção, de cerca de 262 kg/ha de K e 107kg/ha de N, por exemplo.

Figura 1. Absorção, Exportação e Reposição média de macronutrientes de cinco cultivares de banana (Caipira, Prata anã, Terra, FHIA-18 e Pioneira). Adaptado de FARIA 1997 e BORGES & SILVA (2000).

Figura 2. Absorção, Exportação e Reposição média de micronutrientes de cinco cultivares de banana (Caipira, Prata anã, Terra, FHIA-18 e Pioneira). Adaptado de FARIA 1997 e BORGES & SILVA (2000).

4. SINTOMAS DE DEFICIÊNCIA NUTRICIONAL

Alguns sintomas importantes de deficiência nutricional podem ser identificados nos cachos e frutos (Tabela 2), principalmente nas folhas (Tabela 3).

 

Tabela 1. Sintomas visuais de deficiências de nutrientes no cacho.

Nutriente Sintoma no cacho
N Cachos raquíticos, menor número de pencas.
P Frutos com menor teor de açúcar.
K Cachos raquíticos, frutos pequenos e finos, maturação irregular, polpa pouco saborosa.
Ca Maturação irregular, frutos verdes junto com maduros, podridão dos frutos, pouco aroma e pouco açúcar. A sua falta pode ser uma das causas do empedramento da banana ‘Maçã’.
Mg Cacho raquítico e deformado, maturação irregular, polpa mole, viscosa e de sabor desagradável, apodrecimento rápido do fruto.
S Cachos pequenos.
B Deformações do cacho, poucos frutos e atrofiados. A sua falta pode levar ao

empedramento da banana ‘Maçã’.

Fe Pencas anormais, frutos curtos.
Zn Frutos tortos e pequenos, com ponta em forma de mamilo (Cavendish) e de cor verde pálida.

Tabela 2. Sintomas visuais de deficiências de nutrientes em folhas de bananeira.

Nutriente Idade da folha Sintomas no limbo foliar Sintomas adicionais
N Todas as idades Verde-claro Pecíolos róseos.
P Velhas Clorose marginal em forma de “dentes de

serra”.

 

Pecíolo se quebra; folhas jovens com coloração verde-escura tendendo a azulada.
K Velhas Clorose amarelo alaranjada e necroses nos bordos. Limbo se dobra na ponta da folha,

com aspecto encarquilhado e seco.

Ca Jovens Clorose nos bordos. Engrossamento das nervuras secundárias; clorose marginal descontínua e em forma de “dentes de serra”; diminuição do tamanho da folha.
Mg Velhas Clorose da parte interna do limbo; nervura central

e bordos permanecem verdes.

Descolamento das bainhas.
S Jovens Folhas, inclusive nervuras, tornam-se verde-pálidas a amarelas. Engrossamento das nervuras secundárias.
Cu Todas as idades Nervura principal se dobra.
Fe Jovens Folhas amarelas, quase

brancas.

B Jovens Listras perpendiculares às nervuras secundárias. Folhas deformadas (limbos

incompletos).

Zn Jovens Faixas amareladas ao longo das nervuras secundárias. Pigmentação avermelhada na face

inferior das folhas jovens.

Mn Medianas Limbo com clorose em

forma de pente nos bordos.

Embora a diagnose visual seja uma das ferramentas para verificar as deficiências nutricionais em bananeira, é fundamental a realização da análise foliar e de solo. É recomendado retirar de 15 a 20 subamostras por área homogênea, na profundida de 0-20 cm e, se possível também, na profundidade de 20-40 cm, para formar uma amostra composta de cada profundidade e encaminhar ao laboratório.

5. CALAGEM E ADUBAÇÃO

5.1. Calagem

A quantidade de calcário a ser aplicado deve ser determinada pelo método da saturação por bases, procurando atingir o valor de 70%.

A aplicação de calcário deve ser realizada com antecedência mínima de 30 dias do plantio. O calcário deve ser aplicado a lanço em toda a área, após a aração, e incorporado por meio da gradagem após a aplicação.

Recomenda-se o uso do calcário dolomítico ou magnesiano, que contém, além do cálcio, teores de óxido de magnésio (MgO) acima de 6%, evitando o surgimento do distúrbio fisiológico “azul da bananeira”.

A calagem poderá ser realizada em pomares já implantados, aplicando-se metade da dosagem recomendada em toda a superfície do solo, fazendo a aplicação da outra metade com um intervalo de seis meses.

O gesso agrícola (CaSO4.2H2O) poderá ser utilizado para aumentar o teor de cálcio e neutralizar o alumínio nas camadas mais profundas. Recomenda-se aplicar a dose de 25% da necessidade de calagem para a melhoria do ambiente radicular do solo abaixo da camada arável.

5.2. Adubação potássica

O potássio é considerado o nutriente mais importante para a produção de bananas de qualidade. A quantidade recomendada varia de 100 a 750 kg de K2O/ha, dependendo do teor no solo e da produtividade esperada (Tabela 3).

Recomenda-se, em solos com teores de potássio inferiores a 0,15 cmolc/dm³ (60 mg/dm³), fazer a primeira aplicação por ocasião do plantio. Contudo nos demais solos, a primeira aplicação pode ser feita em cobertura, no 3º ou 4º mês após o plantio.

Solos com teores acima de 0,60 cmolc/dm³ (234 mg/dm³) dispensam a adubação com potássio.

5.3. Adubação nitrogenada

O nitrogênio é um nutriente muito importante para o crescimento vegetativo da bananeira, recomendando-se de 160 a 400 kg/ha/ano, dependendo da produtividade esperada (Tabela 4).

A primeira aplicação deve ser feita em cobertura, em torno de 30 a 45 dias após o plantio.

Tabela 3. Recomendação de doses de N e K nas fases de pós-plantio e formação da bananeira.

Época

(dias após o plantio)

N ————— K trocável (mmolc/dm-3) ————–
Kg/ha 0-15 1,6-3,0 3,1-6,0 > 6,0
30 20 20 0
60 20 30 30 0
90 30 40 30 20 0
120 30 60 40 30 0
120-360 100 300 250 150 0
Total 200 450 350 200 0

5.4. Adubação fosfatada

A bananeira necessita de pequenas quantidades de fósforo, mas, se não aplicado, prejudica o desenvolvimento do sistema radicular da planta e, consequentemente, afeta a produção. Solos com teores de P acima de 30 mg/dm-3 dispensam a adubação fosfatada.

Tabela 4. Recomendação de doses de N, P e K para fase de produção da bananeira.

Produtividade

Esperada

(kg/ha)

N — P resina (mg/dma-3) — — K trocável (cmoc/dm-3) —
Kg/ha 0-12 13-30 30-60 >60 0-15 1,6-3,0 3,1-6,0 >6,0
P2O5 (kg/ha) K2O (kg/ha)
<20 160 80 60 40 0 300 200 100 0
20-40 240 100 80 50 0 450 300 150 0
40-60 320 120 100 70 0 600 400 200 0
>60 400 160 120 80 0 750 500 250 0

6. FERTIRRIGAÇÃO

A fertirrigação é a maneira mais eficiente de fornecermos nutrientes às plantas, pois combina diretamente dois fatores essenciais ao crescimento e desenvolvimento, água e nutrientes.

Além da possibilidade de aplicação dos fertilizantes na região de maior concentração de raízes e da possibilidade de maior fracionamento das doses, a fertirrigação possibilita aumentar a eficiência das adubações pois os nutrientes têm as condições ideais de umidade do solo para serem absorvidos pela bananeira.

A fertirrigação aumenta a eficiência do aproveitamento dos nutrientes, pois permite que sejam fornecidos na proporção e na quantidade demandada por cada fase de desenvolvimento da cultura.

6.1. Sistema de fertirrigação

A fertirrigação é mais adequada a sistemas de irrigação localizada, principalmente o gotejamento e a microaspersão.

Na irrigação por gotejamento a aplicação dos fertilizantes via água é diretamente na zona radicular, próximo do pseudocaule, favorecendo o máximo aproveitamento da água e dos nutrientes.

Em relação aos microaspersores, são geralmente posicionados entre quatro plantas. Mas quando as plantas são jovens, com sistema radicular pouco desenvolvido, grande parte do fertilizante fica fora do seu alcance. Entretanto, com o crescimento da planta, o índice de aproveitamento tende a aumentar progressivamente.

Por essa razão, a fertirrigação por gotejamento é mais eficiente para a bananeira, especialmente nos primeiros meses do ciclo da cultura.

6.2. Frequência de fertirrigação

A bananeira é uma frutífera que possui uma alta demanda de nutrientes e água durante todo o ciclo. Por essa razão a frequência de fertirrigação também deve ser alta.

A frequência de fertirrigação pode ser a cada 15 dias em solos com maior teor de argila; em solos mais arenosos, recomenda-se a frequência de fertirrigação semanal.

Quando é usado um intervalo maior de fertirrigação, deve-se ter cuidado com a elevação da salinidade do solo, pois a concentração de nutrientes será maior em cada aplicação. Por essa razão, recomenda-se uma frequência de irrigação de 3 a 7 dias.

6.3. Cálculo da solução de fertirrigação

O pH da solução deve ficar entre 5,0 e 6,5. Já a condutividade elétrica (CE) deve ser mantida entre 1,44 e 2,88 dS/m, para garantir que não ocorra salinização do solo.

Como já foi mencionado, os nutrientes mais aplicados na bananeira são o K e N. A quantidade de fertilizante, normalmente ureia e cloreto de potássio é diluída em um balde ou tanque, cujo volume da solução é calculado pela equação:

Onde:

M = massa do fertilizante fonte no nutriente (g);

Qs = vasão de aplicação (litros/hora);

Cn = Concentração do nutriente no fertilizante (0,45, no caso da ureia);

Qf = Vazão total da linha de irrigação (litro/hora);

Cf = concentração do nutriente na saída dos emissores (g/litro). Pode ser entre 0,20 e 0,70, dependendo da capacidade do recipiente de preparo da solução.

 

Exemplo:

– 1ha de banana com 1.666 plantas (espaçamento = 4 x 2 x 2m);

– 1 microaspersor para 4 plantas;

– Total de microaspersores = 417

– Vazão de cada microaspersor = 45 litros/hora

– Qf (Vazão total) = 417 x 45 = 18.765 litro/hora

– Dose de N recomendada = 200 kg/ha/ano

– Fonte de N = ureia (0,45 de N);

– Frequência de fertirrigação = quinzenal (24 aplicações/ano)

– M = 444 kg de ureia/ha / 24 aplicações = 18,5 kg = 18.500 gramas de ureia/ha/aplicação

– Cf = 0.45 g/litro

– Qs = bomba injetora hidráulica de 60 litros por hora;

6.4. Recomendação de fertirrigação

Recomenda-se para a bananeira sob fertirrigação, 160 a 400 kg de N/ha e 100 a 750 kg de K2O/ha, dependendo da produtividade esperada e no caso da quantidade de K2O, do teor de K no solo.

Tabela 5. Quantidade de N e K a serem aplicadas durante o ciclo da bananeira sob fertirrigação.

Época Quantidade de N Quantidade de K2O
Total (kg ha-1) Cada 15 dias

(kg ha-1)

Total (kg ha-1) Cada 15 dias

(kg ha-1)

1º ao 3º mês 16 a 40 2,7 a 6,6 4,5 a 33,8 0,8 a 5,6
4º ao 9º mês 120 a 300 10 a 25 85,5 a 641,2 14,3 a 45,8
Florescimento à colheita 24 a 60 4,0 a 10 10 a 75 3,3 a 12,5

BIBLIOGRAFIA E LINKS RELACIONADOS

Anuário brasileiro de horti&fruti 2020 / Cleonice de Carvalho… [et al.]. Santa Cruz do Sul: Editora Gazeta Santa Cruz, 2019. 96 p.: il. Disponível em: http://www.editoragazeta.com.br/sitewp/wp-content/uploads/2020/05/HORTIFRUTI_2020.pdf

– TEIXEIRA, L.A.J. Tópicos de Nutrição e Adubação de Bananeira. Repositório do Instituto Biológico – SP. Disponível em: http://www.biologico.agricultura.sp.gov.br/uploads/files/rifib/XIII%20RIFIB/teixeira.pdf

– BORGES, A. L.; RAIJ, B. van; MAGALHÃES, A. F. de J.; BERNARDI, A. C. de C. Nutrição e adubação da bananeira irrigada. Cruz das Almas: Embrapa Mandioca e Fruticultura, 2002. 8 p. (Circular Técnica, 48). Disponível em: http://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/item/184669/1/11238.pdf

– BORGES, A. L.; SILVA, A. L. da BATISTA, D. da C.; MOREIRA, F. R. B.; FLORI, J. E.; OLIVEIRA, J. E. de M.; ARAUJO, J. L. P.; PINTO, J. M.; CASTRO, J. M. da C. e MOURA, M. S. B. de AZOUBEL, P. M.; CUNHA, T. J. F.; SILVA, S. de O. e CORDEIRO, Z. J. M. Sistema de Produção da Bananeira Irrigada. Embrapa Semiárido, Sistemas de Produção, 4, Versão Eletrônica, Jul/2009. Disponível em: https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/infoteca/bitstream/doc/662460/1/SistemadeProducaodaBananeiraIrrigada.pdf

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–  COELHO, E. F.; SANTOS, M. R. dos; ALMEIDA, F. de; DONATO, S. L. R. REIS, J. B. R. da S.; OLIVEIRA, P. M. de. Técnicas de manejo de água de irrigação para reduzir a demanda de água em bananeira. (Embrapa Mandioca e Fruticultura. Circular Técnica, 128). 14p. Disponível em: https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/infoteca/bitstream/doc/1122153/1/CircularTecnica128-EugenioCoelho-AINFO.pdf

 

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