Manejo racional da irrigação

A gestão da água para a agricultura está se tornando cada vez mais complexa. Os desafios das alterações climáticas terão de ser superados através de adaptações. A agricultura é um setor importante proporcionando oportunidades de emprego para a população rural, e assegurando a segurança alimentar mundial. No entanto, a agricultura requer água, um recurso cada vez mais escasso.

O manejo racional de qualquer projeto de irrigação deve considerar os aspectos sociais e ambientais do local. Buscando a máxima produtividade e eficiência no uso da água, deve-se considerar os custos de energia, de capital e de mão de obra; a eficiência do uso de fertilizantes; o teor de umidade do solo; os tratamentos fitossanitários da cultura, além das condições químicas, físicas e biológicas do solo.

Além disso, alguns aspectos inerentes ao sistema de irrigação também devem ser considerados, como: a necessidade de sistematização da área, o custo e a disponibilidade de mão de obra, o grau de automação, a possibilidade de reuso da água, entre outros. Desta forma, fica evidente que a irrigação engloba um conjunto de técnicas e fatores que buscam garantir a produção econômica da cultura de interesse.

Desta forma podemos citar cinco fatores que afetam e são fundamentais para o manejo racional da irrigação: planta (cultura), solo, clima, condições locais e demanda de água para irrigação.

1. A PLANTA

A planta é parte fundamental no manejo da irrigação, afinal é ela que queremos manter em condições hídricas ideais para que possamos obter a máxima produtividade possível. Sendo assim, alguns fatores relacionados às plantas afetam o manejo da irrigação, tais como:

  1. o tipo, a forma e o tamanho do sistema radicular: pois estes terão influência direta sobre o volume de solo que será utilizado;
  2. sensibilidade da cultura ao déficit hídrico: a maior ou menor tolerância da cultura em relação a falta de água irá influenciar na frequência entre as irrigações, bem como no volume de água aplicado. Ressaltando que a demanda por água varia de acordo com os estádios fenológicos da cultura. Desta forma a irrigação deve ser realizada de acordo as necessidades específicas ao longo de suas diferentes fases de desenvolvimento;
  • sensibilidade ao aparecimento de doenças: o aumento do teor de umidade do solo e o microclima criado pela irrigação pode favorecer o surgimento de doenças, desta forma é necessário avaliar a quantidade de água a aplicar, a frequência e o horário da irrigação, visto que, a associação do calor e umidade propicia um ambiente para o surgimento de doenças.

2. O SOLO

O solo possui papel fundamental no manejo da irrigação. Pois a sua profundidade, classe textural e composição dos seus horizontes irão determinar a capacidade que este solo tem de armazenar e reter água em seu perfil, além de disponibilizar água para as plantas com maior ou menor facilidade. Além disso, o solo irá influenciar no crescimento e desenvolvimento do sistema radicular das culturas, delimitando o volume que será efetivamente explorado para a absorção de água.

O conhecimento da capacidade de infiltração de água no solo é fundamental para determinarmos o volume de água aplicado em cada rega. Visando, a máxima infiltração e armazenamento de água no perfil de solo em que se está trabalhando, evitando perdas por escoamento superficial e por percolação profunda.

3. O CLIMA

O clima é regulador da demanda de água para irrigação, pois as condições climáticas como temperatura, radiação solar, umidade relativa e velocidade do vento são os principais fatores responsáveis pela retirada de água do sistema, seja por evaporação de água do solo ou pela transpiração de água das plantas.

Contudo, as precipitações são a principal fonte natural de água para as plantas. Podendo ocorrer momentos com escassez, quando as precipitações são menores que a demanda de água pelas plantas e momentos de excesso hídrico, quando ocorrem precipitações superiores a demanda de água pela planta e da capacidade de armazenamento de água do solo. Ambas as situações causam problemas para as culturas e demandam um planejamento prévio da irrigação.

Cabe salientar que as condições climáticas apresentam grandes mudanças e incertezas, fazendo com que os projetos de irrigação sejam baseados no histórico climático da região.

4. CONDIÇÕES LOCAIS

As condições locais são essenciais para o manejo da irrigação. A topográfica do local exerce uma influência direta no manejo da irrigação, seja pela perda de carga em locais onde a água tem que ser bombeada contra a gravidade, ou em terrenos com declividade que reduzem o tempo de infiltração de água no solo e podem acarretar em desuniformidade na lâmina de irrigação bem como, escorrimento superficial e, consequentemente, perdas de solo e nutrientes.

A disponibilidade de água de boa qualidade deve ser um aspecto a ser considerado, avaliando-se a fonte de água disponível, açude, rio, poço, entre outros, e os volumes e vazões disponíveis ao longo do ciclo da cultura de interesse.

Outros fatores locais que devem ser observados são a disponibilidade de dados climatológicos na propriedade ou próximos, além de instrumentos para o monitoramento do conteúdo de água no solo.

5. DEMANDA DE ÁGUA PARA IRRIGAÇÃO

A determinação da quantidade de água necessária para a irrigação é um dos principais parâmetros para que o planejamento, o dimensionamento e o manejo do sistema sejam realizados de forma precisa. Sendo fundamental a avaliação se há a necessidade de captação, armazenamento e condução da água que será utilizada para irrigação. A fim de evitar superdimensionamentos e subdimensionamentos. Garantindo a viabilidade do projeto e o uso racional da água.

Dentro desse contexto, o manejo ou monitoramento da irrigação pode ser realizado tendo como indicador, a planta, o solo, o clima, ou pela associação destes. Cabe analisar de acordo com o nível tecnológico, mão de obra e conhecimento técnico disponível, qual o melhor manejo de irrigação a ser adotado.

BIBLIOGRAFIA E LINKS RELACIONADOS

– Serviço Nacional de Aprendizagem Rural. Irrigação: gestão e manejo. Brasília: Senar, 2019. 84 p; (Coleção Senar, 250).

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