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Manejo de pastagens

Manejo de pastagens

(Curadoria Agro Insight)

Olá Agronautas!

Hoje nossa curadoria é uma continuação do tema formação de pastagens. Trouxemos algumas recomendações da Embrapa sobre como fazer o correto manejo da pastagem (capacidade de pastejo, altura de pastejo das principais espécies de capim, etc…). O manejo eficiente das pastagens maximiza a produtividade e a rentabilidade do pecuarista.

Manejo do pastejo

Após a formação da pastagem, o produtor deve manejar o pasto de forma que ele permaneça produtivo e capaz de fornecer alimento para o gado por longo tempo.

Um problema frequente que compromete o bom desempenho da pastagem é o emprego de práticas inadequadas de manejo do pastejo. Dentre essas práticas, destaca-se o uso de taxas de lotação (número de animais por área) ou períodos de descanso (tempo em que o pasto permanece sem pastejo) que não levam em conta o ritmo de crescimento do pasto.

Portanto, planejar incorretamente o número de animais e o tempo de pastejo que o pasto pode suportar, ou seja, planejar incorretamente a capacidade de suporte do pasto pode levar o pasto à degradação.

Como calcular a capacidade de suporte de uma pastagem?

A capacidade de suporte do pasto indica quantos animais (taxa de lotação) o produtor pode ter em determinada área da pastagem por determinado tempo, assegurando alto rendimento por animal e por área, sem comprometer a produtividade e a capacidade de recuperação da pastagem.

A capacidade de suporte está diretamente relacionada com a disponibilidade de forragem da pastagem, isto é, com a quantidade de alimento (forragem) disponível para o gado. Portanto, para calcular a capacidade de suporte de uma pastagem, é preciso saber quanta forragem tem no pasto e quanto cada animal consome por dia.

Como estimar a massa de forragem de um determinado pasto?

Corta-se (rente ao solo) e pesa-se a forragem (capim e leguminosas forrageiras) contida dentro de 1 m2 de solo da pastagem. Para ajudar a demarcar o metro quadrado, pode-se usar uma moldura de madeira, ferro ou PVC, medindo 1 m em cada um dos quatro lados. Deve-se repetir esse procedimento, no mínimo quatro vezes, em locais diferentes do pasto.

O valor médio (em quilograma) das amostragens indica a massa de forragem de 1 m2 dessa pastagem.

Multiplica-se esse valor por 10 mil para estimar a massa de forragem fresca em 1 ha (1 ha tem 10.000 m2) dessa pastagem. Para converter a massa de forragem fresca (verde) em forragem seca ou massa seca (sem água), multiplica-se esse valor por 0,25 (supondo que 75% do peso da forragem seja água).

Portanto:

Massa seca da pastagem (kg/ha) = Forragem verde em 1 m2 x 10.000 x 0,25

Quanto dessa forragem estará disponível e será consumida pelo gado?

Para calcular a forragem disponível, deve-se inicialmente estimar a perda de forragem (por senescência, acamamento, etc.). Seria possível estimar que, em geral, ocorre, em média, uma perda de 30% de forragem. Assim, multiplica-se a produção calculada de massa seca de pastagem (Equação 1) por 0,7.

Quanto da forragem disponível deverá ser efetivamente consumida pelo gado?

Para isso, deve-se estimar a eficiência de pastejo, um índice que normalmente varia entre 0,2 (80% de eficiência de pastejo) a 0,7 (30%).

A eficiência de pastejo é maior no período seco e menor no período chuvoso (quando pode haver mais sobra de forragem), maior em solos mais férteis e também varia com a raça e a categoria animal.

Em geral, pode-se estabelecer um valor intermediário como 0,5, ou seja, 50% de eficiência de pastejo. Isso significa que o animal consumiria metade da forragem que estivesse disponível para ele e a outra metade seria considerada sobra (resíduo) do pastejo.

Portanto:

Forragem disponível e consumida (kg/ha)= Massa seca da pastagem x 0,7 x 0,5

Qual é a capacidade de consumo de forragem pelo animal?

No caso de gado de corte é possível estimar o valor médio de 2,5% de consumo diário de massa seca de forragem, por quilograma de peso vivo do animal. Isso equivale a um consumo diário de 11,25 kg de matéria seca de forragem, por unidade animal de bovinos (1 UA bovino = 450 kg de peso vivo).

Para ovinos ou caprinos, esse valor é 4% de consumo de matéria seca de forragem por dia, por quilograma de peso vivo. Por exemplo, um ovino com 16 kg de peso vivo teria um consumo diário de 0,64 kg de matéria seca de forragem. Uma unidade animal de ovinos ou caprinos corresponde a 240 kg de peso vivo, portanto uma unidade animal de ovino ou caprino consome diariamente 9,6 kg de matéria seca de forragem.

Consumo de forragem no período (kg/UA/período)= Consumo diário x período

Calcula-se então a capacidade de suporte para o período desejado (Equação 4).

Capacidade de suporte da pastagem (UA/ha)= Equação 2 ÷ Equação 3

EXEMPLO

Supondo que em uma pastagem de capim-piatã (Brachiaria brizantha cv. Piatã) a massa média de forragem verde colhida dentro do metro quadrado, em quatro amostragens, foi igual a 1,325 kg (1,2 + 1,4 + 1,5 + 1,2 = 5,3 ÷ 4), qual seria a capacidade de suporte estimada dessa pastagem em 30 dias, caso a pastagem fosse pastejada por bovinos?

Vamos aos cálculos:

1,325 x 10.000 x 0,25 = 3.312,5 kg/ha (Massa seca em 1 ha – Equação 1).

3.312,5 x 0,7 x 0,5 = 1.159,4 kg/ha (Forragem disponível e consumível em 1 ha – Equação 2).

11,25 x 30 = 337,5 kg/UA/30 dias (Consumo de forragem por uma UA em 30 dias – Equação 3).

1.159,4 ÷ 337,5= 3,4 UA/ha (Capacidade de suporte das pastagens durante 30 dias – Equação 4).

Portanto, a capacidade estimada de suporte dessa pastagem, durante 30 dias, seria 3,4 UA/ha.

 

O produtor deve estar ciente que o cálculo acima é teórico e serve apenas para dar uma orientação geral sobre o potencial das pastagens em termos de taxa de lotação (capacidade de suporte das pastagens).

Na prática, há fatores que devem ser constantemente observados. Por exemplo, há diferenças de crescimento do pasto de acordo com a época do ano, a fertilidade do solo, etc.

Além disso, o animal modifica o seu peso com o tempo, devendo, por essa razão, o consumo ser temporariamente ajustado.

Como manejar corretamente a pastagem?

O manejo do pastejo nada mais é do que a forma com que se permite aos animais terem acesso ao pasto. Isto é, o controle da quantidade de animais e do período de descanso do pasto.

Cada capim tem características próprias quanto à tolerância ao pastejo, isto é, a desfolhação e ao pisoteio. Essas características são também fortemente influenciadas pelas condições do ambiente como fertilidade e umidade do solo, temperatura do ar e luz.

Portanto, como já discutido, a capacidade do pasto em produzir alimento (forragem) para o gado varia de acordo com o local e o período do ano. A razão disso é que as condições ambientais podem também ser muito variáveis entre regiões, ou mesmo dentro de uma mesma região ou propriedade rural. Isso ocorre por causa das características naturais de solo e do clima e das particularidades no manejo da pastagem (adubação, irrigação, etc.).

Pelas razões expostas acima, as taxas de lotação, assim como os períodos de descanso da pastagem, devem ser ajustados periodicamente, não podendo, portanto, serem fixos. O que vai determinar as taxas de lotação e os períodos de descanso da pastagem será o ritmo de crescimento das plantas.

Uma forma eficaz de avaliar a capacidade de crescimento do pasto é observar a altura do pasto.

Na Tabela 1 estão listadas recomendações de altura para entrada (pré-pastejo) e saída (pós-pastejo) para alguns capins, quando manejados em sistema de pastejo sob lotação rotativa.

Capim Entrada Saída

(maior fertilidade)

Saída

(menor fertilidade)

Brachiaria

Marandu 25 15 20
Xaraés 30 15 20
Piatã 35 15 20
Humidicola 20 5 10

Panicum

Massai 45 20 30
Mombaça 90 30 50
70 30 50

Cynodon

Estrela 35 15 25
Tifton-85 25 10 15

Andropogon

Andropogon gayanus 50 25 25

 

Na Tabela 2 estão recomendadas, com base em informações já publicadas e em informações práticas, alturas médias para capins em sistema de pastejo sob lotação contínua, com taxa de lotação variável.

Capim

Altura de pastejo (cm)

Marandu

20

Xaraés e Piatã

25

Estrela

25

Tifton-85

15

Capins com hábito de crescimento fortemente entouceirado, como Massai, Mombaça, Tanzânia, Andropógon, etc., têm baixa tolerância ao pastejo sob lotação contínua. Portanto, esses capins devem ser manejados, preferencialmente, sob lotação rotativa.

BIBLIOGRAFIA E LINKS RELACIONADOS

– DIAS-FILHO, M. B. Formação e manejo de pastagens. Belém, PA: Embrapa Amazônia Oriental, 2012. 9 p. (Embrapa Amazônia Oriental. Comunicado técnico, 235).

– COSTA, J. A. A. da; QUEIROZ, H. P. de. Formação de pastagens: Fazendo Certo!. Folder, 2014

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