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Manejo das pragas iniciais na cultura da soja

Manejo de pragas iniciais na soja: estabelecendo o equilíbrio biológico no agroecossistema

(Curadoria Agro Insight)

Hoje trouxemos como curadoria, um artigo  do pesquisador Crébio José Ávila, da Embrapa Agropecuária Oeste, que aborda o correto manejo de pragas na cultura da soja, sempre buscando favorecer os inimigos naturais.

Manejo de pragas iniciais na soja: estabelecendo o equilíbrio biológico no agroecossistema

A cultura da soja é atacada por insetos-praga desde a emergência das plantas até a fase de maturação. Todavia, no agroecossistema de soja, ocorre também um número expressivo de agentes benéficos como predadores, parasitoides e patógenos, denominados coletivamente como inimigos naturais (IN), os quais se alimentam dos insetos que atacam a cultura. A preservação desses agentes de controle biológico natural é um dos princípios básicos para a implementação do manejo integrado de pragas nos cultivos.

Da mesma forma, o conhecimento das pragas, durante as amostragens, bem como os seus respectivos níveis de dano, a consciência de que a soja apresenta capacidade de recuperação de injúria, até um certo nível, e a aplicação correta das táticas de controle disponíveis, são outros fundamentos importantes que devem ser considerados no manejo de pragas da cultura.

A abundância e diversidade dos IN na soja depende das condições que acontecem no agroecossistema. Para o estabelecimento efetivo dos IN, é necessário que haja uma densidade mínima de pragas para garantir sua multiplicação inicial, bem como a ausência de condições adversas como, por exemplo, aplicações de inseticidas não seletivos na cultura.

O uso de produtos de amplo espectro, ou seja, não seletivos, na fase inicial de estabelecimento da cultura, além de destruir os IN que estavam se multiplicando, pode provocar ressurgência de lagartas na soja (reinfestação rápida e mais intensa) e erupção de pragas secundárias (ex. a falsa-medideira) que estavam em baixa população, mas que, após a aplicação de um produto não seletivo, atingem altas densidades na lavoura, fenômenos esses, normalmente decorrentes do desequilíbrio biológico que aconteceu no agroecossistema de soja.

A primeira tática de controle de pragas da soja, que promove o controle biológico conservativo, é o tratamento de sementes, sendo também caracterizada como de seletividade ecológica. Essa alternativa de controle pode controlar pragas de solo como corós, lagarta-elasmo e de superfície como o tamanduá-da-soja, sem interferir diretamente no desenvolvimento dos inimigos naturais.

O fortalecimento do controle biológico no agroecossistema de soja pode também ser implementado por ocasião da dessecação da espécie utilizada como cobertura no sistema de semeadura direta. Nessa ocasião, é importante monitorar a área para verificar se existe ou não lagartas (ex. Spodoptera frugiperda) na cobertura que vai ser dessecada. Caso não tenha a praga ou esta exista em baixa população, não há necessidade de se aplicar inseticida, visando preservar os IN que estão se estabelecendo no ambiente.

Cabe ressaltar que, se a dessecação for realizada com antecedência de, pelo menos 25 dias da semeadura da soja, mesmo tendo lagartas na área, também não se recomenda aplicar o inseticida junto com o herbicida, pois o inseto irá transformar-se em pupa ou morrer por inanição, dependendo do estádio de desenvolvimento que se encontrar.

Após a emergência da soja, deve-se estabelecer um monitoramento periódico de desfolhadores na lavoura amostrando-se as plantas, pelo menos, duas vezes por semana, visando acompanhar o desenvolvimento das pragas, observando principalmente o nível de desfolha na cultura. Caso a desfolha esteja abaixo de 30% na fase vegetativa, não se recomenda fazer o controle de desfolhadores, pois a primeira geração de lagartas se completará e a soja irá se recuperar produzindo novas folhas e ramos, dando assim uma chance para o desenvolvimento dos IN na cultura.

Desse modo, a meta é retardar, o máximo possível, a primeira pulverização de inseticida na lavoura, tentando conduzir a cultura até o início do fechamento das ruas, sem a aplicação dos produtos químicos. Nunca se deve aplicar inseticidas piretroides na dessecação ou antes do fechamento da soja, pois esse grupo de produtos são geralmente não seletivos e, dessa forma, matam todos os inimigos naturais que estão se estabelecendo na cultura. Os problemas decorrentes dessa atitude acarretarão em prejuízos econômicos e ecológicos, uma vez que provocará desequilíbrio biológico no agroecossistema.

Durante a fase de fechamento da soja, sugere-se aplicar, quando necessário para o controle de lagartas, produtos fisiológicos, biológicos (baculovírus) ou tradicionais de choque, porém seletivos para aos inimigos naturais, informações estas que estão disponíveis nos Sistemas de Produção de Soja da Embrapa (www.embrapa.br/soja). Com isso, o inseticida fica retido na saia da soja, ambiente em que lagartas como a falsa-medideira estão geralmente presentes.

Caso o produtor coloque em prática essas medidas, o equilíbrio biológico no agroecossistema de soja será estabelecido e os problemas com as pragas principais e secundárias da soja, com certeza, serão também menores. Com isso, a incidência de percevejos fitófagos e de outras pragas, que ocorrem na fase reprodutiva da cultura será também reduzida podendo, às vezes, não atingirem os níveis populacionais para o seu controle. Como consequência, é possível aumentar o equilíbrio biológico no agroecossistema, reduzir o número de aplicações de inseticidas nas lavouras de soja, bem como o custo de produção do produtor e a contaminação ambiental.

Fonte: Embrapa

REFERÊNCIAS E LINKS RELACIONADOS

Manejo Integrado de Pragas (MIP) na cultura da soja, Glycine max: viabilidade econômica e benefícios ambientais

 

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