Exportações do agronegócio iniciam 2023 com crescimento moderado

economia PIB rural

Seja bem-vindo(a) a Newsletter da Agro Insight, um espaço de artigos autorais e curadoria sobre tecnologias, sustentabilidade e gestão para o agro.

Se você ainda não é assinante, junte-se a mais de 8 mil profissionais do Agro, consultores e produtores rurais que recebem gratuitamente conteúdos de qualidade selecionados toda semana, adicionando o seu e-mail abaixo:

(Curadoria Agro Insight)

Hoje a curadoria Agro Insight compartilha o relatório do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada) sobre as exportações do Agro no primeiro semestre de 2023.

Depois de apresentar dois anos de forte crescimento, o faturamento proveniente das exportações de produtos do agronegócio brasileiro iniciou 2023 novamente em alta, mas em ritmo menos intenso. De janeiro a abril de 2023, o faturamento externo em dólares somou US$ 51 bilhões, 4,3% acima do registrado no mes- mo período do ano anterior. Esse avanço mais limitado esteve atrelado à queda dos preços em dólar, de 5%, também no primeiro quadrimestre deste ano em relação a janeiro a abril de 2022. Na mesma comparação, contudo, a quantidade escoada ao mercado externo cresceu 9,8%. Desde meados de 2022, os preços dos alimentos têm revertido a tendência de alta, segundo dados divulgados pelas Nações Unidas (FAO).

A redução dos preços médios de alimentos e energia no mercado internacional se deve tanto ao arrefecimento na taxa de crescimento da demanda internacional em 2023 como pelo avanço da produção mundial. Os preços elevados observados em 2021 e 2022 estimularam o investimento na produção dessas commodities nos principais países produtores, como o Brasil, que deve ter um crescimento próximo a 15% da sua produção de grãos no ciclo produtivo de 2022/23 frente ao anterior, conforme estimativas da Conab (Conab2). A redução dos preços dos grãos e das commodities minerais também deve ajudar a segurar os custos de produção nos próximos meses. Este ano, novamente, o milho se destaca como produto com maior aumento de ven- das (em volume) ao exterior no quadrimestre, com alta de 144%. Em seguida vêm o etanol (+73,9%), o óleo de soja (+26,1), a carne suína (+16,4%), a carne de frango (+13,4%), celu- lose (+9,8%), soja em grãos (+3,3%), açúcar (+2,5%) e farelo de soja (+1,1%). Em termos de preço em dólar, tiveram aumento o açúcar (+16,9%), as frutas (+12,6%), o farelo de soja (+12,6%), a carne suína (+12,1%), o milho (+11,2%), papel (+14,9%), celulose (+8,4%) e a soja em grão (+1,3%). Todos os outros produtos pesquisados apresentaram quedas, com destaque para o óleo de soja, com redução superior a 20% em seu preço em dólar. A moeda nacional sofreu leve desvalorização em relação ao dólar em termos reais, pois, descontando-se a inflação brasileira (medida pelo Índice Geral de Preços Disponibilidade Interna, IGP-DI) do valor do câmbio médio do quadrimestre (R$/US$), houve variação positiva de 0,4%. Com isso, houve pouco efeito do câmbio sobre o resultado em Reais, prevalecendo, assim, a desvalorização dos preços em dólar sobre o valor do preço internalizado em Reais (descontando-se a inflação nacional). Desse modo, o faturamento médio real em moeda nacional cresceu 4,9% no primeiro quadrimestre de 2023 frente ao de 2022.

Desse modo, a pesquisa do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP, com base em dados do Ministério da Economia (ME), Secretaria de Comércio Exterior – sistema Comexstat –, mostra que o desempenho favorável das exportações agrícolas neste início de ano se deveu ao au- mento dos embarques, principalmente do milho, dos produtos do complexo da soja, carnes (suína e de frango), celulose, açúcar e etanol. A taxa real de câmbio doméstica foi pratica- mente neutra, contribuindo para que o fatura- mento real do setor em moeda nacional supe- rasse levemente o seu faturamento em dólar.

PRINCIPAIS SETORES E PRODUTOS

Complexo da soja e milho

O complexo da soja é o setor com maior participação nas vendas externas do agronegócio brasileiro e manteve sua importância também neste primeiro quadrimestre do ano. Neste início de 2023, os produtos do setor geraram receita no valor de quase US$ 23 bilhões para seus exportadores, o que representou aproximadamente 45% de todo valor gerado com as vendas externas do agronegócio. Para esse segmento, a China é o principal cliente e o grão de soja, o principal produto, uma vez que o país asiático adquiriu 72% do grão escoado pelo Brasil (em termos de valor). A Índia se manteve como principal destino do óleo de soja neste período, com participação de 48% no valor gerado com as exportações. Já o farelo de soja é um produto que atende a uma diversidade maior de mercados, sendo a Indonésia, Alemanha, Países Baixos e Vietnã foram os principais compradores em 2023. O bom desempenho desse setor se deve ao crescimento da produção brasileira, que atingiu novo recorde no ciclo 2022/23, diante do aumento de mais de 20% na produção (Conab). Com tamanha disponibilidade de produto, os exportadores projetam vender ao exterior algo em torno de 95 milhões de toneladas ao longo deste ano. As exportações de milho têm aumentado nos últimos anos, e uma parcela cada vez maior da produção doméstica tem se destinado ao mercado internacional. Em 2023 (até abril), o produto gerou quase US$ 3 bilhões de receita aos exportadores brasileiros, expressivo aumento de 171% em relação ao valor obtido no mesmo quadrimestre de 2022. Esse resultado foi possível devido à recuperação da produção doméstica, que também deve ser recorde em 2023. Com isso, a quantidade exportada nesse período cresceu 144% e o preço em dólar, 11%. Assim, com produção em alta, o País tem conseguido atender à demanda doméstica e intensificar aumentar as vendas externas, principalmente para Irã, Japão, Coreia do Sul, China e Vietnã.

Carnes e frutas

O setor da pecuária, considerando-se as carnes bovina, suína e de frango, ficou em segundo lugar em termos de participação na pauta de exportações do agronegócio, com 14,4% do faturamento em dólar obtido em 2023, ou aproximadamente US$ 7,3 bilhões. A China novamente aparece como a grande compradora de carne bovina in natura, com participação de 52,5% no valor em dólar gerado com as exportações desse produto; 41% no caso da carne suína e 18,8% da carne de frango. Apesar do caso atípico da doença da “vaca louca” que provocou a suspensão dos embarques para a China – que durou aproximadamente trinta dias –, o país asiático ainda foi responsável por mais da metade do valor gerado com as exportações de carne bovina neste início de ano. Houve queda de 22% no volume adquirido pela China, mas, com o aumento das aquisições de outros países, como Arábia Saudita, Reino Unido e Países Baixos, a redução da quantidade exportada no quadrimestre ficou em 16%. A diminuição nos preços em dólar também ficou em 16%. Para os produtores de carne de frango, a grande preo- cupação neste ano são os casos de gripe aviária, que já acometeram as aves silvestres no litoral do País, mas ainda não houve nenhum caso que tenha acometido a produção comercial. Até abril, as vendas externas da carne de frango têm apresentado resultado positivo, com 13,5% de aumento no quantum exportado e de 6% nos preços em dólar, com o mercado árabe se mantando como destino muito importante, cujos principais compradores têm sido os Emirados Árabes Unidos (8%) e a Arábia Saudita (8%). Já os produtores exportadores de carne suína também têm tido um início de ano favorável, com crescimento de 16% na quantidade vendida ao exterior a preços 12% acima do valor médio recebido no primeiro quadrimestre de 2022. Além da China, que foi responsável por mais de 41% do valor em dólar obtido com as vendas externas pelos exportadores de carne suína, outros parceiros importantes desse segmento foram Hong Kong, com 11% de participação; Chile (7,2%), Cingapura (7%) e Japão (4%). No caso das frutas, incluindo-se nozes e castanhas, os mercados norte-americano e europeu são os principais destinos; na Europa, os principais compradores têm sido Países Baixos, Reino Unido e Espanha.

Setor florestal e algodão

O setor florestal tem incrementado suas exportações nos últimos anos e ficou em terceiro lugar, com participação de 10% no valor dos embarques do agronegócio, e geração de receita de aproximadamente US$ 5 bilhões no quadrimestre. Os principais produtos do setor são a madeira, que tem como destino principalmente os Estados Unidos, que adquiriu 39% do produto exportado pelo Brasil nesse período; a celulose, que tem como destino principalmente a China (42%); e papel que tem os vizinhos sul-americanos, Argentina e Chile, como importantes parceiros comerciais.

No caso do algodão, a pluma já teve a China como destino relevante, mas, nos últimos anos, à medida que a produção manufatureira se espalha por outros países asiáticos e em suas proximidades, a participação chinesa nas vendas externas totais dos exportadores brasileiros tem se reduzido – no primeiro quadrimestre de 2023, ficou em 12%. Enquanto isso, parceiros, como Bangladesh, Turquia, Paquistão e Vietnã, têm intensificado as compras do produto brasileiro.

Setor sucroalcooleiro

Na quinta posição em relação à participação no valor das exportações agrícolas totais brasileiras – com 6,5% – e vendas que superaram os US$ 6,5 bilhões está o setor sucroalcooleiro. No caso do açúcar, há uma boa diversidade em termos de parceiros comerciais, com a Argélia liderando as compras. Já caso do etanol, Coreia do Sul, Países Baixos e Estados Unidos são os grandes compradores. Esse setor também conseguiu bom desempenho no quadrimestre, frente ao mesmo período ao ano anterior, com alta de 26% no faturamento em dólar obtido com venda de seus produtos ao exterior.

Café e suco de laranja

A participação do setor cafeeiro no faturamento das vendas externas do agronegócio brasileiro caiu um pouco neste início de 2023, e ficou próxima a 5%, com valor em dólar de US$ 2,5bilhões, queda de 24% em relação ao valor obtido no mesmo período de 2022. Isso se explica pelas quedas de 21% na quantidade exportada e de 4% nos preços em dólar – como principais destinos mantêm-se Estados Unidos e Alemanha. No caso do suco de laranja, os Estados Unidos e os países europeus, principalmente Países Baixos e Bélgica, se mantêm como maiores compradores. O início de ano foi positivo para o setor, com alta de 21% na quantidade embarcada e quase 8% nos preços em dólar recebidos pelos exportadores.

CONSIDERAÇÕES

No primeiro quadrimestre de 2023, exportadores brasileiros do agronegócio mais uma vez conseguiram superar o desempenho obtido no mesmo período do ano anterior. Nesse período, o valor do faturamento em dólar do setor cresceu 4,3%, sendo puxado pelo crescimento do quantum de 9,8%, pois os preços em dólar dos produtos da pauta de exportações apresentaram queda, de 5%. Os produtos que mais contribuíram para esse resultado positivo foram o milho, o etanol, o óleo de soja, a carne suína, carne de frango, a celulose, a soja em grãos, o açúcar e o farelo de soja. Apesar do ambiente interno ainda agitado, tendo em vista a mudança dos gestores políticos, a moeda nacional sofreu alguma volatilidade ao longo do quadrimestre, mas, em termos reais, o resultado da média do período foi uma variação positiva de apenas 0,4%, o que, somado à alta no faturamento em dólar, contribuiu para que o faturamento em Reais crescesse 4,9%. A China se mantém como principal parceira comercial, e a Europa é o segundo maior destino. O complexo da soja apresentou a surpreendente participação de 45% no faturamento externo do agronegócio neste início de ano – a suspensão das vendas de carne bovina, devido ao caso atípico da doença “vaca louca”, influenciou o resultado da participação do com- plexo soja. Apesar da suspensão – por um mês – dos envios à China, a carne bovina se mantém na segunda posição em termos de valor exportado, com participação de 14,3% no primeiro quadrimestre. Na sequência vem o setor flores- tal, que teve participação de 10% no período.

Conforme o esperado, a redução na taxa de crescimento das economias ao redor do mundo tem contribuído para menor pressão de demanda sobre os preços das commodities, enquanto pelo lado da oferta, os altos preços praticados em 2021 e 2022 motivaram o incremento da produção em importantes países. No Brasil, confirma-se o avanço superior a 14% na safra de grãos, sendo que a produção de soja cresceu acima de 20% no ciclo 2022/23. No entanto, as preocupações de ordem sanitária e fitossanitária seguem na agenda dos produtores, principalmente devido ao surgimento de casos de influenza aviária em aves silvestres encontradas no litoral do País. Quanto ao câmbio, a expectativa dos agentes do mercado financeiro é de que se mantenha próximo a R$ 5 neste ano, podendo se manter abaixo desse patamar caso o programa de controle da dívida pública seja eficiente. Além disso, a inflação deve se manter mais comportada, por conta da esperada estabilidade do dólar e do arrefecimento dos preços das matérias-primas. Ao setor agroexportador, após ser agraciado por uma produção recorde, resta esperar que os preços no mercado internacional não sejam demasiadamente depreciados para que possam superar o valor do faturamento externo obtido em 2022.

BIBLIOGRAFIA E LINKS RELACIONADOS

EXPORT/Cepea: Faturamento com exportações do agro têm avanço moderado no início de 2023. Junho de 2023.00

Site fao.org/worldfoodsituation/foodpricesindex/en

Site conab.gov.br/ultimas-noticias/4997

Se inscreva na nossa Newsletter gratuita

Espaço para parceiros do Agro aqui

Tags: Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), Exportação, lucro, Mercado

Posts Relacionados

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Preencha esse campo
Preencha esse campo
Digite um endereço de e-mail válido.
Você precisa concordar com os termos para prosseguir

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.

maio 2024
D S T Q Q S S
 1234
567891011
12131415161718
19202122232425
262728293031  
LinkedIn
YouTube
Instagram