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Estudo testa porta-enxertos de citros adaptados às condições edafoclimáticas do MT

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(Curadoria Agro Insight)

Histórico dos porta-enertos no Brasil

Histórico dos porta-enxertos de citros no Brasil No início do século XX, os citricultores brasileiros utilizavam, predominantemente, a laranjeira ‘Caipira’ como porta-enxerto, tendo enfrentado enormes perdas em decorrência da suscetibilidade à gomose de Phytophthora spp. e da baixa resistência à seca. Estes fatores levaram os produtores a substituir esse porta-enxerto pela laranja ‘Azeda’ (C. aurantium L.).

Na década de 40, nove das 12 milhões de plantas cítricas existentes no Brasil, enxertadas sobre laranjeira ‘Azeda’, morreram em função do vírus da tristeza, que uma vez introduzido, em 1937, foi rapidamente disseminado pelo pulgão preto (Toxoptera citricidus). Em seguida, o limoeiro ‘Cravo’, por suas características excepcionais relacionadas à facilidade de produção de mudas, compatibilidade com todas as cultivares copa disponíveis na época, resistência à seca e tolerância à tristeza, passou a ser o principal porta-enxerto utilizado no País, chegando a compor 99% dos plantios realizados em alguns anos (POMPEU JUNIOR, 1991).

A partir da década de 70, surgiu o declínio, que passou a dizimar, anualmente, milhões de plantas de citros enxertadas sobre limoeiro ‘Cravo’, o que provocou uma pequena diversificação com os porta-enxertos tangerineira ‘Cleópatra’ e limoeiro ‘Volkameriano’.

Em 2001, com a morte súbita dos citros, houve a perda de milhões de plantas de citros enxertadas sobre limoeiro ‘Cravo’, havendo novo impulso na diversificação dos porta-enxertos, principalmente com tangerineira ‘Cleópatra’, citrumeleiro ‘Swingle’ e tangerineira ‘Sunki’.

Em 2003, constatou-se nos viveiros do Estado de São Paulo, a adoção de 40% do limoeiro ‘Cravo’, 33% da tangerineira ‘Cleópatra’, 14% do citrumeleiro ‘Swingle’, 7% da tangerineira ‘Sunki’, 3% do limoeiro ‘Volkameriano’, 3% do trifoliata e menos de 1% dos porta-enxertos laranjeira ‘Caipira’, citrangeiro ‘Carrizo’ e tangeleiro ‘Orlando’.

Atualmente, constata-se a manutenção da tendência de diversificação dos porta-enxertos de citros no Brasil.

Principais variedades de porta-enxerto

Testes com porta-enxertos viabilizam limão tahiti resistente à gomose em Mato Grosso

O potencial do estado de Mato Grosso para a produção de alimentos esbarra, para algumas culturas, na falta de informação e de tecnologias apropriadas para as condições locais. Para a citricultura, a falta de porta-enxertos resistentes à doença fúngica gomose era um limitante. Mas, essa realidade começa a mudar com uma pesquisa coordenada pela Embrapa, em parceria com o Instituto Federal de Mato Grosso (IFMT), a Empresa Mato-Grossense de Pesquisa, Assistência e Extensão Rural (Empaer) e a Prefeitura de Guarantã do Norte.

A primeira fruta a ter resultados mais consistentes é a lima ácida tahiti, conhecida pelos consumidores como limão tahiti. Dois experimentos realizados em Sorriso (MT) e Guarantã do Norte (MT) confirmaram que as características da copa são determinadas pelo porta-enxerto, porém, os frutos não sofreram influência. Os ensaios geraram informações relevantes sobre porta-enxertos que proporcionam maior vigor vegetativo e volume de copa. Já a avaliação dos frutos mostrou que eles possuem as características desejadas pela indústria e pelo mercado internacional, possibilitando não só o atendimento ao mercado local, como também a exportação.

Os experimentos foram instalados em 2016, nos campi do IFMT nos dois municípios: em Sorriso, no bioma Cerrado, e em Guarantã do Norte, no bioma Amazônia. Ao todo, foram testados 14 porta-enxertos entre opções comerciais e novos híbridos não comerciais desenvolvidos pela Embrapa Mandioca e Fruticultura (BA). Eles foram comparados com o limoeiro cravo, porta-enxerto mais utilizado na cultura, mas que apresenta alta suscetibilidade à gomose de Phytophthora.

De acordo com as avaliações, os porta-enxertos comerciais citrumelo “Swingle” e os citrandarins “Índio” e “San Diego” induziram os maiores volumes de copa e índice de vigor vegetativo. Já os porta-enxertos TSKC x (LCR x TR) – 059 (BRS Bravo), em Sorriso, e LRF x (LCR x TR) – 005, em Guarantã do Norte, induziram as menores alturas às copas da limeira-ácida.

“Buscamos os materiais que vão alcançar maior produtividade. No caso, serão aqueles que têm uma copa maior. Porém, alturas menores facilitam todo o manejo e trato cultural. O que a gente almeja é um porta-enxerto que, mesmo desenvolvendo um porte menor, tenha uma produtividade maior”, explica o pesquisador Givanildo Roncatto, da Embrapa Agrossilvipastoril.

As avaliações são feitas a cada seis meses, quando são mensurados a altura da planta, o diâmetro de tronco do porta-enxerto, o diâmetro do tronco do enxerto, a relação de incompatibilidade entre porta-enxerto e enxerto, o diâmetro e volume de copa e o índice de vigor vegetativo. A expectativa é que as medições continuem até que as plantas completem dez anos.

Seis anos após o plantio, somente o porta-enxerto testemunha apresentou sintomas de gomose. Porém, Roncatto diz que é preciso ter cautela e que a observação continue para ter certeza de que nenhum deles será suscetível à doença.

Segundo ele, é possível que, ao fim da pesquisa, não seja indicado apenas um, mas quatro ou cinco porta-enxertos com recomendação para uso na região. Esse resultado ampliará as possibilidades para produtores locais, sobretudo considerando que Mato Grosso não tem ocorrência de outras doenças de grande relevância na citricultura, como Citrus Greening, ou Huanglongbing (HLB).

Fonte: Embrapa

Frutos

Para garantir que os frutos produzidos atinjam os parâmetros de qualidade de interesse para o mercado, a pesquisa avaliou as limas ácidas tahiti produzidas nos dois experimentos. A partir do quarto ano de plantio, quando começou a produção, foram levantadas informações sobre comprimento, diâmetro e massa dos frutos; rendimento de suco, teor de sólidos solúveis totais, acidez total titulável e vitamina C.

No experimento de Guarantã do Norte não foi observada diferença entre os frutos produzidos sob diferentes porta-enxertos. Com diâmetro médio de 59,48 milímetros (mm), os frutos colhidos na safra 2020 estariam classificados como grandes nas Normas de Classificação da Ceagesp, uma vez que estão acima de 56 mm. O peso médio de 116 gramas (g) também é superior às 100 g preferidas pelo mercado. Outro aspecto de destaque dos frutos produzidos naquele município foi o teor de rendimento de suco, com 48,09% de média, superior aos 35% exigidos para consumo in natura e aos 40% exigidos pela indústria.

Já em Sorriso, houve diferença estatística nos frutos produzidos sob os diferentes porta-enxertos, podendo separá-los em dois grupos. Um, estatisticamente igual à testemunha e outro com características um pouco inferiores. Entretanto, os dois grupos apresentaram diâmetro e peso dentro das características desejadas pelo mercado. Em relação à massa, o grupo que não diferiu da testemunha pesou em média 115,65 g e o outro pesou em média 102,48 g. Já o diâmetro médio dos frutos foi de 58,33 mm, com variação entre 55,05 mm e 60,55 mm. O rendimento de suco apresentou média de 39,14%, abaixo dos 40% demandados pela indústria.

“Em pesquisas como essa, o mais importante é verificar que as características dos frutos não tiveram interferência dos porta-enxertos. De maneira geral, os frutos produzidos em Guarantã do Norte e em Sorriso atendem às demandas do mercado nacional em termos de coloração, tamanho e quantidade de suco”, explica a pesquisadora da Embrapa Sílvia Campos.

Limão tahiti em Mato Grosso

Embora seja uma potência agrícola e líder nacional na produção de grãos e carne, Mato Grosso é insuficiente na produção de hortaliças e frutas. No caso dos citros, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o estado produz apenas cinco mil toneladas, em aproximadamente 700 hectares (ha). Dessa área, apenas 341 ha são cultivados com limões e limas-ácidas. A produção não é suficiente para atender ao mercado interno, sendo necessário importar de outros estados brasileiros.

Um dos entraves para a produção de citros é a ausência de porta-enxertos adaptados às condições de clima e solo do estado. O limoeiro cravo, porta-enxerto usado em cerca de 80% dos pomares comerciais, é altamente suscetível à infecção e à disseminação do fungo causador da gomose dos citros, apesar de ser tolerante à seca, desenvolver-se bem em solos arenosos, apresentar tolerância à tristeza dos citros, induzir à precocidade e à alta produtividade e gerar frutos de qualidade.

A viabilização de outras opções de porta-enxertos resistentes à doença, com bom potencial produtivo e com frutos de qualidade, abre possibilidades de produção por agricultores familiares da região Norte do estado.

De acordo com o extensionista Thiago Tombini, da Empaer, o limão tahiti é cultivado na região geralmente em pequenas propriedades, com tamanho de até 5 ha e até 100 plantas. Porém, no município de Sinop há produtor com mais de mil pés, a maior parte já com mudas produzidas pela Empaer com porta-enxertos usados na pesquisa.

A produção atual é toda absorvida pelo mercado local, porém, insuficiente para suprir a demanda de cidades emergentes como Sinop, Sorriso, Lucas do Rio Verde, Nova Mutum e outras regiões do estado. A viabilização de novas rotas de escoamento da produção permite até mesmo se pensar em exportação. O município de Guarantã do Norte, por exemplo, está a 765 km do porto de Miritituba (PA), enquanto a distância até a Ceagesp, em São Paulo, é de 2.200 km.

Porém, para a exportação e atendimento a mercados maiores, será necessária a reunião de pequenos produtores em cooperativas, de forma a organizar a oferta, mantendo a regularidade de fornecimento demandado pelo mercado.

BIBLIOGRAFIA E LINKS RELACIONADOS

Roberto Pedroso de Oliveira… [et al.]. Porta-enxertos para citros. Pelotas: Embrapa Clima Temperado, 2008.

45 p. — (Embrapa Clima Temperado. Documentos, 226).

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Tags: alimentos-seguranca-nutricao-e-saude, Citros, Fruticultura Tropical, limao-tahiti, mnejo-integrado-de-pragas, producao-vegetal, recursos genéticos

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