Encapsulado de agrotóxicos pode manter a eficiência e reduzir a toxicidade ao ambiente

bico de aplicação de produtos em lavoura

Seja bem-vindo(a) a Newsletter da Agro Insight, um espaço de artigos autorais e curadoria sobre tecnologias, sustentabilidade e gestão para o agro.

Se você ainda não é assinante, junte-se a mais de 8 mil profissionais do Agro, consultores e produtores rurais que recebem gratuitamente conteúdos de qualidade selecionados toda semana, adicionando o seu e-mail abaixo:

(Curadoria Agro insight)

A busca pela sustentabilidade é a tendência do Agro do presente e, principalmente, do futuro. Nesse contexto, as instituições de pesquisa avaliam novas alternativas de manejo, especialmente em relação ao uso dos agrotóxicos. Desta forma, na curadoria de hoje, trouxemos uma matéria da Embrapa sobre um estudo inovador que busca amenizar os impactos dos agrotóxicos sobre o ambiente.

Nanoencapsulação pode ser mais segura para espécies não-alvo

Uma equipe de cientistas da Embrapa, Unesp e Unicamp testou a toxicidade de diferentes formulações de pesticidas com ação inseticida.

A equipe constatou que o inseticida encapsulado em um polímero natural apresentou menor toxicidade pois aumentou a concentração necessária do composto para causar a mesma toxicidade em peixes que o princípio ativo (dimetoato) e não afetou o comportamento das larvas. Assim, a nanoformulação contendo dimetoato apresentou potencialidade de auxiliar na segurança ambiental e alimentar devido a sua baixa toxicidade.

Uma vez que existem várias questões toxicológicas em relação aos pesticidas, o aprimoramento de formulações para torná-los mais seguros pode auxiliar na redução de seus efeitos adversos.

De acordo com a pesquisadora da Embrapa Meio Ambiente Vera Castro, nos últimos anos, o uso da nanotecnologia mostrou grande potencial para criar formulações e com isso melhorar a eficácia e a segurança dos pesticidas, além de diminuir os efeitos prejudiciais ao ambiente.

“Fórmulas nanoencapsuladas utilizam uma grande diversidade de nanomateriais, explica o analista José Vallim, da Embrapa Meio Ambiente. Por isso, a nanoencapsulação de pesticidas pode prover cinética de liberação controlada do ingrediente ativo enquanto aumenta eficientemente a sua permeabilidade, estabilidade e solubilidade”.

Conforme Leonardo Fraceto do Instituto de Ciência e Tecnologia da Unesp, formulações que alteram o perfil de liberação de ingredientes ativos prometem muitos benefícios em relação aos produtos convencionais, como a redução de quantidade de ingrediente ativo necessária para uma dada resposta biológica devido ao melhor direcionamento para os organismos alvos e também por diminuição no potencial de perdas por lixiviação e volatilização de ingredientes ativos.

Por outro lado, embora muito se discuta sobre os possíveis benefícios das formulações de nanopesticidas, há a preocupação de avaliar a sua segurança quanto a aplicação agrícola uma vez que assim como para os produtos convencionais, há um risco potencial para os ambientes aquáticos devido a liberação do ingrediente ativo do nanopesticida, e, em consequência, possível toxicidade para organismos não-alvo.

Diante disso, explica Fraceto, para promover estratégias de desenvolvimento de produtos mais seguros e avaliar seus riscos ambientais, é essencial entender seu destino no ambiente e nos organismos. Nesse sentido, os testes de ecotoxicidade são instrumentos utilizados na avaliação de riscos ambientais.

Em um outro estudo analisa duas formulações nanoencapsuladas a base de atrazina (um herbicida seletivo), sendo uma delas usando a zeína, proteína dos grãos de milho que tem capacidade de formar filmes flexíveis biodegradáveis de baixo custo e que apresenta boas propriedades para preparo de nanopartículas.

Com a nanoatrazina, foram conduzidos testes de toxicidade em vários organismos de diferentes níveis tróficos. Os testes de ecotoxicidade também foram realizados com a adição de matéria orgânica que é amplamente encontrada no ambiente, incluindo o aquático. O uso da matéria orgânica visa tornar as condições do teste as mais próximas possível das condições ambientalmente relevantes, fato que corrobora com que os nanopesticidas possam ser comercialmente utilizados com segurança. Os resultados estão sendo analisados e devem ser divulgados em breve.

O trabalho publicado é de autoria de José Henrique Vallim, Zaira Clemente, Rodrigo Castanha da Embrapa Meio Ambiente, Anderson Pereira e Estefânia Campos da Unesp, Márcia Assalin da Embrapa Meio Ambiente, Cláudia Maurer-Morell da Unicamp, Leonardo Fraceto da Unesp e Vera Castro pode ser acessado clicando aqui.

BIBLIOGRAFIA E LINKS RELACIONADOS

Embrapa/Notícias – Pesticida encapsulado reduz toxicidade em larvas de peixe-zebra. Nanotechnology, Outubro de 2022.

José Henrique Vallim, Zaira Clemente, Rodrigo Fernandes Castanha, Anderson do Espírito Santo Pereira, Estefânia Vangelie Ramos Campos, Márcia Regina Assalin, Cláudia Vianna Maurer-Morelli, Leonardo Fernandes Fraceto, Vera Lúcia Scherholz Salgado de Castro. Chitosan nanoparticles containing the insecticide dimethoate: A new approach in the reduction of harmful ecotoxicological effects, NanoImpact, v.27, 2022.

Se inscreva na nossa Newsletter gratuita

Espaço para parceiros do Agro aqui

Tags: sustentabilidade, toxicidade

Posts Relacionados

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Preencha esse campo
Preencha esse campo
Digite um endereço de e-mail válido.
Você precisa concordar com os termos para prosseguir

fevereiro 2024
D S T Q Q S S
 123
45678910
11121314151617
18192021222324
2526272829  
LinkedIn
YouTube
Instagram