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Economia verde

(Curadoria Agro Insight)

Na curadoria de hoje, trouxemos um texto da plataforma Visão de Futuro do Agro Brasileiro, sobre a economia verde e o seu papel no processo de busca da sustentabilidade do Agro.

O crescimento populacional e da renda média mundial tem efeito positivo sobre a demanda de bens e serviços, que, por sua vez, é frequentemente atendida com base em recursos naturais, especialmente terra e água. Em todo o mundo, essas tendências estão forçando um número crescente de ecossistemas para além de suas capacidades. Nesse contexto, a economia verde3 se apresenta como um modelo para reverter essas tendências, alterando políticas e incentivos, de modo a apoiar o crescimento, a igualdade social e o bem-estar por meio da conservação e do uso sustentável dos recursos naturais e do controle vigilante da poluição (International Institute for Sustainable Development, 2014).

Cabe ressaltar, entretanto, que o conceito de uma economia verde não substitui o de desenvolvimento sustentável. O que se observa é um crescente reconhecimento de que o alcance da sustentabilidade depende amplamente da condução correta da economia (United Nations Environnment Programme, 2011). Cada vez mais, as tendências globais na direção do desenvolvimento sustentável são representadas pelos conceitos de economia verde ou de crescimento verde (Dogaru, 2021).

A emergência da economia verde ocorre em grande sintonia com as mudanças impostas por uma sociedade mais urbana, bem informada e exigente, que vem alterando com rapidez seus padrões de consumo, forçando ajustes nos padrões de produção. Ao olhar para o futuro, a economia verde aparece como resposta relevante a ameaças e desafios globais, como o enfrentamento da emergência climática e a recuperação pós-pandemia da covid-19, ao mesmo tempo em que é indicada como caminho possível para aproveitamento de oportunidades.

Por sua vez, é possível uma ruptura no sistema socioeconômico mundial se não houver transição ou adaptação para a economia verde (Dubeux; Campos, 2020). Na mesma direção, a não adoção de práticas circulares possivelmente resultará na exclusão de vários players do mercado mundial, principalmente a partir das exigências de atores importantes como a UE (estratégia Green Deal). Setores que dependam fortemente de subsídios (como alguns ligados ao agronegócio) poderiam perder espaço na economia circular. O mesmo estudo identificou oportunidades relevantes, entre as quais se destacam o acesso a financiamento de projetos e iniciativas de PD&I que sigam os princípios da economia circular e da economia verde; e as oportunidades de negócios entre Brasil e UE, caso o Brasil consiga fomentar práticas circulares e sustentáveis.

Apesar de os desafios e as oportunidades sinalizarem para a importância da economia verde, a transição para esse sistema é um processo de médio e longo prazo, que envolve comprometimento político dos Estados para uma mudança de modelo de desenvolvimento econômico. Esse processo envolve iniciativas relacionadas ao envolvimento público na implementação de uma abordagem verde nas políticas nacionais (tais como energia renovável, tecnologias e processos com baixa emissão de carbono, prédios eficientes em energia), a promoção de pegadas ambientais e o desenvolvimento de serviços bancários e investimentos verdes (Dogaru, 2021). Portanto, uma economia verde será diferente para cada país, dependendo das medidas adotadas com base em suas prioridades nacionais e seus ativos naturais (International Institute for Sustainable Development, 2014).

A agricultura brasileira já está inserida na economia verde, com exemplos de sucesso, como a utilização de biomassa para produção de energia renovável e a intensificação sustentável do uso da terra – com sistemas integrados (ILP e ILPF), fixação biológica de nitrogênio e controle biológico de pragas. Apesar de tais avanços, o Brasil precisará se preparar para novos desafios, já que a agricultura em todo o mundo será pressionada a incorporar métricas de sustentabilidade, como a Avaliação do Ciclo de Vida (ACV), processo de gestão de desempenho ambiental que avalia desde a extração de recursos até o descarte final dos resíduos. Sua incorporação irá redefinir competitividade, premiando processos que racionalizem o uso de recursos valiosos, como a água, e reduzam ou eliminem emissões de gases de efeito estufa (GEE) e de resíduos.

A transição para uma economia mais verde irá depender da identificação de novas competências necessárias e demandar novas métricas para medir progresso, além do PIB. A reflexão sobre o tipo de crescimento econômico desejável e o que realmente importa para o bem-estar humano em um mundo de recursos finitos deverá direcionar e dimensionar os esforços na direção da economia verde (European Comission, 2020).

A expectativa de entrada no Brasil na Organisation for Economic Co-operation and Development (OECD) implicará maior comprometimento, metas mais ambiciosas nos acordos internacionais e maior desenvolvimento da economia verde no País. Essa entrada também vai demandar monitoramento dos indicadores de crescimento verde (green growth indicators da OECD) e definição de áreas prioritárias de atuação. Um componente-chave é a inovação que pode gerar novas fontes de crescimento e diminuir os custos para atender as exigências ambientais.

Também com potencial de alavancar a economia verde no Brasil, merece destaque uma série de iniciativas do Mapa (Brasil, 2022). São ações que visam fomentar investimentos verdes no setor agropecuário do País, contribuindo para desenvolver o mercado de green bonds (títulos verdes): títulos emitidos para a captação de recursos voltados a investimentos em projetos sustentáveis e emitidos no âmbito dos padrões ASG (ambiental, social e governança).

BIBLIOGRAFIA E LINKS RELACIONADOS

BRASIL. Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Finanças Verdes. Disponível em: https://www.gov.br/agricultura/pt-br/assuntos/politica-agricola/financas-verdes. Acesso em: 11 abr. 2022.

D´AMATO, D.; DROSTE, N.; ALLEN, B.; KETTUNEM, M.; LÃHTINEN, K.; KORHONEN, J.; LESKINEN, P.; MATHIES, B. D.; TOPPINEM, A. Green, circular, bio economy: A comparative analysis of sustainability avenues. Journal of Cleaner Production, v. 168, p. 716-734, Dec. 2017. DOI: 10.1016/j.jclepro.2017.09.053.

D´AMATO, D.; KORHONEN, J. Integrating the green economy, circular economy and bioeconomy in a strategic sustainability framework. Ecological Economics, v. 188, Oct. 2021. DOI: 10.1016/j.ecolecon.2021.107143.

DOGARU, L. Green economy and green growth—Opportunities for sustainable development. Multidisciplinary Digital Publishing Institute Proceedings, v. 63, n. 1, p. 70, Jan. 2021. DOI: 10.3390/proceedings2020063070.

DUBEUX, C. B. S.; CAMPOS, M. C. Economia circular: os desafios do Brasil. [Rio de Janeiro]: Cebri, 2020. 66 p. Disponível em: http://midias.cebri.org/arquivo/Relatorio_CEBRI-Michelin_14dez.pdf Acesso em: 8 abr. 2022.

EUROPEAN COMISSION. 2020 Strategic Foresight Report: Charting the Course towards a more resilient Europe. Brussels, 2020. 41 p. Disponível em: https://ec.europa.eu/info/sites/default/files/strategic_foresight_report_2020_1.pdf. Acesso em: 5 abr. 2020.

INTERNATIONAL INSTITUTE FOR SUSTAINABLE DEVELOPMENT. Trade and Green Economy. 3rd ed. Geneva, 2014. Disponível em: https://www.iisd.org/system/files/publications/trade-green-economy-handbook-third-edition-en.pdf. Acesso em: 5 abr. 2022.

UNITED NATIONS ENVIRONNMENT PROGRAMME. Advancing an Inclusive Green Economy: Rationale and Context-Definitions for Green Economy. 2012. Disponível em: https://unitar.org/sites/default/files/uploads/egp/Section1/PDFs/1.3%20Definitions%20for%20Green%20Economy.pdf. Acesso em: 5 abr. 2022.

UNITED NATIONS ENVIRONNMENT PROGRAMME. Towards a Green Economy: Pathways to Sustainable Development and Poverty Eradication. 2011. Disponível em: www.unep.org/greeneconomy. Acesso em: 5 abr. 2022.

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