Desfolhantes/maturadores, para planejar e melhorar o desempenho da colheita do algodão

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(Curadoria Agro Insight)

O algodoeiro é uma espécie perene, com hábito de crescimento indeterminado; por ocasião da colheita, a planta ainda possui grande quantidade de folhas e de estruturas reprodutivas (botões florais, flores e frutos) que depreciam a qualidade da fibra.

As estruturas reprodutivas produzidas no final do ciclo não resultam em incremento de produção visto que, normalmente, não são colhidas, servindo apenas de alimento, local de oviposição e abrigo, principalmente para a lagarta-rosada (Pectinophora gossypiella, Saund., 1844) e para o bicudo do algodoeiro (Anthonomus grandis, Boheman, 1843). Desta forma, torna-se imprescindível, em algumas situações, a aplicação de desfolhantes e/ou maturadores, utilizados com a finalidade de planejar e melhorar o desempenho da colheita manual ou mecânica, reduzir a umidade das fibras e das sementes no campo e proporcionar a obtenção de um produto mais limpo, reduzindo os custos do beneficiamento. Os desfolhantes e maturadores, cujos princípios ativos atualmente mais utilizados são o tidiazuron e o etefom, respectivamente, atuam no balanço hormonal das plantas.

Com a aplicação de tidiazuron, verifica-se redução da concentração e transporte endógeno do inibidor da abscisão, o ácido indol acético (AIA), resultando em aumento substancial na produção de etileno, hormônio responsável pela formação da camada de abscisão. Em geral se constata, após a aplicação do tidiazuron, declínio da concentração de auxina, com conseqüente formação da camada de abscisão.

O etefom (ácido-2-cloro-etil-fosfônico) é uma substância liberadora de etileno, que inibe a biossíntese e, subseqüentemente, a movimentação de auxinas, acelerando a maturação dos frutos e a formação da zona de abscisão, promovendo a desfolha. A precocidade e uniformidade de abertura dos frutos são aumentadas significativamente com a aplicação de etefom.

Dentre os fatores ambientais, a temperatura é o que mais influencia a ação desses produtos. A eficiência dos desfolhantes e maturadores é sensivelmente reduzida quando a temperatura média é inferior a 20 ºC, situação em que não se recomenda a sua aplicação. A faixa ótima de temperatura se situa entre 22 a 30 ºC, enquanto a dose a ser utilizada é função, dentre outros fatores, da temperatura, podendo ser menor quanto maior esta for, dentro do limite ótimo.

Em geral, os desfolhantes devem ser aplicados quando 60 a 70% dos frutos (capulhos) estiverem abertos. Dependendo das condições climáticas, a desfolha ocorre entre sete a quinze dias após a aplicação do produto; em plantas sob efeito de estresse, especialmente o hídrico, a desfolha é bem mais lenta e reduzida que a verificada em plantas com atividade metabólica normal. A aplicação de desfolhantes, quando menos de 60% dos frutos estão abertos, provoca redução significativa na produção e efeitos negativos sobre as características tecnológicas da fibra, especialmente sobre micronaire.

Em função da dificuldade em se quantificar a porcentagem de frutos abertos (capulhos), recomendase que o desfolhante seja aplicado quando, acima do capulho localizado na posição mais alta da planta, existirem de quatro a seis maçãs com probabilidade de se transformarem em capulho.

Com a aplicação de desfolhantes a colheita pode ser antecipada, pois a desfolha provocada pelo produto facilita a penetração dos raios solares no interior do dossel das plantas e favorece a abertura dos frutos; além disso, ela auxilia o controle de pragas e a obtenção de produto mais limpo, a colheita é facilitada e o seu rendimento melhor. Sete a quinze dias após a aplicação do desfolhante é notória intensa desfolha, o que deixa os capulhos totalmente expostos à ação de chuvas, poeira etc; desta forma, plantas que foram desfolhadas devem ser colhidas imediatamente; no caso de grandes áreas, recomenda-se fazer a aplicação do desfolhante, quando necessário, de forma escalonada, observando-se a capacidade de colheita, como o número de máquinas e a sua capacidade.

Produtos utilizados como desfolhantes
  • Tidiazuron + diuron – 120 + 60 g L-1 – dose recomendada é de 48 a 60 g ha-1 de tidiazuron + 24 a 30 g ha-1 de diuron. O produto deve ser aplicado quando mais de 60% dos frutos estiverem abertos (capulhos) e/ou, acima do capulho localizado na posição mais alta da planta, apresentar de quatro a seis maçãs viáveis.
  • Carfentrazone-ethyl (triazolona) – 400 g L-1 – dose recomendada – 40 a 60 g ha-1 + 1% v.v, de óleo mineral. Na dose de 60 g ha-1, o efeito do carfentrazone-ethyl é de dessecante. O produto, de acordo com o fabricante, deve ser aplicado quando 90% dos frutos estiverem totalmente abertos. Deve-se tomar cuidado com a concentração de óleo mineral pois, sendo superior a 1% v.v, poderá comprometer a qualidade da fibra, causando sobretudo pegajosidade.

Além dos produtos recomendados como desfolhantes, existem os dessecantes, cuja principal diferença entre
esses grupos, reside no fato de que o desfolhante provoca queda das folhas e os dessecantes, o secamento, mas sem queda, razão porque o dessecante proporciona fibras de algodão com alto grau de impurezas, elevando o custo do processo de beneficiamento e exigindo que as beneficiadoras estejam preparadas para trabalhar com este tipo de algodão; ante o exposto, deve-se preferir o uso de desfolhantes.

Produtos recomendados como dessecantes para a cultura do algodoeiro

Produtos recomendados como dessecantes para a cultura do algodoeiro:

  • glyfosate – 1,0 a 2,0 L ha-1
  • paraquat 1,0 a 2,5 L ha-1

Para aplicação de dessecantes, observar os mesmos cuidados recomendados para o uso de desfolhantes. Os maturadores devem ser aplicados quando 100% dos frutos atingirem a maturidade fisiológica ou mais de 90% dos frutos (capulhos) estiverem abertos; aplicações precoces de etefom têm efeito negativo sobre a produção e a qualidade da fibra.

OBSERVAÇÃO: Quando da aplicação de maturadores, o alvo principal é  fruto; assim, caso as plantas ainda tenham número elevado de folhas, é imprescindível a aplicação de produto com ação desfolhante, anterior à aplicação do maturador, de modo a facilitar o contato do produto com os frutos (maçãs).

Embora os produtos utilizados como maturadores tenham algum efeito como desfolhante, o objetivo da sua aplicação é acelerar a maturação e a consequente abertura dos frutos. Um dos produtos recomendados como maturador é o
etefom + cyclanilide, em dose que varia entre 720 a 1.200 g de etefom + 90 a 150 g de cyclanilide, que potencializa o efeito do etefom, provocando abscisão foliar. A dose a ser utilizada varia de acordo com a temperatura; ou seja, entre 22 a 25 ºC, utilizar a dose maior e, quando a temperatura média for superior a 30ºC, a menor; em condições de temperatura média inferior a 22ºC, não se recomenda aplicar a mistura etefom + cyclanilide.

Outro produto aconselhado como maturador é o resultante da combinação de etefom 273 g L-1 + aminomethanamide dihydrogen tetraoxosulfate (AMADS) 873 g L-1. De acordo com a literatura, o AMADS aumenta, no fruto, a absorção e a movimentação do etefom e resulta em maior eficiência do etefom como maturador; a dose recomendada é de
1.092 a 1.638 g ha-1 de etefom; em condições de temperatura superior a 25º C, utilizar as doses menores; para o preparo da calda recomenda-se fazer uma prédiluição, em recipiente menor.

BILBIOGRAFIA E LINKS RELACIONADOS

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Tags: desfolhantes, Dessecantes, maturadores, Reguladores de crescimento

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