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Controle de plantas daninhas no milho (Parte 3)

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(Curadoria Agro Insight)

Com o final da semeadura, iniciam as operações de manejo na cultura do milho. Neste sentido a curadoria Agro Insight compartilha as recomendações do sistema de produção da Embrapa para o controle de plantas daninhas.

Controle de plantas daninhas em pré-plantio

No sistema de plantio direto, o trabalho do arado e da grade é substituído pela aplicação de herbicidas capazes de matar as plantas daninhas presentes e de formar uma massa vegetal de cobertura do solo, a chamada palhada. O período entre a aplicação do herbicida e a semeadura da cultura varia com as características do herbicida, a dose utilizada, a cobertura vegetal antecessora, a textura do solo e as condições ambientais. Os principais herbicidas utilizados para este fim são glyphosate, glyphosate potássico, 2,4-D, paraquat e glufosinato de amônio.

Os produtos à base de glyphosate são recomendados principalmente para áreas infestadas com plantas daninhas perenes, por serem herbicidas sistêmicos capazes de penetrar na planta pelas folhas e translocar-se via floema até às raízes.

Glyphosate potássico é um herbicida semelhante ao glyphosate, apresentando o mesmo modo de ação. Porém, por causa do radical trimetilsulfôneo, penetra mais rápido nas folhas das plantas daninhas que o glyphosate, tornando-se uma boa opção no período chuvoso. O uso de 2,4-D ajuda no controle de folhas largas, principalmente trapoeraba, tolerante a glyphosate e glyphosate potássico.

Ao contrário do glyphosate, os produtos à base de paraquat têm ação de contato, não servindo para o controle de plantas daninhas perenes. O paraquat é um disruptor da membrana celular e tem ação muito rápida. A aplicação de paraquat pode ser feita na véspera do plantio e a adição de um surfactante não iônico no tanque é sempre recomendada. O glufosinato de amônio é também um herbicida de contato, de classe IV, de ação um pouco mais lenta que o paraquat.

Controle de plantas daninhas em pré-emergência

A pulverização, em plantio convencional do milho, é feita com o solo limpo, destorroado, após o plantio. Porém, antes da emergência da cultura e das plantas daninhas. O herbicida aplicado permanece na superfície do solo, exposto aos raios do sol e ao vento. Para uma boa performance, é preciso que o solo esteja úmido ou que, no caso de solo seco, haja uma garantia de chuva ou de irrigação nas próximas 48 horas. Caso o produto permaneça na superfície do solo sem a umidade para incorporá- lo a terra, as perdas pela forma de vapor e/ou pela decomposição através da luz acabarão por prejudicar a ação do herbicida. Por outro lado, terrenos mal preparados, cheios de torrões, comprometem seriamente a performance do herbicida.

Os herbicidas de pré-emergência, como o próprio nome indica, controlam as plantas daninhas no estádio mais inicial, quando as sementes estão germinando e as plântulas ainda não emergiram. Esses herbicidas, ao contrário do que se pensa, não afetam a germinação das sementes, controlando as plantas daninhas após a sua germinação, durante o período de sua ação no solo. Os herbicidas aplicados devem apresentar poder residual suficiente para manter as plantas daninhas controladas até o final do período crítico de competição. Os principais herbicidas recomendados para o controle das plantas daninhas em pré-emergência na cultura do milho estão indicados na Tabela 1.

A análise dos herbicidas indicados para o controle em pré-emergência de plantas daninhas na cultura do milho permite a observação de que alguns herbicidas, como atrazine, cyanazine e 2,4-D, são eficientes no controle de latifoliadas anuais e exercem pouca ação sobre as gramíneas. Por outro lado, herbicidas como s- metolachlor, alachlor, acetochlor, dimethenamid, isoxaflutole, trifluralin e pendimethalin apresentam uma ação mais acentuada sobre gramíneas anuais. Plantas daninhas perenes, como a tiririca e a grama seda, são tolerantes aos herbicidas de pré- emergência.

No sistema de semeadura direta, a presença de palha na superfície do solo pode afetar o comportamento de herbicidas aplicados em pré-emergência, pois estes são aplicados sobre a palha, ficando expostos à radiação solar, às altas temperaturas e à adsorção nos resíduos vegetais. O atrazine apresenta boas perspectivas de uso em pré-emergência sobre palhadas, uma vez que é facilmente lixiviado para o solo com chuvas que ocorram logo após a aplicação.

O acetochlor apresenta maior eficiência que o s-metolachlor no controle de gramíneas, quando aplicado sobre a palha no sistema de semeadura direta e sem chuva após a aplicação, porque aquele é mais estável nestas condições. Porém, s- metolachlor, por apresentar estrutura química mais estável e maior adsorção aos coloides orgânicos e minerais do solo, é mais eficiente do que acetochlor e alachlor, quando a chuva remove os herbicidas da palha, levando-os até o solo, onde s- metolachlor é dissipado mais lentamente, resultando em maior persistência e controle das plantas daninhas.

Controle de plantas daninhas em pós-emergência precoce e inicial

Com o aparecimento de herbicidas de pós-emergência para a cultura do milho, o produtor ganhou em flexibilidade de tempo para sua pulverização. A aplicação pode ser iniciada na pré-emergência, passar pela pós-emergência precoce, atingir a pós- emergência inicial e terminar na pós-emergência tardia. As fases da pós-emergência podem ser assim caracterizadas:

  1. pós-emergência precoce: fase que vai desde a emergência até o estádio de duas folhas abertas. É importante salientar que as plantas daninhas ainda são muito pequenas e que as gramíneas ainda não perfilharam;
  2. pós-emergência inicial: tem seu início no estádio fenológico de três folhas abertas do milho e vai até a abertura completa da quinta folha. As gramíneas anuais apresentam de um a dois perfilhos e as folhas largas de quatro a seis folhas. Nesta fase da pós-emergência, as perdas culturais não são ainda significativas, podendo estas chegar até 10%;
  3. pós-emergência tardia: é caracterizada por perdas culturais mais evidentes (10 a 35%). Neste estádio, a cultura do milho já apresenta a sexta folha completamente aberta, as gramíneas anuais de três a quatro perfilhos e plantas daninhas, como o leiteiro, de seis a oito folhas. Esta fase da pós-emergência é recomendada para o controle das plantas daninhas somente em situações especiais, devido às perdas já ocasionadas pela interferência anterior à aplicação. A aplicação de herbicidas residuais nesta época tem como objetivo aumentar o efeito residual sobre as plantas daninhas de folhas largas, como a corda de viola, e sobre outras plantas daninhas tardias que irão causar problemas na colheita mecanizada.

A exemplo dos herbicidas pré-emergentes, os herbicidas recomendados para a pós-emergência precoce e inicial possuem ação residual variada e, além de controlar as plantas daninhas emergidas, controlam as que ainda irão nascer no período de ação do herbicida. A pulverização deve ser feita em dia não chuvoso para que as gotículas não sejam arrastadas, mas a umidade é muito importante para a ativação no solo e para a absorção foliar. As horas quentes do dia e a baixa umidade relativa do ar (abaixo de 50%) não são recomendadas para a pulverização. Os melhores resultados de pulverização em pós-emergência precoce e inicial têm sido obtidos por produtores que pulverizam nas primeiras horas do dia, com vazão na faixa de 100 a 250L/ha.

Com relação às sulfonilureias, a aplicação exige um intervalo de sete dias para a utilização de inseticidas organofosforados. O ideal, nesse caso, é o uso de inseticidas fisiológicos ou à base de piretroides, manejando as pragas da cultura sem interferir na ação do herbicida.

Os herbicidas recomendados para o controle pós-emergente de plantas daninhas na cultura do milho estão agrupados na Tabela 2.

Os herbicidas do grupo químico das sulfonilureias (nicosulfuron e foransulfuron + iodosulfuron) inibem a acetolactato sintase (ALS), impedindo a síntese de aminoácidos essenciais, como valina, leucina e isoleucina. O sintoma típico de fitotoxicidade ocasionado pela aplicação de sulfonilureias consiste em descoloração da porção mediana da lâmina das folhas centrais da planta, que se encontra em fase de expansão no momento da aplicação, sendo esse sintoma mais expressivo até sete dias após a aplicação do produto. A seletividade da cultura do milho a sulfonilureias deve-se à capacidade do milho em metabolizar o produto em compostos não ativos; portanto, cultivares tolerantes parecem metabolizar sulfonilureias mais rapidamente. A existência de tolerância diferencial de híbridos de milho a sulfonilureias restringe a utilização de nicosulfuron a determinadas cultivares que tolerem o produto.

O herbicida carfentrazone pode ser utilizado para o controle de plantas daninhas dicotiledôneas em pós-emergência. Devido a esta ação, os sintomas de fitotoxicidade podem ser observados dentro de poucas horas após a aplicação, sendo a morte da planta constatada em uma semana. A seletividade detectada nas plantas devido à aplicação de carfentrazone-ethyl deve-se ao metabolismo de detoxificação do composto químico. Cultivares de milho doce e normal apresentam boa seletividade à aplicação de carfentrazone-ethyl.

Dentre os herbicidas registrados para a cultura do milho, encontra-se o mesotrione (2-(4-mesyl-2-nitrobenzoyl)cyclohexane-1,3-dione), pertencente ao grupo químico das triquetonas. É classificado como herbicida seletivo, com aplicação em pós- emergência, para o controle de folhas largas anuais e gramíneas na cultura do milho. Deste novo grupo de produtos, recentemente foi registrado junto ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento o herbicida tembotrione (2-[2-chloro-4-(methyl- sulfonyl)-3-[2,2,2-trifluoro-ethoxy)methyl]benzoyl]-1,3cyclohexanediona).

O modo de ação das triquetonas consiste na inibição da biossíntese de carotenoides através da interferência na atividade da enzima HPPD (4- idroxifenilpiruvato-dioxigenase) nos cloroplastos. Os sintomas fitotóxicos observados envolvem o branqueamento das plantas sensíveis, com posterior necrose e morte dos tecidos vegetais em cerca de 1 a 2 semanas. O milho é tolerante às triquetonas devido à sua capacidade de metabolizar rapidamente o herbicida, produzindo metabólitos sem atividade tóxica. A absorção do herbicida ocorre tanto nas raízes quanto nas folhas e nos ramos. Estes herbicidas apresentam baixa toxicidade, com pequeno risco para os mamíferos, os pássaros, o ambiente e as espécies aquáticas.

Controle de plantas daninhas tardias para beneficiar a colheita

A aplicação dirigida de herbicidas nas entrelinhas do milho tem um caráter complementar, com o objetivo principal de melhorar as condições de colheita, ajudando o controle das chamadas plantas daninhas tardias. Com o advento das aplicações sequenciais, em que as doses dos herbicidas são diminuídas, a aplicação dirigida de herbicidas nas entrelinhas do milho torna-se cada vez mais importante, complementando a aplicação feita na pré-emergência ou nas fases da pós-emergência. Esses herbicidas são aplicados nas entrelinhas do milho, de forma que o jato do pulverizador atinja somente as folhas baixeiras e não atinja as folhas de cima do milho. Para que isso seja possível, as plantas de milho devem estar no estádio acima de quatro pares de folhas (pós-emergência avançada), com uma altura mínima de 40 a 50cm.

Os herbicidas usados nessa operação não são seletivos para o milho e podem causar injúrias à planta se a pulverização não for direcionada. A pulverização dirigida pode ser feita com um pulverizador costal, aplicando-se o herbicida nas manchas de maior infestação ou, em casos de grandes lavouras, com um pulverizador de barra tratorizado. Para a aplicação tratorizada, recomenda-se o uso de uma barra especial com pingentes de mola que permitam baixar os bicos e dirigir o jato para a base das plantas ou com protetores para evitar a aplicação do herbicida nas plantas de milho. Essa é uma operação limitada pela altura das plantas de milho. Se o milho estiver muito alto, a barra do pulverizador pode quebrar a cana do milho.

Essa modalidade de controle já tem sido adotada e alguns equipamentos já estão disponíveis no mercado. Entre os produtos mais comumente utilizados, estão os herbicidas à base de paraquat e glufosinato de amônio, que têm ação de contato e não apresentam efeito residual. Cuidados devem ser tomados com a aplicação de herbicidas sistêmicos não seletivos, evitando o contato do produto com a planta de milho.

Tabela 1. Herbicidas pré-emergentes para o controle de plantas daninhas na cultura do milho.

Tabela 2. Herbicidas pós-emergentes para o controle de plantas daninhas na cultura do milho.

Resistência / tolerância de plantas daninhas

O surgimento de plantas daninhas resistentes a herbicidas sempre estará associado a mudanças genéticas na população em função da seleção ocasionada pela aplicação repetida de um mesmo herbicida ou de herbicidas com um mesmo mecanismo de ação. A variabilidade genética está presente nas populações infestantes e, caso um produto seja sempre utilizado nesta população, as plantas resistentes irão sobreviver, aumentando, nos anos subsequentes, a frequência destas plantas na população até que só ocorram plantas resistentes.

A resistência de plantas daninhas foi primeiramente notificada no Brasil na década de 80 com o surgimento de Euphorbia heterophilla resistente a herbicidas inibidores da enzima ALS (acetolactato sintase), conforme relatado no site internacional de monitoramento de plantas daninhas resistentes a herbicidas (http://www.weedscience.org/in.asp) (Tabela 1). A partir desta data, outras espécies foram descritas como resistentes, sendo que os herbicidas inibidores da enzima ALS são os produtos que mais selecionaram plantas daninhas resistentes no Brasil e no mundo. Com a introdução das culturas transgênicas resistentes ao herbicida Round up, a pressão de seleção imposta pelas glicinas tende a aumentar e, consequentemente, o surgimento de mais populações resistentes a este grupo herbicida deverá aumentar.

A alteração da comunidade infestante pode acontecer em função de herbicidas que selecionem espécies menos sensíveis ao produto utilizado; com o passar do tempo, estas plantas estarão dominando a população. Espécies foram selecionadas na década de 80 com o uso continuado de metribuzin e imazaquin, dificultando o manejo de plantas daninhas na cultura da soja. Euphorbia heterophylla eAcanthospermum hispidum tornaram-se espécies dominantes em sistemas de produção que utilizavam os dois produtos herbicidas. Mais recentemente, a utilização contínua de sulfonilureias e algumas imidazolinonas contribuiu para a seleção das espécies Cardiospermum halicacabum, algumas Ipomoea, Desmodium tortuosumSenna obtusifolia e outras.

Com a introdução do plantio direto, algumas espécies foram selecionadas em função da troca de produtos herbicidas para o manejo das plantas daninhas. Digitaria insularis (capim colchão), Spermaccoce latifolia (erva quente) e Erigeron bonariensistiveram suas frequências aumentadas em função do novo sistema conservacionista implantado. Atualmente, após a inicio da soja transgênica, houve um aumento do uso de herbicidas à base de glyphosate e espécies como as Commelinas(trapoerabas), Ipomoeas (corda de viola), Richardia brasilienses (poaia branca),Tridax procumbens (erva de touro), Chamaesyce hirta (erva de santa luzia), Chloris polydacyla (capim branco) e Boehavia diffusa (erva tostão) têm aumentado sua incidência nos sistemas de produção que utilizam este grupo de herbicidas.

Para prevenir ou retardar o aparecimento destas plantas, é recomendada a utilização da rotação de culturas, do manejo adequado dos herbicidas, da prevenção da disseminação de sementes através do uso de equipamentos limpos, o monitoramento da evolução inicial da resistência e o controle das plantas daninhas suspeitas de resistência antes que as mesmas produzam sementes.

Métodos de aplicação de herbicidas

A eficiência de um herbicida é intrínseca à sua aplicação, que deve ser feita de maneira uniforme, pelo uso dos equipamentos adequados a cada tipo de situação. Os problemas verificados na ineficiência do controle de plantas daninhas, na maioria dos casos, está relacionada à tecnologia de aplicação. Relatos são feitos apontando que 46% dos problemas das aplicações ocorrem na calibragem do pulverizador, 5% na mistura de produtos e 12% na combinação da calibragem e da mistura de produtos. Embora a aplicação via água de irrigação tenha aumentado nos últimos anos, mais de 90% dos herbicidas ainda são aplicados via trator (sistemas hidráulicos),

a. Terrestre

A calibração do sistema de aplicação terrestre deve ser realizada preferencialmente no local da aplicação, observando-se os fatores que interferem na eficiência dos herbicidas. Os equipamentos tratorizados apresentam quatro componentes básicos: tanque; regulador de pressão; bomba; e bicos de aplicação, que devem ser sempre verificados, evitando defeitos ou entupimentos que possam vir a tornar a aplicação ineficiente.

b. Aérea

A principal vantagem da aplicação aérea em relação às aplicações terrestres tratorizadas ou à manual é o menor tempo gasto para tratar uma mesma área. Este método é economica e tecnicamente viável somente em áreas extensas e planas. Aplicações aéreas apresentam alto risco de contaminação ambiental em função do alto risco de deriva, devendo, portanto, sempre ser acompanhada por um técnico responsável.

c. Via irrigação

A aplicação de herbicidas via água de irrigação é conhecida como herbigação. Embora a adoção deste método de aplicação tenha aumentado nos últimos anos, ainda não existem herbicidas registrados para essa modalidade. Além disso, apenas alguns herbicidas possuem características favoráveis à aplicação com água de irrigação. Embora a herbigação apresente como vantagens a redução do custo de aplicação, o aumento da atividade herbicida, a maior uniformidade de aplicação e maior compatibilidade com o sistema de plantio direto por não haver trânsito de máquinas na época de controle das plantas daninhas, a aplicação, principalmente via pivô central, pode apresentar riscos de contaminação ambiental e aumento do tempo de aplicação.

Normas gerais para o uso de defensivos agrícolas

Antes da aquisição de qualquer defensivo agrícola, deve-se fazer uma avaliação correta do problema e da necessidade da aplicação. Nenhum defensivo agrícola sem receituário agronômico deve ser adquirido. Deve-se proceder sempre à observação da data de validade de produtos a fim de se evitar compras de materiais vencidos ou com embalagens danificadas. Fazer a tríplice lavagem da embalagem após o uso e inutilizá- la por meio de furos constitui benefícios à saúde e ao ambiente. Toda embalagem vazia e inutilizada de qualquer defensivo agrícola deverá ser retornada aos pontos de compra (oriente-se junto ao vendedor). Cumpra as suas obrigações e exija seus direitos de consumidor.

Cuidados na aplicação

No escopo da aplicação acertada de um herbicida, deve-se atentar para alguns fatores que, inerentes ao ambiente, acabam por influenciar a eficácia do método estabelecido. Desses, as condições climáticas, a umidade relativa do ar, a temperatura e o vento apresentam papel crucial.

Boas condições de umidade favorecem a disponibilidade de água à absorção pela planta, retardam a secagem do produto aplicado e otimizam a transposição do herbicida pela superfície da planta. Em condições arbitrárias, ocorre lentidão do processo de absorção do herbicida devido à compactação da cutícula. Portanto, sob umidades abaixo de 50%, as aplicações de agentes herbicidas devem ser evitadas.

Processos de volatilização e de celeridade na secagem dos ingredientes ativos são beneficiados a temperaturas elevadas, embora tais condições também aumentem a eficiência dos herbicidas, tornando-os mais fitotóxicos para as plantas-alvo, bem como para a cultura do milho. Temperaturas apropriadas são aquelas que se encontram no intervalo de 12 a 35° C podendo haver oscilações conforme o caso.

Clima favorável provém absorção do herbicida na dosagem apropriada, assim como inibe problemas de deriva, que geram possíveis afecções ao ambiente e/ou à saúde humana. O vento em alta velocidade é um elemento relevante, uma vez que intervém diretamente no destino da pulverização, de modo a favorecer que essa alcance o alvo ou desvie, atingindo outro componente. As circunstâncias de maior segurança acerca dos ventos consistem em velocidades na faixa de 3 a 6km/h, correspondente a uma leve brisa que apenas movimenta a folhagem. O uso de bicos de pulverização adequados e a minimização da altura de aplicação são medidas a serem tomadas para reduzir os efeitos do vento sobre aplicações. O início da manhã, o fim da tarde e o início da noite apresentam condições de vento, temperatura e umidade mais apropriados para aplicação de herbicidas.

Medidas de segurança

No âmbito da proteção do trabalhador, as medidas de segurança devem atender à NCE (Necessidade de Controle de Exposição), que se dá pelo conjunto de medidas preventivas (normas regulamentadoras que tratam da higiene, da limpeza, da manutenção e educacionais) e de proteção (relativas à segurança em relação ao ambiente).

As medidas de proteção estão segregadas em coletivas ou individuais; a primeira é feita, por exemplo, pela seleção de herbicidas menos tóxicos ou pelo uso da direção do vento para afastar o jato pulverizado. Os tipos de cultura e de equipamento também são elementos que afetam a exposição do operador.

Como medida de proteção individual, preconiza-se o uso do EPI (Equipamento de Proteção Individual), que impede o contato direto da substância com o corpo. Esse dispositivo atua como redutor da exposição por meio dos princípios impermeabilização e hidrorrepelência. O EPI deverá ser vestido sobre a roupa comum, sendo ajustado firmemente de modo que os cordões do jaleco e da calça sejam guardados dentro da roupa. As botas devem ser impreterivelmente de PVC, sob a barra da calça, para que o produto escorrido não alcance os pés.

O avental deve ser utilizado com o objetivo de proteger o corpo durante o preparo da calda e da pulverização, devendo ainda ser fabricado em material impermeável e ser de fácil fixação no corpo. A máscara deve impedir a inalação de vapores orgânicos, partículas finas e névoas. O aplicador deve estar barbeado para permitir a aderência correta do respirador ao rosto. A viseira, o boné árabe e as luvas têm o intuito de defender os olhos, o rosto, o couro cabeludo, o pescoço e as mãos das gotas ou da névoa de pulverização. As luvas devem ser de borracha nitrílica ou neoprene, passíveis de uso em todas as formulações.

Operações pós-colheita

Tem sido observado que os produtores têm deixado que as plantas daninhas cresçam e produzam sementes após a colheita, devido principalmente ao aumento dos custos de mais uma aplicação de um método de controle e pelas dificuldades financeiras que têm passados nos últimos anos. Para evitar ou minimizar o aumento da população de plantas daninhas existente em uma área, pode-se adotar técnicas como a rotação de culturas e a semeadura de cobertura. Culturas de cobertura, como milheto, nabo forrageiro e sorgo, assim como outras, na entressafra, têm grande capacidade de supressão na emergência e de desenvolvimento das plantas daninhas.

Operações de pós-colheita, como o uso de roçadeiras ou a aplicação de herbicidas para dessecação das plantas daninhas, também podem ser realizadas, evitando-se que estas plantas se desenvolvam e produzam sementes ou propágulos que irão contribuir para o aumento do banco de sementes do solo. Devemos lembrar que, com o uso intensivo de determinados grupos de herbicidas, tem sido observado o surgimento de plantas daninhas resistentes.

O manejo de plantas daninhas pós-colheita contribui para a não proliferação das plantas daninhas resistentes, facilitando o controle nas safras subsequentes. Na maioria dos casos, os herbicidas utilizados para o manejo pós-colheita são à base de glyphosate, 2,4D e paraquat. Qualquer utilização de herbicidas deve ser acompanhada por um técnico responsável e os produtos utilizados devem estar registrados no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.

Controle de plantas daninhas: métodos físico, mecânico, cultural, biológico e alelopatia

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Manejo de Plantas Daninhas no Milho Cultivado no Sistema de Integração Lavoura-Pecuária

Uma vez implantado o SILP com SPD, o manejo dos herbicidas no consórcio lavoura-forrageira passa a representar uma etapa das mais importantes, pois dela vai depender a produtividade tanto da lavoura quanto da pastagem que se vai formar.

Em geral, o momento para aplicação dos produtos para dessecação pode ocorrer após as primeiras chuvas, quando a nova brotação da forrageira estiver vigorosa e em pleno crescimento (15 a 20 dias após o corte, 20 a 25 cm de altura). A aplicação deve ser feita, preferencialmente, nos períodos com temperaturas mais amenas (nas primeiras horas da manhã ou ao entardecer) e com ventos de baixa intensidade. Outra condição relaciona-se à dessecação com a espécie forrageira em estádio avançado de crescimento. Nessa situação, recomenda-se um pastejo de curta duração utilizando alta taxa de lotação no final do período seco ou manejo com roçadeira ou triturador vegetal (triton).

A época de aplicação e a dosagem do herbicida dependerão do sistema de semeadura da cultura e da espécie da forrageira. As situações comumente encontradas podem ser:

  1. Semeadura da forrageira após a emergência do milho. Semeia-se o milho solteiro e faz-se o controle das plantas daninhas antes do plantio da forrageira. Sistema usado quando há alta incidência de plantas daninhas ou em condições de milho safrinha. O produto não deve apresentar efeito residual no solo ou deve ser seletivo para a gramínea a ser cultivada para evitar deficiências ou falhas na formação da pastagem.
  2. Semeadura simultânea do milho + forrageira. A aplicação deverá ocorrer na fase em que cultura do milho estiver com 4 a 6 folhas e da forrageira com mais de 3 perfilhos. Quando houver predominância de plantas daninhas de folhas largas e a braquiária não estiver exercendo interferência na cultura do milho, não haverá necessidade de aplicação de graminicida ou redução do crescimento da forrageira, podendo ser utilizado o herbicida atrazina na dosagem de 800 a 1.300 g i.a./ha. Nas situações em que é necessário o controle de plantas daninhas de folhas largas com necessidade de inibição temporária do crescimento da forrageira, sugere-se a aplicação de atrazina associada a uma subdose de herbicidas com ação graminicida.

Maiores informações e detalhes sobre utilização de herbicidas no Sistema de Integração Lavoura-Pecuária, recomenda-se consultar a Circular Técnica 110, Embrapa Milho e Sorgo, 2008 (http://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/bitstream/doc/491769/1/Circ110.pdf).

BIBLIOGRAFIA E LINS RELACIONADOS

Melhorança, A.L.; Karam, D.; Silva, J.A.A.; Oliveira, M.F. Plantas daninhas. In: Cultivo do Milho. 9ª edição Embrapa Milho e Sorgo, Sistema de Produção, 1, Nov/2015

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Tags: herbicida, Manejo Integrado, milho

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