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Clima no verão 2023

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(Curadoria Agro Insight)

A oscilação do clima nessa virada de ano tem chamado atenção, até certo ponto é algo natural, afinal, estamos em uma época de transição de estações. Porém, alguns fenômenos têm sido extremos, como as chuvas em Santa Catarina e Paraná e a estiagem no Rio Grande do Sul.  Nesse contexto, trouxemos um artigo do pesquisador Daniel Pereira Guimarães, da Embrapa Milho e Sorgo e o último boletim do Inmet sobre esse momento e as expectativas para os próximos meses.

Tempo de verão

Nosso planeta Terra percorre sua órbita elíptica em torno do Sol, chamado movimento de translação, na estonteante velocidade superior a 100 mil km/h, cerca de 87 vezes maior que a velocidade do som e suficiente para dar uma volta completa no planeta em pouco mais de 20 minutos. Durante esse percurso, o eixo de rotação da Terra sofre alterações que mudam a exposição da superfície em relação à incidência dos raios solares e definem as estações do ano com suas diferentes condições climáticas. As estações da primavera e do outono são caracterizadas pelos equinócios, fenômeno no qual os raios solares incidem diretamente sobre a linha do Equador e os dois hemisférios recebem a mesma iluminação e condições climáticas amenas. As estações do inverno e verão são determinadas pela ocorrência dos solstícios, em que as noites são curtas (verão) ou longas (inverno).

O Solstício de Verão no Hemisfério Sul, em 2022, acontecerá às 18h47 do dia 21 de dezembro, quando ocorrerá o dia mais longo do ano no Brasil e consequentemente a noite com menor duração. Em Belo Horizonte, o nascimento e o pôr do sol ocorrerão às 5h13 e às 18h34, respectivamente. Porém, esses horários são afetados pela latitude local. Por exemplo, em Manaus, a duração do dia será quase igual à da noite, enquanto em Porto Alegre o dia 21/12 terá duração do brilho solar superior a 14 horas.

As altas temperaturas determinadas pela alta exposição da superfície terrestre aos raios solares contribuem para o aumento da evaporação da água e o aumento do volume de chuvas, especialmente nas regiões Sudeste e Centro-Oeste do Brasil. As chuvas são também afetadas pelo fenômeno ENOS (El Niño Oscilação Sul) com períodos em que as temperaturas das águas do Oceano Pacífico Equatorial se encontram acima (El Niño) ou abaixo (La Niña) das médias históricas. Nos últimos três anos aconteceu o fenômeno La Niña, com a ocorrência de estiagens prolongadas no Sul do País e excessos de chuvas em outras regiões. O início do ano foi marcado por grandes tragédias ocasionadas pelas chuvas nos estados da Bahia, de Pernambuco, Minas Gerais e do Rio de Janeiro.

Embora a temperatura dos oceanos esteja acima da média em quase todo o planeta, ainda persiste a condição de La Niña no Pacífico Equatorial (costa marítima do Peru), e as projeções indicam que essa situação deverá persistir durante todo esse verão. A chegada da estação de verão deverá ser marcada pela ocorrência de fortes chuvas especialmente nos estados de Minas Gerais, Goiás, Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo, Santa Catarina e no Distrito Federal.

A partir do dia 23, as chuvas se deslocam para o Vale do Jequitinhonha, Sul da Bahia e estado do Tocantins, e o Natal deve ter tempo firme nos estados da região Sul e no Mato Grosso do Sul e ter apenas chuvas ocasionais e de baixa magnitude na região Sudeste. A passagem da frente fria proporcionará uma substancial queda na temperatura, e Minas Gerais será o estado mais impactado, com temperaturas abaixo de 25 °C em quase todas as regiões, mesmo em municípios muito quentes, como Januária e Montes Claros. Condições de alta umidade e baixas temperaturas poderão contribuir para a formação de nevoeiros. Recomenda-se alto nível de atenção àqueles que pretendem viajar durante esse período natalino.

Previsão para o verão (INMET)

O verão no Hemisfério Sul começou às 18h48 (horário de Brasília) do dia 21 de dezembro e termina no dia 20 de março de 2023 às 18h25.

O período reflete o aumento da temperatura em todo País em função da posição relativa da Terra em relação ao Sol mais ao sul, tornando os dias mais longos que as noites e com mudanças rápidas nas condições de tempo com condições favoráveis à chuva forte, queda de granizo, vento com intensidade variando de moderada à forte e descargas elétricas.

No verão, as chuvas são frequentes em praticamente todo o País, com exceção do extremo sul do Rio Grande do Sul, nordeste de Roraima e leste do Nordeste, onde geralmente os totais de chuvas são inferiores a 400 milímetros (mm). Veja figura 1.

Figura 1. Climatologia (média histórica) de chuva para o trimestre janeiro/fevereiro/março. Referência: 1981 – 2010.

Nas regiões Sudeste e Centro-Oeste, as chuvas, na estação, são ocasionadas principalmente pela atuação da Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS), enquanto que no norte das regiões Nordeste e Norte, a Zona de Convergência Intertropical (ZCIT) é o principal sistema responsável pela ocorrência de chuvas.

Em média, os maiores volumes de chuva podem ser observados nas regiões Norte e Centro-Oeste, com totais na faixa entre 700 e 1100 mm (Figura 1).

Devido às suas características climáticas, com grandes volumes de chuva, o verão no Brasil tem muita importância para atividades econômicas como a agropecuária, a geração de energia (por meio das hidrelétricas) e para a reposição hídrica e manutenção dos reservatórios de abastecimento de água em níveis satisfatórios.

Condições oceânicas observadas e tendência

No Oceano Pacífico Equatorial, as médias mensais da área de referência para definição do evento El Niño-Oscilação Sul (ENOS), denominada região de Niño 3.4 (entre 170°W-120°W), vem-se observando valores de anomalias de Temperatura da Superfície do Mar (TSM) menores que -0,5°C desde outubro de 2021, indicando o início das condições de La Niña. Estas condições vêm persistindo durante este ano de 2022 com algumas oscilações nos valores de anomalias de TSM entre -1,1 e -0,6ºC, permanecendo na categoria de fraca a moderada. O modelo de previsão de ENOS do APEC Climate Center (APCC), centro de pesquisa sediado na Coréia do Sul, aponta para uma probabilidade entre 60 e 70% de que as condições de La Niña enfraqueçam nos meses de janeiro a março de 2023. Já no trimestre fevereiro-março-abril/2023, a probabilidade aumenta para 80% de chance para uma possível transição do La Niña para a fase de Neutralidade. Desta forma, é fundamental acompanhar as atualizações destas previsões em nossos boletins,
disponíveis no portal do INMET.

Prognóstico Climático para o Período Janeiro, Fevereiro e Março/2023
Região Norte

A previsão climática para o verão indica predomínio de chuvas acima da média climatológica em grande parte da Região Norte, principalmente na área norte da região, ainda devido à atuação do fenômeno La Niña e ao padrão de águas mais aquecidas próximo à costa. No sul do Amazonas e do Tocantins, além do sudoeste do Pará, a previsão é de chuvas ligeiramente abaixo da média durante o trimestre.

A temperatura média do ar deverá prevalecer em praticamente toda a região próxima da climatologia. Exceto em algumas partes do Tocantins e sudeste do Pará com temperaturas ligeiramente acima da média.

Região Nordeste

A previsão do INMET indica que haverá predomínio de chuvas acima da climatologia em grande parte da região, durante os meses de janeiro a março/2023. Assim como na Região Norte, a continuidade das chuvas na Região Nordeste está associada aos impactos da La Niña e ao padrão de águas ligeiramente mais aquecidas próximas à costa nordestina. Em áreas da Bahia, Sergipe e Alagoas existe a probabilidade de ocorrer chuvas ligeiramente abaixo da média.

A temperatura do ar deve predominar próxima e acima da média histórica em grande parte da região nos próximos meses, exceto no norte dos estados do Maranhão, Piauí e Ceará, onde as temperaturas poderão ser ligeiramente abaixo da média, devido a dias consecutivos com chuva.

Região Centro-Oeste

A tendência para o verão é de chuvas acima da média histórica em praticamente toda região, exceto no sul do Mato Grosso do Sul, norte do Mato Grosso e oeste de Goiás, onde são previstos totais de chuvas ligeiramente abaixo da climatologia do trimestre. Quanto às temperaturas, a previsão indica que devem ser próximas e ligeiramente acima da média climatológica nos próximos meses.

Região Sudeste

Para a Região Sudeste, a previsão para os próximos três meses é de irregularidade espacial das chuvas, com totais acumulados acima da média no Espírito Santo, região do Triângulo Mineiro e metropolitana de Belo Horizonte, além do oeste e leste de São Paulo, enquanto nas demais áreas a previsão é de chuvas próximas e ligeiramente abaixo da média. Para a temperatura, as previsões indicam que devem ser próximas e ligeiramente acima da climatologia nos próximos meses.

Região Sul

A previsão indica maior probabilidade de chuvas próximas e abaixo da climatologia em toda a região, em decorrência dos impactos que o fenômeno La Niña pode causar. As temperaturas serão próximas à climatologia e ligeiramente acima da média na Região Sul.

Possíveis Impactos das chuvas no início da safra 2022/2023

Com a previsão dos modelos climáticos indicando o enfraquecimento do fenômeno La Niña já em janeiro e a possível transição para a neutralidade nos meses seguintes, surge a questão sobre qual será o impacto deste evento na safra de verão 2022/23. Além disso, é importante destacar que que o clima no Brasil não é apenas influenciado pela atuação desse fenômeno, existindo outros fatores que devem ser considerados e que também interferem nas condições de tempo e clima, fazendo com que a previsão climática nas regiões produtoras seja avaliada com atenção. No MATOPIBA, região que engloba áreas do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, as chuvas acima da média observadas principalmente em novembro foram responsáveis por manter os níveis de água no solo elevados, favorecendo as fases iniciais dos cultivos de verão. Para os próximos meses, a efetivação da previsão de chuvas acima da média na região, com exceção de áreas do sul de Tocantins e oeste da Bahia, principalmente em janeiro de 2023, podem auxiliar na manutenção da umidade no solo e favorecer as culturas na região, como a soja, milho primeira safra e algodão.

No Brasil Central, o retorno gradual das chuvas, que foi observado nos últimos meses, contribuiu para um aumento dos níveis de água no solo e tem sido importante para o estabelecimento das culturas de verão no campo, como a soja, milho, feijão e algodão. No entanto, as chuvas irregulares previstas para os próximos meses, além de um possível veranico, ou seja, chuvas abaixo da média, principalmente no mês de janeiro de 2023 em áreas de Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso do Sul, podem impactar negativamente o armazenamento de água no solo e as culturas que se encontrarem em estágios fenológicos mais sensíveis.

Já na Região Sul, a redução das chuvas em grande parte da região influenciada principalmente pela persistência do fenômeno La Niña, em especial no Rio Grande do Sul, causou restrição hídrica nas fases iniciais dos cultivos de verão. Além disso, as chuvas previstas dentro ou abaixo da média podem reduzir os níveis de água no solo, principalmente em áreas do centrossul do Rio Grande do Sul e oeste de Santa Catarina, e impactar negativamente as culturas agrícolas que se encontrarem em estádios fenológicos mais sensíveis como a soja, milho primeira safra e feijão.

BIBLIOGRAFIA E LINKS RELACIONADOS

GUIMARÃES, D.P. Tempo de Verão. Gestão ambiental e territorial. Dezembro de 2022. (Artigo/Embrapa)

Instituto Nacional de Meteorologia – INMET – PROGNÓSTICO CLIMÁTICO DE VERÃO. Dezembro de 2022.

 

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Tags: chuvas, El niño, embrapa, INMET, La Niña, Verão

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