Classificação dos sistemas agroflorestais

Classificação dos sistemas agroflorestais

Os sistemas agroflorestais (SAFs), incluem diversas opções de cultivo simultâneo ou sequencial de árvores com cultivos agrícolas além de contar ou não com a presença de animais.

Os SAFs vêm sendo apontados como sistemas alternativos de uso agrícola do solo, por apresentarem alta capacidade de aumentar o nível de sustentabilidade dos agroecossistemas, relacionados aos aspectos agronômicos, sociais, econômicos e ecológicos.

Existe um objetivo comum entre a agroecologia e os SAFs, que é a otimização dos benefícios das interações que ocorrem entre árvores, cultivos agrícolas e animais, obtendo diversidade de produtos, reduzindo a dependência por insumos externos, além de diminuir os impactos ambientais. Desta forma, os SAFs quando inseridos num contexto agroecológico, contribuem de forma significativa para o desenvolvimento equilibrado dos agroecossistemas.

Existe uma ampla variedade de arranjos de SAFs, que vão desde os mais simples, com baixa intensidade de manejo, em que são utilizadas combinações de espécies para o melhor aproveitamento de fatores de produção, insumos e mão de obra, passando pelos sistemas considerados intermediários e por fim, os sistemas extremamente complexos, com alta biodiversidade e com intensas práticas de manejo, os SAFs biodiversos.

Classificar os SAFs é complexo e existem várias classificações, estas variam de acordo com a proposta e os critérios considerados. Para tanto, os principais critérios utilizados para a classificação dos sistemas agroflorestais estão descritos no Quadro 1.

Quadro 1: Critérios de classificação dos SAFs (Adaptado de NAIR, 1998).

CRITÉRIO ESTRUTURAL CRITÉRIO FUNCIONAL CRITÉRIO ECOLÓGICO CRITÉRIO SOCIOECONÔMICO
Refere-se à natureza dos componentes do sistema, incluindo o arranjo espacial do componente arbóreo, a estratificação vertical e o arranjo temporal dos diferentes componentes do sistema. Refere-se ao principal papel ou função do componente arbóreo do sistema (proteção da natureza, por exemplo, quebra-vento, faixa de proteção, conservação do solo). Refere-se às condições ambientais e à adequação ecológica dos sistemas: certos tipos são mais apropriados para certas condições ecológicas. Refere-se ao nível de dependência de insumos externos (input) ou à intensidade ou à escala de manejo e à destinação dos produtos (subsistência, comercial, intermediário).

CLASSIFICAÇÕES DOS SISTEMAS AGROFLORESTAIS

 a) Com relação a composição:

  • Sistemas agrossilviculturais: são sistemas em que há consórcios entre culturas agrícolas anuais e espécies florestais.
  • Sistemas silvipastoris: são sistemas que são voltados para a criação de animais por meio da associação entre pastagens e árvores.
  • Sistemas agrossilvipastoris: são sistemas em há presença de espécies agrícolas e florestais de forma simultânea ou sequencial à criação de animais.

b) Considerando a distribuição no espaço e no tempo:

  • Sistemas agroflorestais sequenciais: Os cultivos agrícolas anuais e os produtos arbóreos se sucedem no tempo. É uma relação cronológica entre as colheitas anuais e os produtos arbóreos. Exemplo: Sistema Taungya que é um sistema de cultivo anual consorciados apenas temporariamente com árvores, durante os primeiros anos de implantação.
  • Sistemas agroflorestais simultâneos: São sistemas cuja integração é simultânea e continua com cultivos anuais ou perenes, árvores de interesse madeireiro, frutífero ou de uso múltiplo por exemplo para fornecer proteínas e sombra para animais. Exemplo: Cultivo em faixas ou aléias
  • Sistemas complementares (cercas vivas e cortinas quebra-vento): São fileiras de árvores utilizadas para delimitar uma propriedade, gleba ou servir de proteção para outros componentes e outros sistemas. São sistemas considerados complementares às outras duas categorias, pois podem estar associados a sistemas sequenciais ou simultâneos. Exemplo: Implantação de faixas de eucalipto em torno de uma plantação de café, ou uma lavoura de milho.

De maneira geral, os quintais, hortas e pomares domésticos, se constituem em um excelente e mais antigo exemplo de sistema agroflorestal, os quais são formados empiricamente, de maneira aleatória, sem um arranjo definido ou delineado, que visa basicamente a segurança alimentar da família durante o ano. Contudo, de maneira muito clara, se observa uma combinação de espécies perenes, com espécies temporárias (anuais) e animais domésticos.

BIBLIOGRAFIA E LINKS RELACIONADOS

– ENGEL, V. L. Sistemas agroflorestais: conceitos e aplicações. Botucatu: FEPAF, 1999.

Disponível em: http://saf.cnpgc.embrapa.br/publicacoes/01.pdf

– MICCOLIS, A. et al. Restauração ecológica com sistemas agroflorestais: como conciliar conservação com produção: opções para Cerrado e Caatinga. Embrapa Cerrados-Livro técnico (INFOTECA-E), 2016. Disponível em:

https://www.embrapa.br/busca-de-publicacoes/-/publicacao/1069767/restauracao-ecologica-com-sistemas-agroflorestais-como-conciliar-conservacao-com-producao-opcoes-para-cerrado-e-caatinga

– NAIR, P. K. Directions in tropical agroforestry research: past, present, and future. In: Directions in Tropical Agroforestry Research. Springer, Dordrecht, 1998. p. 223-245. Disponível em: https://link.springer.com/article/10.1023/A%3A1005943729654

–  Sistemas Agroflorestais Disponível em: http://planetaorganico.com.br/site/index.php/sistemas-agroflorestais-safs-2/

 

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