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Agricultores familiares e as dificuldades durante a pandemia

Agricultores familiares e as dificuldades durante a pandemia

(Curadoria Agro Insight)

A Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) publicou no final do mês de setembro o segundo Boletim da Agricultura Familiar, com um conteúdo bastante rico em informações tanto para os próprios agricultores familiares, quanto para gestores públicos e acadêmicos.

Dentre os artigos do boletim, gostaríamos de destacar o escrito pelo analista de mercado da Conab, Humberto L. Pennacchio, sobre Crédito Rural. O artigo que aborda a Opinião do produtor, que apresenta a visão de agricultores e agricultoras familiares que seguiram suas atividades durante a pandemia de Coronavirus destacando a importância da continuidade das políticas públicas nesse período, além das dificuldades enfrentadas.

Para a produção do artigo, a entrevistadora e Jornalista da Conab, Flavia Agnelo Silva Bravo, entrevistou os agricultores(as): Julcemir Fernando Marcon e Airton Luiz Rubnich, integrantes da COOPAN – Cooperativa de Produção Agropecuária Nova Santa Rita Ltda, Localizada em Nova Santa Rita-RS; Izabel Nogueira Coelho e Raimundo de Souza Nogueira, integrantes da APREPRI – Associação dos Pequenos Produtores Rurais Extrativistas e Pescadores do Rio Ipanema; Localizada em Curralinho-PA; e Juliete Lima de Oliveira, integrante da Associação Comunitária do Sitio do Meio do Tope, Localizada em São Benedito/CE.

Artigo: As dificuldades encontradas pelos produtores no enfrentamento a pandemia

Trabalhar é uma atividade rotineira, mas que apresenta grandes impactos durante o enfrentamento à pandemia do corona vírus. Enquanto alguns colaboradores foram colocados em home office, outros tiveram que enfrentar os riscos da COVID-19, como foi o caso da extrativista Izabel Nogueira Coelho. “A produção do açaí foi muito boa no ano de 2020/2021. Mas trabalhar enfrentando esses riscos foi muito complicado, porque a gente está lidando com vidas. A gente perdeu muitas pessoas, amigos queridos, parentes”, lembra a representante da APREPRI – Associação dos Pequenos Produtores Rurais Extrativas e Pescadores do Rio Ipanema em Curralinho-PA.

Já a presidente da Associação Comunitária do Sitio do Meio do Tope em São Benedito-CE, Juliete Lima de Oliveira, conta sobre as adaptações necessárias para que as atividades não fossem paralisadas. “A gente trabalha com a produção de bolos e biscoitos, e dentro da cozinha o trabalho é feito em grupo. Porém, para seguir as orientações da vigilância, não poderia ter muitas pessoas em um mesmo ambiente. Aí tivemos essa dificuldade, mas graças a Deus, agora já estamos bem organizadas”.

O trabalho no campo e ao ar livre pode ser facilitado, o que não impediu o surgimento de novos desafios. Para Julcemir Fernando Marcon, da COOPAN – Cooperativa de Produção Agropecuária Nova Santa Rita LTDA em Nova Santa Rita-RS, um dos obstáculos a serem superados foi a comercialização da produção. “A pandemia foi e continua sendo um momento difícil, principalmente pensar em comercialização dos produtos tendo em vista que a gente atuava bastante no Pane e quando parou as aulas isso foi um baque bastante grande e que reduziu bastante a venda desses produtos. Então o desafio foi tentar comercializar no mercado convencional mesmo”.

Para o agricultor familiar, Airton Luiz Rubnich também cooperado da COOPAN, os desafios da comercialização não ficaram restritos apenas nas dificuldades encontradas pelos pequenos produtores em entrar no mercado. “Além do que o Julcemir falou sobre as vendas institucionais, o próprio mercado local foi afetado. Com a questão da pandemia tem a crise aliada, e as pessoas vão deixando de consumir também”. Airton já se mostra preocupado com a venda da próxima safra, uma vez que ele tem observado o aumento nos custos de produção. “Agora esse ano não sei como dá a volta, porque triplicou o preço dos insumos, do diesel. Nós usamos muito o combustível na lavoura, e se observar os preços do combustível registraram um aumento muito maior que o a elevação do arroz. Então essa é a bagunça”, reforça.

O aumento nos custos não é só uma preocupação de quem está no campo. Juliete Lima de Oliveira lembra das dificuldades encontradas ao longo deste ano impactado pela pandemia. “A gente produz os produtos da agricultura, mas também nós precisamos comprar alguns insumos. Com tudo caro, a produção estava complicada. Tiveram momentos em que paramos de trabalhar, pois o produto não compensava os custos de produção. Mas, a gente conseguiu voltar”, lembra.

Políticas Públicas

Em um cenário com tantos desafios, as ações de apoio à comercialização se mostram como uma importante ferramenta no apoio à produção da agricultura familiar, bem como dos extrativistas. “O pequeno tem sempre aquela dificuldade de entrar no mercado, de se viabilizar na comercialização por ser pequeno e não ter as ferramentas que as grandes redes têm. E as políticas púbicas ajudam a viabilizar a produção dos pequenos. O pequeno já vai plantar o arroz, produzir o açaí sabendo que vai ter uma comercialização garantida. Isso é extremamente importante e talvez não se tenha a dimensão que isso muda na vida das pessoas”, ressalta Julcemir Fernando Marcon.

A extrativista Izabel comemora o início das entregas do açaí pela APREPRI no PNAE. “Esse ano a gente já vai começar a entregar para o PNAE. Na nossa cidade uma boa parte já está vacinada e as crianças estão voltando para a escola no ensino híbrido. E esse açaí é distribuído para as famílias pelas crianças”. Além desse programa governamental, a associação também acessa a Política de Preços Mínimos para os Produtos da Sociobiodiversidade (PGPM-Bio), executada pela Companhia Nacional de Abastecimento. “Quando o preço está baixo, a gente consegue enviar os projetos para a Conab e consegue entrar com o preço mínimo. A gente tem que estar sempre de olho, estar se atualizando e fazendo a escala de produção”, pondera.

A presidente da Associação Sítio do Meio do Tope-CE reforça que esse apoio nas vendas “acaba tirando de lado o atravessador que compra dos produtores por preços abaixo do mercado. Essas ferramentas ajudam na melhoria na renda e na qualidade de vida para quem vive do campo”.

Para Julcemir os benefícios com a execução das políticas públicas de apoio aos pequenos produtores vão além da melhoria de renda. “Se pegar aqui no nosso assentamento, eram pessoas que não tinham uma linha de produção voltada para o mercado, e entraram no mercado. Isso muda muito a vida das pessoas aqui na ponta”. Ideia compartilhada pelo colega Airton. “Não é querer dinheiro de graça, é só o apoio para canalizar a comercialização. Você canaliza os recursos para os produtores, canaliza comida mais saudável para quem precisa. Tem um monte de benefícios neste sentido”.

Com as ações de apoio à produção, a APREPRI, associação de extrativista que comercializa açaí, começa a conquistar novos mercados e ampliar os desafios a serem vencidos. “Agora a gente não pode exportar sem o Guia de Trânsito Vegetal. Ainda é um processo muito dificultoso porque nem todo mundo sabe mexer com os sistemas. A gente tenta se atualizar ao máximo, a dificuldade está aí, mas estamos tentando trabalhar com possibilidades de ir além”, reforça Izabel.

BIBLIOGRAFIA E LINKS RELACIONADOS

Companhia Nacional de Abastecimento. Boletim da Agricultura Familiar / Companhia Nacional de Abastecimento. v.1, n.2 (2021).

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