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Proposta busca ampliar os parâmetros considerados no Zarc da soja

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(Curadoria Agro Insight)

Na curadoria de hoje, trouemos uma proposta para ampliar os parâmetros considerados no Zoneamento Agrícola de Risco Climático da soja.

Nas últimas duas décadas, o Brasil se consolidou como um dos principais players do agronegócio mundial. Somente em 2021, as exportações do agro brasileiro somaram US$ 120 bilhões, ou 43% do total exportado. É, também, o setor econômico que gera o maior superávit na balança comercial (US$ 105 bilhões em 2021). Boa parte desse protagonismo brasileiro no cenário agrícola mundial é impulsionado pelo complexo soja, cujas exportações renderam US$ 48 bilhões (40% do total do auferido pelo agronegócio). Neste contexto, a soja é atualmente a cultura com a maior área cultivada (41 milhões de ha) e produção (124 milhões de t) no Brasil, o que torna o País o maior produtor e exportador mundial do grão.

A manutenção do protagonismo brasileiro no cenário agrícola mundial passa pelo desenvolvimento e adoção de tecnologias que aumentem a produtividade e a estabilidade de produção. Entre essas tecnologias, merece destaque o Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc), cujos resultados indicam o que, onde e quando semear/plantar, de forma a minimizar os riscos de perdas de produtividade por eventos meteorológicos adversos. Além de ser requisito para acessar programas governamentais de gestão de riscos, como o Proagro (Programa de Garantia da Atividade Agropecuária) e o PSR (Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural).

No Zarc atual, a definição dos riscos de perdas de produtividade por seca leva em consideração, além das condições meteorológicas e das características das culturas/cultivares, a capacidade de armazenamento de água disponível no solo, estimada com base na sua tex- tura e na profundidade efetiva do sistema radicular.

A qualidade do manejo do solo adotado pelos produtores não é considerada na geração dos resultados do Zarc atual, não obstante o grande potencial que práticas como a adoção plena do sistema plantio direto (SPD) têm em mitigar os riscos de perdas de produtividade por seca. Visando preencher essa lacuna, há uma proposta inovadora para o enquadramento de áreas de produção de soja em quatro níveis de manejo (NMs), segundo indicadores e critérios que refletem os impactos das práticas agrícolas sobre características e processos físicos, químicos e biológicos do solo associados à magnitude dos riscos de perdas de produtividade por seca. Os indicadores indicadores buscam expressar os diferentes níveis de manejo do solo e suas respectivas contribuições no suprimento de água às plantas de soja e, consequentemente, na redução dos  riscos climáticos.

Proposta de níveis de manejo

Em conformidade com a qualidade e o histórico do manejo adotado, a metodologia prevê a adequação de parâmetros dos modelos do Zarc que determinam a disponibilidade de água para a cultura, gerando assim riscos hídricos decrescentes do primeiro ao quarto nível (NM1 ao NM4). “Para o enquadramento nos níveis de manejo, foram selecionados sete indicadores que refletem a qualidade do manejo e a fertilidade do solo, sob o ponto de vista de maior disponibilidade de água e crescimento radicular”, afirma Debiasi.

Os indicadores de níveis de manejo sugeridos são:
  • a quantidade de anos sem preparo do solo;
  • a porcentagem de cobertura do solo na semeadura da soja;
  • a diversificação de culturas consideradas nos últimos três anos;
  • as condições gerais de fertilidade do solo pela concentração de magnésio e potássio (saturação por bases);
  • o teor de cálcio e
  • o percentual de saturação por alumínio.

De acordo com o pesquisador Alvadi Balbinot três dos indicadores refletem diretamente os pilares que fundamentam o Sistema Plantio Direto – SPD (cobertura do solo, mínimo revolvimento e diversificação de espécies vegetais). “Portanto, o SPD se constitui em uma importante estratégia para mitigar o risco climático relacionado à ocorrência de

Outro indicador relevante é o Índice de qualidade estrutural do solo (IQEs), pelo Diagnóstico Rápido da Estrutura do Solo (DRES). O DRES é um método para qualificar a estrutura da camada superficial do solo, baseado em características detectadas visualmente em amostras dos primeiros 25 cm. “A metodologia apresenta aplicação prática para diagnosticar se o solo apresenta compactação ou ainda se está apresentando melhorias em função das práticas adotadas, quando realizado de maneira sequencial ao longo do tempo”, diz.

Expectativa com o Zarc NM – Soja

Com a incorporação dos níveis de manejo nos trabalhos de Zarc, “espera-se maior fidelidade na representação dos sistemas produtivos; melhor caracterização e quantificação dos riscos hídricos à cultura; valorização dos bons produtores e indução ao uso de boas práticas agrícolas; redução dos riscos e maior estabilidade da produção, contribuindo para a maior sustentabilidade dos sistemas agrícolas”, destaca Farias

Desafio na adoção do SPD

A manutenção da cobertura do solo e a preservação ou aumento do teor de matéria orgânica e a melhoria das propriedades (físicas, químicas e biológicas) do solo são, portanto, benefícios que se obtém mediante a adoção do Sistema Plantio Direto.

Segundo a Federação Brasileira do Sistema Plantio Direto, o SPD está presente em cerca de 33 milhões de hectares no Brasil, porém, a maior parte dessa área não atende de forma integral às premissas do sistema, restringindo-se, à mínima mobilização do solo pela eliminação de operações de preparo do solo.

Papel da água na soja

Em trabalhos conduzidos na Embrapa Soja, em Londrina (PR) ao longo de 15 safras, verificou-se que os maiores rendimentos de grãos de soja foram obtidos com 650 a 700 mm de água, bem distribuídos ao longo de todo o ciclo.  De acordo com Farias, a água desempenha a função de solvente, transportando gases, minerais e outros solutos na planta, além de atuar como regulador térmico, agindo tanto no resfriamento como na manutenção e na distribuição do calor.

“A disponibilidade de água é importante, principalmente em dois períodos do ciclo de desenvolvimento da soja: germinação-emergência e floração-final de enchimento de grãos”, diz Farias. “Porém, para garantir máximo rendimento de grãos, a água necessária deve ser disponibilizada ao longo de todo o ciclo, a fim de atender as exigências da cultura, podendo ser suprida através da chuva, da irrigação ou pelo armazenamento de água no solo”.

A adoção do SPD de forma isolada não é, na maioria das situações, condição suficiente para o controle efetivo das perdas de água, solo e nutrientes por erosão hídrica. “A falta de manutenção ou eliminação parcial ou total dos terraços, sem critério técnico, associada à realização das operações mecanizadas paralelamente ao declive, pode resultar em elevadas perdas de água, solo e nutrientes por erosão hídrica, mesmo em SPD, comprometendo a sustentabilidade do sistema de produção de soja”, explica Franchini.

Perdas por seca

De 2013 a 2021, 48% das coberturas deferidas por perda no Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (Proagro) foram motivadas por seca, enquanto a chuva excessiva e as geadas representaram perdas de 20% e de 19%, respectivamente. Além disso, a Embrapa Soja fez um levantamento na região Sul do Brasil e Mato Grosso do Sul, confirmando que a seca ocorrida nestes estados, na safra 2021/22, reduziu a produção de soja em 403 milhões de sacas.

Soja

A soja é atualmente a cultura com a maior área cultivada (44 milhões de ha) e produção (154 milhões de t) no Brasil, o que torna o País o maior produtor e exportador mundial do grão. As exportações renderam US$ 48 bilhões (40% do total correspondente ao agronegócio).

BBLIOGRAFIA E LINKS RELACIONADOS

DEBIASI, H.; MONTEIRO, J. E. B. de A.; FRANCHINI, J. C.; FARIAS, J. R. B.; CONTE, O.; CUNHA, G. R. da; MORAES, M. T. de; BALBINOT JUNIOR, A. A.; SILVA, F. A. M. da; EVANGELISTA, B. A.; MARAFON, A. C. Níveis de manejo do solo para avaliação de riscos climáticos na cultura da soja. Londrina : Embrapa Soja, 2022. 137 p. (Documentos / Embrapa Soja, ISSN 2176-2937 ; n. 447).

Embrapa/Notícias – Embrapa apresenta indicadores de manejo do solo para avaliação de risco climático na soja. Agosto de 2023.

 

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Tags: Análise de Risco, clima, Climate, Climatology, Manejo do solo, Níveis de manejo, Soil management, soja, Soybeans, zarc

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