EspecialistasMsc. Priscila Amaro
0

Manejo genético de nematoides: como utilizar essa ferramenta

Manejo genético de nematoides

O manejo genético consiste no uso de cultivares resistentes, porém em alguns casos não temos disponibilidade de cultivares resistentes, podendo-se optar por cultivares que apresentem baixa multiplicação da espécie de nematoide presente na área.

Ao contrário do que se imagina, o uso de cultivares resistentes não garante uma “blindagem”, o patógeno (nematoide) ainda consegue se multiplicar, uma cultivar resistente é aquela que restringe a multiplicação do nematoide e no máximo ele se mantém na área.

Em alguns casos, principalmente em áreas com alta densidade de nematoides é importante conciliar outras ferramentas junto com o uso de cultivares para garantir menor multiplicação e consequentemente maior produtividade da cultura de interesse na área infestada.

Existem alguns detalhes que é necessário entender para o uso dessa ferramenta, portanto o objetivo desse artigo é mostrar esses detalhes e esclarecer alguns mitos em relação ao assunto.

1. CONCEITOS SOBRE MANEJO GENÉTICO

Existem vários mitos em relação aos conceitos relacionados ao manejo genético, as diferenças entre uma planta suscetível, resistente, tolerante, intolerante.

Observando a Figura 1 podemos entender um pouco melhor esses conceitos em relação a produção da cultivar na presença dos nematoides.

 Planta resistente:  quando a planta tem a capacidade de restringir a multiplicação do nematoide (FR <=1), ou seja, que apresente FR (fator de reprodução) menor ou igual a 1. Isso significa que a população do nematoide na área pode diminuir ou no máximo se manter igual, isso acontece porque a resistência para nematoides não é completa e só existe até o momento para nematoides sedentários como os nematoides das galhas (Meloidogyne sp.) e nematoide de cisto da soja (Heterodera glycines). Não existem cultivares resistentes para nematoides migradores porque existem dificuldades de se estudar a relação patógeno-hospedeiro devido ao hábito de parasitismo, o nematoide migra e vai se alimentando, isso acontece rapidamente e os pesquisadores não conseguem identificar o que está envolvido nessa relação de parasitismo, já para os sedentários o nematoide passa grande parte do ciclo paralisado se alimentando através do sitio de alimentação, nesse caso é possível obter mais detalhes que ajudam nos estudos de resistência genética.

Planta suscetível: planta que não restringe a multiplicação do nematoide, o nematoide adentra o sistema radicular e consegue fechar o ciclo normalmente e isso causa perdas de produtividade a cultura e aumento da densidade do nematoide na área (FR >1).

Planta não hospedeira ou imune: planta que não tem relação com o patógeno, o nematoide não é atraído para as suas raízes, por exemplo, algodão x Meloidogyne javanica, essa relação de parasitismo nunca foi relatada (FR=0), já para a espécie M. incognita essa relação é positiva, sendo uma espécie de importância econômica para o algodoeiro.

Planta tolerante: planta que tolera a presença do nematoide e não sofre com grandes perdas de produtividade, tolerância tem a ver com a produção, nesse caso, o nematoide se multiplica normalmente (FR>1), em alguns casos com fator de multiplicação até maior que uma planta suscetível, porém essa resposta em produtividade não é tão drástica quanto na planta suscetível.

Crescimento da planta
Aumento da população de nematoides Suscetível

Não hospedeira

Resistente Tolerante

Figura 1. Crescimento de plantas de acordo com sua característica genética (Nema no Campo).

2. MECANISMO DE AÇÃO DAS CULTIVARES RESISTENTES

Para culturas anuais e perenes temos algumas opções de cultivares resistentes principalmente aos nematoides sedentários, como já mencionado anteriormente.

Para a cultura da soja, milho, algodão, podemos utilizar dessa ferramenta, lembrando que em áreas com alta densidade deve se utilizar outra ferramenta em conjunto (manejo químico ou biológico), por que isso é indicado?

Uma cultivar resistente não tem resistência completa ao nematoide, então alguma multiplicação ainda vai ocorrer, alguns nematoides vão conseguir se multiplicar normalmente, isso acontece porque a resistência para nematoides é pós-infeccional por hipersensibilidade.

Reação de hipersensibilidade é quando a planta resistente reage ao parasitismo do nematoide, necrosando as células ao redor do tecido nutridor, esse mecanismo acarreta um gasto energético bem alto para a planta, além de perdas de tecido das raízes, acarretada pelo mecanismo, pois o tecido nutridor nesse momento já se encontrava completamente formado ou em formação, se a população na área for muito alta, esse efeito pode ser negativo, pela falta de sistema radicular para suportar a presença dos nematoides. Esse mecanismo garante que o nematoide não conclua o seu ciclo de vida, diminuindo assim a densidade na área.

Importante: Com uso de cultivar resistente + manejo químico ou biológico, essa proteção extra (produto) é uma proteção que impede a entrada dos nematoides, assim a cultivar resistente terá que desencadear esse mecanismo com menos nematoides, consequentemente isso garante menor gasto energético e menores perdas de produtividade.

3. DETALHES DO USO DE CULTIVARES TOLERANTES, COMO FICA O MANEJO?

Quando temos uma área infestada é comum o produtor observar quais cultivares se desempenham melhor frente aos nematoides presentes, algumas produzem mais que outras, isso pode ocorrer devido a níveis de tolerância diferentes ou até mesmo pela resistência, lembrando que tolerância e a capacidade de produzir mesmo na presença dos nematoides.

O uso de cultivares tolerantes podem aumentar consideravelmente a densidade populacional dos nematoides na área, portanto é necessário tomar certos cuidados no uso de cultivares em áreas infestadas, principalmente quando ela é suscetível ou tolerante o uso de outra ferramenta junto deve ser considerado, com isso garantimos produtividade e convivência com os nematoides na área.

4. CONSIDERAÇÕES

O uso de cultivares resistentes no manejo de nematoides é essencial, visto o custo benefício (na semente já vem a característica de resistência), não é necessário abrir mais de mais recursos para uso da ferramenta e sustentabilidade. Para melhores resultados alguns detalhes devem ser seguidos como mostrado nesse artigo.

BIBLIOGRAFIA E LINKS RELACIONADOS

– BROWN, D.J.F.; FERRAZ, L.C.C.B. Nematologia das plantas: fundamentos e importância. Manaus: Norma Editora, 2016. 251 p. Disponível em: http://www.nematologia.com.br/files/livros/1.pdf

– FERRAZ, S.; FREITAS, L.G.; LOPES, E.A.; DIAS-ARIEIRA, C.R. Manejo Sustentável de Fitonematoides. Viçosa: Editora UFV, 2011. 304p. Disponível para compra em: https://www.editoraufv.com.br/produto/manejo-sustentavel-de-fitonematoides/1108956

– GRIGOLLI, J.F.J.; ASMUS, G.L. Manejo de nematoides na cultura da soja. Tecnologia e produção: Soja 2013/2014. p.195-203. Disponível em: https://www.alice.cnptia.embrapa.br/bitstream/doc/985986/1/cap.9.pdf

Espaço para parceiros do Agro aqui

Tags: , , ,

Posts Relacionados

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Preencha esse campo
Preencha esse campo
Digite um endereço de e-mail válido.
Você precisa concordar com os termos para prosseguir

dezembro 2021
D S T Q Q S S
 1234
567891011
12131415161718
19202122232425
262728293031  
LinkedIn
YouTube
Instagram
Menu