O desperdício de alimentos é um problema global, e o Brasil, apesar de ser um dos maiores produtores de alimentos do mundo, enfrenta desafios significativos nesse campo. Em 2023, cerca de 4,1 bilhões de reais em frutas e hortaliças foram descartados por redes varejistas nacionais. Parte desse desperdício decorre de ineficiências nas etapas anteriores da cadeia produtiva, como o planejamento inadequado da safra e a falta de acesso a sementes de qualidade, além de questões logísticas, como transporte e armazenagem deficientes.
A falta de dados abrangentes sobre o desperdício de alimentos no Brasil dificulta a criação de estratégias eficazes para combatê-lo. Embora estudos já tenham mapeado várias causas dessas perdas, o país não possui informações suficientes para apoiar dados como os divulgados pela FAO, que colocam o Brasil entre os maiores desperdiçadores de alimentos. Estima-se que 9 milhões de toneladas de alimentos são descartadas anualmente por famílias brasileiras, um volume que contribuiria significativamente para as emissões de metano dos aterros sanitários, exacerbando as mudanças climáticas.
Para mitigar esse problema, é necessário promover sistemas alimentares mais circulares, substituindo a lógica de economia linear. Governos locais têm papel fundamental em implementar políticas de apoio à agricultura urbana, hortas comunitárias e comercialização de alimentos sustentáveis. O engajamento de startups, instituições e sociedade civil, juntamente com iniciativas governamentais, como o Pacto Contra a Fome e o Luppa, demonstra que o Brasil tem potencial para liderar a transformação alimentar, combatendo o desperdício e promovendo uma economia mais sustentável e inclusiva.
Fonte: Portal Embrapa 06/10/2024 –
Pesquisa de Gustavo Porpino (Atua na equipe de PD&I da Embrapa Alimentos e Territórios. É doutor em administração pela FGV-EAESP, colaborador do PNUMA e cofundador do Pacto Contra a Fome).