Dra. Gabriela GerhardtFruticulturaUva
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Principais pragas da cultura da videira: Cochonilhas, Ácaros e Mosca-das-frutas

Principais pragas da cultura da videira: Cochonilhas, Ácaros e Mosca-das-frutas

A viticultura é uma atividade importante para a sustentabilidade da pequena propriedade e para o desenvolvimento das regiões brasileiras. Trata-se de um setor da fruticultura de grande importância socioeconômica, capaz de gerar renda e manter os produtores e suas famílias no campo. No Brasil, a videira tem sido cultivada do sul ao norte do país, com diversas cultivares de uva adaptadas às diversas realidades climáticas, tecnológicas e mercadológicas deste ramo da fruticultura.

A produção de uvas é dividida em dois grupos: um formado pelas uvas europeias (Vitis vinifera), chamadas de uvas finas; e outro formado pelas uvas americanas ou rústicas (Vitis labrusca ou híbridas). Embora esta espécie esteja historicamente associada a climas mediterrâneos secos e quentes, hoje em dia o cultivo de videiras se espalha por todo o mundo.

A Vitis vinifera é tipicamente cultivada em condições de clima frio no inverno e quente no verão (temperadas) e a colheita é destinada principalmente à produção de vinho. Já nas regiões tropicais, a maioria das áreas de produção de uva tem sido usada para o cultivo de Vitis labrusca.

No Brasil, a produção de uva ocupou em 2018 uma área de 78 mil hectares, com produção anual de 984.244 toneladas. De acordo com os dados do IBGE (2018), mais de 50% da área total de produção está concentrada no estado do Rio Grande do Sul (48397 ha), e os demais principais produtores são: Pernambuco (8.537 ha), São Paulo (7.348 ha), Santa Catarina (4.426 ha) e Paraná (3.664 ha).

Sobre as pragas da videira, já foram relatadas aproximadamente 160 espécies de insetos que se alimentam da planta, porém, poucas atingem a situação de praga que exija a adoção de medidas de controle. Em determinadas regiões, dependendo da localização e manejo do parreiral, insetos podem alimentar-se de folhas e/ou frutos, porém, tais insetos são considerados de importância secundária. Além disso, dependendo da finalidade da produção (mesa ou processamento), a exigência por qualidade é diferenciada, fazendo com que a importância das pragas seja alterada. Entretanto existem alguns insetos que ocorrem de maneira recorrente e podem acabar prejudicando o desenvolvimento da cultura e são estes insetos que iremos apresentar a seguir.

1. Cochonilhas

As cochonilhas são insetos que danificam as plantas através da sucção de seiva, provocam fitotoxicidade devido à injeção de enzimas digestivas, depositam excreções açucaradas nas folhas, resultando no aparecimento da fumagina (desenvolvimento de fungos de coloração escura sobre as folhas, Figura 1), sendo, às vezes, responsáveis pela transmissão de agentes patogênicos. As principais espécies registradas nos vinhedos do Brasil são descritas a seguir:

1.1. Cochonilhas-do-tronco (Hemiberlesia lataniae, Duplaspidiotus tesseratus)

Estas cochonilhas são semelhantes quanto ao tamanho e a forma da carapaça, dificultando a identificação no campo. Praticamente não existem informações sobre a biologia das espécies na cultura da videira o que dificulta o estabelecimento de medidas de controle.  As cochonilhas se grudam aos troncos das plantas, principalmente as mais velhas (Figura 2). Ao se alimentarem, causam o definhamento das plantas, podendo provocar a morte.

Figura 1. Fumagina em folha de videira. Foto: Coutinho (2011)

Figura 2. Cochonilha-do-tronco. Foto: Botton (2004)

1.2. Cochonilhas-algodonosas (Pseudococcus spp. e Planococcus spp.)

As espécies desse grupo são chamadas de cochonilhas brancas em função da cera pulverulenta que recobre o corpo dos insetos, dando aspecto de algodão. São de pequeno tamanho, gregárias (unidas), vivem sobre folhas, frutos, ramos e brotos, podendo também afetar as raízes. Devido ao reduzido tamanho e localização, muitas vezes, junto ao sistema radicular, a cochonilha tem passado de forma desapercebida pelos produtores. A incidência dessas espécies frequentemente está associada a formigas doceiras em função da secreção açucarada que liberam. As espécies presentes nos parreirais do Brasil ainda não estão bem descritas.

As cochonilhas incidem sobre ramos, tronco (lenho velho) e raízes, resultando no enfraquecimento da planta, com consequente perda da produção. A maior preocupação com a ocorrência dessas cochonilhas, nos vinhedos, diz respeito à reconhecida capacidade das mesmas atuarem como transmissoras de vírus.

Figura 3. Cochonilhas-algodonosas. Foto: E. Prado

 

2. Ácaros da Videira

Os ácaros têm sido pragas importantes em regiões tropicais onde o clima é seco, favorecendo a multiplicação. As espécies mais frequentes associadas à cultura da videira e que podem ser consideradas pragas são as seguintes:

2.1. Ácaro branco (Polyphagotarsonemus latus)

O ácaro branco é uma praga polífaga e cosmopolita, possui tamanho reduzido (machos e fêmeas medem aproximadamente 0,17 mm e 0,14 mm de comprimento, respectivamente), dificilmente visualizado a olho nu. O macho, mesmo sendo menor que a fêmea, possui o hábito de carregar a pupa desta para acasalamento no momento da emergência. Os ovos são depositados isoladamente na face inferior das folhas. O ataque ocorre somente nas folhas novas da videira, não havendo presença de teias. Temperatura e umidade elevadas favorecem as infestações.

O ataque do ácaro branco provoca um encurtamento dos ramos da videira como resultado da alimentação contínua das folhas novas (Figura 4). Em situações de elevada infestação, as folhas ficam coriáceas e quebradiças, podendo ocorrer à queda das mesmas. O ataque é mais importante em plantas novas, tanto em mudas como nos porta-enxertos, visto que a praga reduz o desenvolvimento, atrasando a formação do parreiral.

Figura 4. Folhas novas e ponta dos ramos pouco desenvolvidos, com entrenós curtos, devido a ataque de ácaro-branco Foto: Marcos Botton

2.2. Mosca-das-frutas (Anastrepha fraterculus (Wied.)

As moscas-das-frutas medem de 4 mm a 8 mm de comprimento (Figura 5), que varia conforme a espécie, apresentando coloração amarela. As fêmeas apresentam, no extremo do abdômen, a terebra, que funciona como aparelho perfurador e ovipositor. Antes de iniciar a reprodução, as fêmeas necessitam amadurecer os ovários e, para isso, alimentam-se de substâncias a base de proteínas e açúcares que geralmente encontram nos frutos de espécies como goiabas, pêssegos, ameixas, uvas, peras, nectarinas e outras, cultivadas ou nativas.

Figura 5. Moscas-das Frutas. Foto: Marcelo Zart.

O número de ovos por fêmea pode variar de 100 a 400, dependendo da espécie. A oviposição é realizada no interior das bagas, onde se desenvolvem as larvas que abandonam os frutos para crescer no solo. Após o acasalamento e o amadurecimento dos ovários, a fêmea fecundada procura outros frutos hospedeiros, realizando novamente a postura, continuando seu ciclo biológico.

A mosca-das-frutas pode provocar a queda prematura dos frutos, depreciando-os comercialmente, além de abrir porta de entrada para doenças. O desenvolvimento e consequente caminhamento das larvas no interior das bagas causam estrias de cor marrom, correspondentes às galerias abertas que são visíveis através da película, principalmente quando se trata de cultivares de uvas brancas (Figura 6).

Figura 6. Galerias causadas pelo caminhamento das larva de mosca das frutas. Foto: Marcos Botton

BIBLIOGRAFIA E LINKS RELACIONADOS

Bertolo, F.O.A.; Ott, A.P.; Ferla, N.J. Boletim técnico da fundação estadual de pesquisa agropecuária, Secretaria da Agricultura, Pecuária e Agronegócio Rio Grande do Sul – Brasil, 2011.

Botton, M.; Vasco, S.J.S.; Hickel, E.R. Embrapa Uva e Vinho. Sistema de Produção, 8.Versão Eletrônica, 2005.

Coutinho, C. A cochonilha algodão (Pseudococcus (=Planococcus) citri Risso) na Vinha. Direcção Regional de Agricultura e Pesca do Norte, Ficha Técnica 43, 2011.

Da Silva, J.N. Viabilidade agroeconômica da viticultura nas regiões norte e noroeste fluminense. Tese Doutorado. Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro, 2020.

https://acervodigital.ufpr.br/bitstream/handle/1884/14833/Cinco_Capitulos_corrigi..;jsessionid=B94A2537170F85E863AC56F9612B994B?sequence=1

https://www.embrapa.br/uzum/mosca.html

https://www.cnpuv.embrapa.br/uzum/uva/cocho_tronco.html

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