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GERAIS

Novo Ministro destaca o acesso a alimentos e o diálogo internacional como principais desafios do Mapa

Ao receber o cargo de ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro destacou a importância da agropecuária para garantir alimentação para todos os brasileiros. “Imagine quantos brasileiros não puderam almoçar hoje. Esse é nosso primeiro desafio. E a agricultura, a produção de alimentos tem um papel fundamental”, destacou.

Para Fávaro, é preciso capacitar as pessoas para que possam ter uma renda maior. “Temos que pensar na renda, na qualificação, no treinamento e capacitação das pessoas para que homens e mulheres desse país possam, com o suor do seu trabalho, ter dignidade, comprar seu alimento e viver melhor”.

Segundo o ministro, o principal gargalo do Ministério da Agricultura é a imagem do Brasil em relação à questão ambiental. “O Brasil se tornou pária mundial em relação ao meio ambiente e à produção sustentável. Precisamos reconstruir pontes com a comunidade internacional não porque eles querem, mas porque se faz necessário”.

Carlos Fávaro enfatizou que se hoje o Brasil é um dos maiores players mundiais na produção agropecuária é graças à inovação tecnológica desenvolvida nos últimos anos. O primeiro compromisso assumido por ele durante a cerimônia de posse foi o fortalecimento da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).

Lembrando os questionamentos sobre as relações do Mapa com o Ministério do Meio Ambiente e com o recém-criado Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Fávaro disse que “todos se surpreenderão”. “Estamos todos no mesmo lado”, disse para a plateia que acompanhava a cerimônia de transmissão de cargo de ministro, no auditório da sede da Embrapa.

Biografia

Carlos Henrique Baqueta Fávaro nasceu em Bela Vista do Paraíso (PR). É agropecuarista e Senador da República. Ingressou na vida política após anos de trabalho no agronegócio, onde tornou-se vice-presidente da Associação dos Produtores de Soja do Brasil (Aprosoja Brasil), em 2010, e presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho do Estado de Mato Grosso (Aprosoja-MT). Também presidiu a Cooperativa Agroindustrial dos Produtores de Lucas do Rio Verde (Cooperbio Verde).

Entre 2015 e 2018, ocupou o cargo de vice-governador do estado de Mato Grosso. Em abril de 2016, foi nomeado secretário de Estado de Meio Ambiente de Mato Grosso, cargo que ocupou até dezembro de 2017. Em 2020, tomou posse do mandato como Senador da República substituto até o resultado de eleição suplementar convocada pelo TRE-MT. Venceu a disputa e conquistou o cargo de Senador até 31 de janeiro de 2027.

Fonte: Mapa

Novas regras para uso de sementes entram em vigor no Brasil

Foi publicada no Diário Oficial da União a Portaria n° 538 que estabelece as normas para a produção, a certificação, a responsabilidade técnica, o beneficiamento, a reembalagem, o armazenamento, a amostragem, a análise, a comercialização e a utilização de sementes. As novas normas gerais de sementes entram em vigor no dia 1º de março de 2023, revogando a Instrução Normativa nº 09/2005 e partes das Instruções Normativas nº 15/2005 e nº 25/2017.

A nova Portaria se adequa à realidade e às necessidades atuais do setor nacional de sementes e se alinha com Decreto nº 10.586/2020, novo regulamento da Lei nº 10.711/2003 (Lei de Sementes e Mudas), que criou oportunidades para a modernização da legislação de sementes e mudas por meio das normas complementares.

As normas estabelecidas atingem dois grupos: agentes envolvidos nas atividades de produção, certificação, beneficiamento, armazenamento, análise e reembalagem de sementes, com fins comerciais, incluindo responsáveis técnicos e amostradores; e agricultores que utilizam sementes como insumo, com destaque para aqueles que reservam sementes para uso próprio.

Para o primeiro grupo, entre as novidades, os documentos exigidos para as inscrições de campo foram reduzidos, mantendo-se apenas as exigências essenciais para as atividades de controle e fiscalização por parte do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). Também foi estabelecido o termo aditivo para tratamento e/ou alteração de tamanho de embalagem. Uma antiga demanda do setor regulado, que possibilitará a alteração da configuração de lotes ou partes de lotes produzidos, flexibilizando o atendimento às demandas do mercado.

Outro ponto da norma para esse grupo é que a autorização para transporte de sementes destinadas à conclusão do processo de produção em unidade da Federação distinta daquela onde se iniciou não será mais exigida. O Decreto nº 10.586/2020 já havia possibilitado a dispensa da autorização, mas ainda era exigida pela IN nº 9/2005. Com a nova Portaria, as sementes transportadas nestas condições deverão estar acompanhadas apenas do comprovante de inscrição do campo no Mapa.

“Isso representará uma grande desoneração, tanto para o Mapa quanto para o setor regulado, e possibilitará o direcionamento de esforços para outras atividades mais efetivas em termos de garantia e controle de identidade e qualidade das sementes”, explica a coordenadora-geral de Sementes e Mudas, Virgínia Carpi.

Já para o segundo grupo, foi regulamentada a reserva técnica, prevista no Decreto nº 10.586/2020. De acordo com a Portaria, será admitida uma reserva técnica correspondente a até 10% da quantidade de sementes necessária para a semeadura das áreas do agricultor na safra seguinte.

Outra mudança prevista para esse grupo é que as exigências para a declaração de área para a reserva de sementes para uso próprio (declaração de uso próprio), que antes eram estabelecidas apenas para as cultivares protegidas, agora passam a valer para as cultivares de domínio público, atendendo ao disposto no Decreto nº 10.586/2020.

Fonte: Mapa

Livro apresenta tecnologias para a agricultura de baixo carbono no Semiárido

A Embrapa Semiárido (Petrolina-PE) lança o livro ‘Agricultura de Baixa Emissão de Carbono em Regiões Semiáridas – Experiência Brasileira’, obra que traz em 16 capítulos  um amplo panorama das contribuições da pesquisa para o desenvolvimento de agroecossistemas sustentáveis.

A obra tem como editoras técnicas as pesquisadoras da Embrapa Francislene Angelotti e Vanderlise Giongo.

Abordando os fatores naturais e históricos dentro do contexto do Semiárido brasileiro, tendo em vista o desenvolvimento de uma agricultura de baixo de carbono, o livro apresenta também diversas tecnologias e práticas que ajudam na redução da emissão de gases do efeito estufa, além de medidas de adaptação que já estão sendo executadas na região, explica a editora Franscilene Angelotti.

Dentre essas tecnologias, destaca-se a seleção de espécies de plantas tolerantes aos estresses bióticos e abióticos, uso de condicionadores de solo com múltiplas funções, adoção de sistemas de plantio direto, uso de adubos verdes, tecnologias para estocar água e melhorar sua eficiência e produtividade, a incorporação de fontes energéticas renováveis, experiências de integração lavoura-pecuária-floresta e desenhos de agroecossistemas multifuncionais.

A chefe-geral da Embrapa Semiárido, Maria Auxiliadora Coêlho, ressalta ainda o compromisso da Embrapa em torno da temática. “O Semiárido brasileiro é uma região que já vem sofrendo com os impactos negativos das mudanças climáticas sobre os seus recursos naturais e sistemas agropecuários. Frente a esses desafios, a pesquisa tem tido um papel importante em promover ações para a sustentabilidade da agropecuária regional, a segurança alimentar, a preservação dos recursos naturais e o controle das emissões dos gases do efeito estufa”.

A necessidade de formulação de políticas públicas para incentivar a adoção das tecnologias também foi destacada por Auxiliadora. “O livro faz análises e traz elementos que podem subsidiar a proposição de políticas públicas, na perspectiva de aumentar a resiliência dos sistemas produtivos regionais e a capacidade adaptativa da sociedade e propor novas oportunidades econômicas”, finaliza a gestora.

Para baixar a publicação, clique aqui

Fonte: Embrapa

Embrapa lança série sobre eixos da pesquisa na cultura soja

A partir de janeiro de 2023, a Embrapa Soja lança a webserie Pilares para Sustentabilidade da Soja Brasileira, cujo objetivo é compartilhar, em aproximadamente 20 minutos, no canal da Embrapa Soja no Youtube, assim como no site temático da webserie, cinco episódios audiovisuais com os principais eixos atuação de pesquisa.

O episódio inicial, a ser veiculado neste dia 5 de janeiro, introduz o tema e é apresentado pelo chefe-geral da Embrapa Soja Alexandre Nepomuceno e pelo chefe de Administração Adilson de Oliveira Jr. Durante o mês de janeiro, serão divulgados os outros conteúdos da webserie com os seguintes títulos: Soja Baixo Carbono, Bioinsumos, Genética Avançada e Agricultura Digital.

Além de disponibilizar os conteúdo em formato digital em seus canais de comunicação, a Embrapa Soja irá apresentar a webserie e debater a temática de sustentabilidade da soja em diferentes eventos e feiras agrícolas ao longo do ano, a exemplo do  SafraTec 2023 a ser realizado nos dias 18 e 19 de janeiro, em Floresta (PR), do Belasafra 2023, evento promovido pela empresa Bela Agrícola, em Cambé (PR), entre 31 de janeiro a 03 de fevereiro e do Show Rural 2023, evento promovido pela cooperativa Coopavel, de 06 a 10 de fevereiro, em Cascavel (PR)

Confira o cronograma de divulgação:

Webserie Pilares para Sustentabilidade da Soja Brasileira

05/01 – Episódio 1- Apresentação dos eixos de atuação da Embrapa Soja

09/01 – Episódio 2 –  Soja Baixo Carbono

11/01 – Episódio 3 – Bioinsumos

13/01 – Episódio 4 – Agricultura Digital

16/01 – Episódio 5 – Genética Avançada

Onde assistir:

Radar da Tecnologia – canal da Embrapa Soja no Youtube

Site temático da webserie – Pilares para Sustentabilidade da Soja Brasileira.

PRODUÇÃO

Registros de defensivos com baixo impacto bate novo recorde em 2022

Ato nº 64 do Departamento de Sanidade Vegetal e Insumos Agrícolas da Secretaria de Defesa Agropecuária, publicado nesta sexta-feira (30) no Diário Oficial da União, traz o registro de 55 produtos formulados, ou seja, defensivos agrícolas que estarão disponíveis para uso pelos agricultores. Desses, 27 são produtos de baixo impacto.

Com a publicação dos últimos produtos registrados no ano, o Brasil bate novamente o recorde de registros de defensivos de baixo impacto em 2022. “Neste ano, foram 136 novos produtos formulados registrados, entre eles estão 79 produtos com uso autorizado para a agricultura orgânica”, ressalta a coordenadora-geral substituta de Agrotóxicos e Afins, Marina Dourado.

Este é, até o momento, o maior número de registros de produtos desse perfil em um mesmo ano. Os produtos considerados de baixo impacto são importantes para agricultura não apenas pelo impacto toxicológico e ambiental, mas também por beneficiar as culturas de suporte fitossanitário insuficiente (minor crops), pois esses produtos são registrados por pragas e não por cultura, como ocorre com os químicos.

Dos produtos registrados hoje, os produtores rurais terão novas alternativas de produtos de origem microbiológica a base dos organismos inéditos: Isaria javanica, Trichoderma reesei e do baculovirus Spodoptera littoralis nucleopolyhedrovirus (SpliNPV); representando novas alternativas de baixo impacto para controle de pragas e doenças em plantas.

Entre os produtos de baixa toxicidade ainda se destacam aqueles à base dos extratos vegetais de Swinglea glutinosa e Larrea tridentata, fungicidas com uso permitido nas culturas de melão e tomate, entre outros cultivos.

Novas opções químicas

Também destacam-se no Ato nº 64 os deferimentos de produtos formulados à base das novas substâncias: Pinoxadem, herbicida para controle de aveia preta e azevém nas culturas de trigo e cevada; Natamicina, fungicida para tratamento de sementes de soja; e Tiafenacil, herbicida para as culturas de algodão, café, citros, feijão, milho, soja.

“Estes produtos representam novas alternativas para controle de plantas daninhas que podem causar grande impacto à produtividade, com menor toxicidade ao homem e ao meio ambiente do que outras alternativas hoje autorizadas”, destaca Dourado.

Os demais produtos utilizam ingredientes ativos já registrados anteriormente no país. O registro de defensivos genéricos é importante para diminuir a concentração de mercado e aumentar a concorrência, o que resulta em um comércio mais justo e em menores custos de produção para a agricultura brasileira.

Todos os produtos registrados foram analisados e aprovados pelos órgãos responsáveis pela saúde, meio ambiente e agricultura, de acordo com critérios científicos e alinhados às melhores práticas internacionais.

Fonte: Mapa

Monitoramento das lavouras

Algodão

23,0% semeado. Em MT, o clima favoreceu o final da semeadura do algodão primeira safra. A implantação da segunda safra está no início, avançando à medida a soja é colhida.

Na BA, as boas condições climáticas permitiram o avanço do plantio e o bom desenvolvimento inicial das lavouras. Em MS, as lavouras têm apresentado bom desenvolvimento inicial das plantas, sem ocorrência de eventos que afetam negativamente o potencial produtivo. No MA, a região Sul maranhense reduziu o ritmo de semeadura devido às fortes chuvas que ocorreram durante a semana. Em GO, a semeadura segue avançando nas áreas de sequeiro, com boas condições iniciais das lavouras. A região Sul do estado finalizou a semeadura.

Soja

98,4% semeado. Em MT, a colheita é incipiente e a regularização das chuvas tem beneficiado as lavouras. No RS, o plantio evolui lentamente devido à baixa umidade do solo. Muitas lavouras semeadas no início da janela paralisaram o desenvolvimento por falta de umidade. No PR, a maioria das lavouras apresenta bom desenvolvimento, mas algumas áreas do Sudoeste e Oeste têm apresentado os efeitos da menor disponibilidade hídrica. Em GO, as chuvas regulares contribuíram para a recuperação das lavouras. Em MS, 80% das áreas se encontram na fase reprodutiva e com bom desenvolvimento. Em MG, as condições climáticas favoráveis beneficiam as lavouras. Na BA, as áreas de sequeiro estão em desenvolvimento vegetativo e em boas condições. No TO, as lavouras apresentam bom desenvolvimento.

Arroz

88,8% semeado. No RS, as condições climáticas, de dias quentes e secos, têm sido favoráveis ao bom desenvolvimento da cultura. Os tratos culturais relativos às adubações de cobertura e manejo da irrigação foram realizados normalmente. Em SC, não se observou intercorrências fitossanitárias. No TO, o plantio avança para 90% das áreas e as lavouras apresentam bom desenvolvimento vegetativo. Os tratos culturais estão sendo realizado. No MA, o plantio de sequeiro está avançando de forma lenta devido à falta de chuvas na região. Em GO, o plantio permaneceu paralisado devido ao excesso de chuvas na região Norte e Leste do estado.

Milho (1ª safra)

87,3% semeado. No RS, a distribuição irregular das chuvas manteve o déficit hídrico das lavouras em grande parte do estado. Na Fronteira Oeste, a colheita teve início com rendimentos variáveis. Observou-se perdas entre 5 e 100%. Em MG, as condições climáticas favoreceram o bom desenvolvimento das lavouras. No PR, 83% das lavouras estão em boas condições, porém algumas áreas do Oeste e Sudoeste apresentam os efeitos da redução das precipitações. Em SC, chuvas de granizo causaram estragos em lavouras no Vale do Rio do Peixe. As baixas precipitações também afetam lavouras no Oeste do estado. Em SP, a maioria das áreas estão na fase reprodutiva, sendo que as mais precoces apresentam desenvolvimento abaixo do normal devido às baixas temperaturas ocorridas no início do ciclo.

Feijão (1ª safra)

78,5% semeado. 9,5% colhido. No PR, colheita evolui em várias regiões do estado e alcança 13% da área total. As condições recentes são consideradas favoráveis à cultura, com bons níveis pluviométricos e temperatura amena. Em MG, a condição agroclimática tem favorecido a sanidade das lavouras. Na BA, o plantio foi concluído, com a maioria das lavouras em desenvolvimento vegetativo e em boas condições. No RS, a estiagem tem limitado o avanço do plantio de feijão cores e também tem reduzido o potencial produtivo do feijão preto, que está em estágio fisiológico mais avançado. Em SC, 85% das lavouras estão em boas condições, enquanto que 14% estão regulares e 1% ruins. Em SP a colheita foi finalizada.

MERCADO

Conjuntura internacional

Algodão

A semana foi mais curta na bolsa de Nova Iorque devido aos feriados, com o mercado bastante volátil. Queda na cotação do petróleo afetou negativamente o preço do algodão, causando perdas.

Soja

Preços na Bolsa de Valores de Chicago (CBOT) fecham com a média semanal em alta de 1,75% Após seis meses, preços de Chicago voltam a ficar acima de US$ 15,00/bu, motivado por uma menor oferta da Argentina, devido ao clima adverso, e expectativa de aumento da demanda chinesa, devido relaxamento de restrição de medidas de covid.

Milho

Perspectiva de expansão da demanda interna e externa pelo milho brasileiro deverá resultar em ameno viés de alta das cotações do grão no primeiro semestre de 2023 no país.

Indicadores Cepea – Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada

 RETROSPECTIVA 2022
Soja

A safra 2021/22 se iniciou com preocupações quanto à redução da oferta de soja no Brasil, cenário que foi confirmado. Como perdas expressivas também foram verificadas na Argentina e no Paraguai, a maior oferta de 2021 nos EUA não foi suficiente para compensar essas quedas nas produções. Com isso, os estoques mundiais se reduziram, sustentando os preços externos e internos. Na Argentina, maior fornecedora mundial de farelo, além da menor produção do grão, o governo do país, no intuito de conter a crise econômica, elevou em março as tarifas de exportação dos derivados da oleaginosa. O país vizinho também passou por greve de caminhoneiros, que prejudicou as negociações do agronegócio. Como resultado, houve expressivo aumento na demanda mundial por derivados, o que foi reforçado pela guerra da Rússia contra a Ucrânia, que levou à redução da oferta de óleo de girassol, um dos principais concorrentes do óleo de soja. Além disso, alguns países restringiram as vendas externas de óleo de palma. Já no 2º semestre, os preços se enfraqueceram, influenciados pelo acordo entre Rússia e Ucrânia para liberação de parte dos produtos em armazéns ucranianos pelo Mar Negro e pela colheita da safra 2022/23 nos EUA. Na Argentina, o governo estabeleceu um sistema especial chamado de “dólar soja”, com o objetivo de estimular produtores a liquidar parte do estoque. De fato, a liquidez cresceu naquele país, e demandantes externos reduziram o interesse pela soja do Brasil e dos EUA. Já entre outubro e novembro, a demanda externa pelo produto brasileiro esteve firme, puxada por problemas logísticos nos EUA, em decorrência do baixo nível do Rio Mississipi. No último trimestre de 2022, a comercialização no Brasil foi interrompida por bloqueios na rodovia que leva ao porto de Paranaguá (PR), que prejudicaram o transporte de cargas e resultaram em filas de navios nos portos. Além disso, produtores brasileiros voltaram as atenções à semeadura da safra 2022/23 e evitaram negociar o excedente de 2021/22. No balanço do ano, o valor médio de 2022 da soja em grão é um recorde anual, em termos reais.

Trigo

Em 2023, o Brasil pode se tornar um importante player nas transações internacionais de trigo. Segundo pesquisadores do Cepea, atualmente, o País é um grande importador, mas o setor nacional deve aproveitar as oportunidades postas diante da menor oferta argentina e dos problemas logísticos no Mar Negro e elevar sua participação nas exportações mundiais. Assim, estimativas apontam que o Brasil pode se tornar o 10º maior exportador global da commodity na temporada 2022/23. No geral, a previsão é de que a produção de trigo no País continue aumentando em 2023, especialmente diante dos elevados preços praticados nos mercados interno e externo. Desta forma, ao longo do tempo, o volume necessário importado para suprir a demanda interna deverá seguir reduzindo ao mesmo tempo em que se eleva o excedente exportável.

Arroz

O setor agrícola do arroz espera que o ano de 2023 siga com preços firmes, em linha com o observado no segundo semestre de 2022, fundamentados na menor oferta prevista para a atual temporada – o Brasil pode colher a safra mais baixa em 21 anos, o que, por sua vez, se deve à redução da área destinada à cultura. Pesquisadores do Cepea ressaltam que o clima seco em partes da região Sul pode reforçar a queda na produção nacional, levando a colheita para o menor volume do século. Segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), no Brasil, a produção da safra 2022/23 deve cair 3,81%, somando 10,38 milhões de toneladas. A diminuição na área é de 9,51%. Em termos mundiais, dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) apontam queda de 2,3% na produção do arroz beneficiado na safra 2022/23 em relação à anterior, somando 503,3 milhões de toneladas.

Algodão

Diante da boa rentabilidade apresentada ao longo dos últimos anos, o setor produtivo de algodão em pluma deve elevar a área com a cultura nesta temporada 2022/23. Porém, a possibilidade de redução na economia mundial, devido ao ambiente inflacionário e a casos de covid-19 na China, segue preocupando os agentes consultados pelo Cepea. A Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) projeta aumento na produção brasileira da safra 2022/23, de 16,6% frente à temporada 2021/22, chegando a 2,973 milhões de toneladas, o que seria o segundo maior volume da história. Este deve ser o resultado da produtividade de 1.815 kg/ha (crescimento de 13,9% frente à safra 2021/22) e da elevação na área semeada, de 2,3%, somando 1,638 milhão de hectares. Por enquanto, agentes consultados pelo Cepea indicam que o clima tem favorecido a semeadura e o desenvolvimento da safra. Cotonicultores, no entanto, seguem atentos à elevação nos custos de produção, sobretudo com os fertilizantes.

Milho

Os preços do milho iniciaram o ano de 2022 em alta, impulsionados pelos estoques de passagem em volumes apertados e por preocupações relacionadas à safra verão de 2021/22 – que, de fato, teve sua produtividade prejudicada pelo clima adverso. Após o primeiro trimestre, agentes consultados pelo Cepea voltaram as atenções à segunda temporada, que teve produção recorde, o que, por sua vez, gerou pressão sobre as cotações desde então. No entanto, as quedas no Brasil foram limitadas pelos elevados valores externos do cereal, diante da oferta mundial enxuta. O conflito entre a Rússia e Ucrânia, iniciado no final de fevereiro, elevou a paridade de exportação e favoreceu os embarques brasileiros.

Açúcar

A temporada 2023/24 que se inicia em abril no Centro-Sul do Brasil pode registrar aumento na produção da cana-de-açúcar, devido à maior produtividade. Estimativas apontam que o Centro-Sul pode produzir de 560 a 595 milhões de toneladas de cana, contra 538,98 milhões de toneladas da atual temporada 2022/23 (dados até o dia 16 de dezembro), conforme dados da Unica. Quanto ao mix de produção, ainda não existe uma posição final de usinas, mas dentre os principais fatores que devem conduzir essa decisão tem-se o direcionamento do atual governo federal e a política de preços a ser adotada pela Petrobras, que podem definir a competitividade relativa do etanol com a gasolina. Por enquanto, as estimativas são de que a produção de açúcar na região Centro-Sul cresça e some de 36 a 37 milhões de toneladas na temporada 2023/24.

Etanol

O setor sucroenergético nacional inicia 2023 ainda incerto quanto à produção de cana-de-açúcar na safra 2023/24 da região Centro-Sul do País, que se inicia oficialmente em abril. Segundo os pesquisadores do Cepea, consultorias que fazem estimativas divergem em volumes projetados por cerca de 40 milhões de toneladas, mas todas indicam alguma elevação da moagem. Para o etanol, especificamente, uma análise prospectiva do mercado deve abordar condições internacionais previstas para combustíveis fósseis, mesmo que ainda não haja definição sobre a política de repasse de preços a ser adotada pela Petrobras. Analistas do mercado de combustíveis consideram que, em 2023, a cotação média do petróleo deve ficar abaixo da verificada em 2022, fundamentados na desaceleração da economia mundial. Apesar da prevista redução do preço de combustíveis fósseis em 2023, este ainda deve operar em patamares superiores aos registrados em 2020 e 2021, o que minimiza o efeito “teto” que é adverso ao mercado de combustíveis renováveis. Além da velocidade dos repasses dos preços internacionais de petróleo e derivados para os domésticos, outros fatores causam grande incerteza sobre os patamares de preços que vigorarão no mercado doméstico de combustíveis renováveis, podendo-se citar especialmente a desoneração dos impostos federais (PIS/Cofins zerados). Outros fatores a serem considerados são a continuidade da fixação do teto da alíquota de ICMS e a redução da base de cálculo deste imposto pelos estados.

CLIMA

Previsão de chuva

O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) prevê chuvas significativas em grande parte do País (tons em vermelho e rosa), além da faixa desde o noroeste da Região Norte, passando por áreas da parte central do País até o leste da Região Sudeste, ocorridos principalmente devido à formação de um canal de umidade que contribui para ocorrência das chuvas (Figura 1). Por outro lado, na costa leste do Nordeste e o estado do Ceará, além de áreas da Região Sul, a previsão é de pouca chuva (tons em azul no mapa).

Previsão por regiões para a semana de 02/01/2023 a 09/01/2023
Norte

Podem ocorrer volumes de chuva maiores que 60 milímetros (mm) em grande parte da região, com acumulados que podem ultrapassar 100 mm em áreas centrais do Amazonas, Pará, Amapá, Tocantins. Nas demais áreas, os volumes serão menores (cerca de 30 mm).

Nordeste

Os maiores acumulados de chuva devem se ocorrer na região do MATOPIBA (área que abrange os estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia) além do extremo sul da Bahia e de Sergipe, com volumes maiores que 50 mm. Enquanto na costa leste da região até o estado do Ceará, há previsão de baixos acumulados de chuva, podendo ser menor que 30 mm.

Centro-Oeste

Há previsão de grandes volumes de chuva, maiores que 80 mm, e que podem ultrapassar 150 mm em grande parte de Goiás e norte do Mato Grosso. No leste do Mato Grosso do Sul, os volumes não devem passar de 70 mm.

Sudeste

As chuvas mais volumosas ficarão concentradas em áreas do centrossul de Minas Gerais, norte de São Paulo e Rio de Janeiro, com volumes que podem ultrapassar os 150 mm. No noroeste de Minas Gerais, Espírito Santo e áreas centrais de São Paulo, os volumes podem ser maiores que 60 mm. No entanto, no nordeste de Minas Gerais, haverá baixos acumulados de chuva no início da semana.

Sul

No início da semana, uma massa de ar quente e úmida provocará chuvas na região, maiores que 50 mm principalmente no noroeste do Paraná e oeste de Santa Catarina. Entre segunda-feira (2/1) e Terça-feira (3/1) um sistema frontal se configura e se desloca em direção ao oceano Atlântico, com possibilidade de pancadas de chuva na região, e, predomínio de tempo seco e sem chuvas nos dias seguintes.

Figura 1. Previsão de chuva para 1ª semana (2 e 9/01/2023). Fonte: INMET.

Ainda conforme o Inmet, entre os dias 10 e 18 de janeiro de 2023, a previsão indica acumulados de chuva significativos, maiores que 50 mm, em grande parte da Região Norte, Centro-Oeste, centrossul do Maranhão e Piauí, na costa leste e faixa norte da Região Nordeste, além do sul da Região Sudeste. Já no leste do Amapá, os volumes de chuva podem ultrapassar 100 mm (figura 2). Já no interior das regiões Nordeste e Sul, são previstos volumes abaixo de 40 mm.

Previsão por regiões para a semana de 10/01/2023 a 18/01/2023
Norte

São previstos acumulados maiores que 50 mm em praticamente toda a região, com exceção do leste do Amapá, onde há previsão de grandes volumes de chuvas, podendo superar os 100 mm.

Nordeste

A chuva mais volumosa ficará concentrada em áreas do Maranhão e Piauí, além da costa leste e faixa norte da Região Nordeste, com acumulados que superiores a 50 mm. Nas demais áreas, podem ocorrer baixos volumes de chuva (menor que 40 mm).

Centro-Oeste

A previsão é de volumes de chuva maiores que 50 mm em grande parte da região, podendo ultrapassar 90 mm no norte do Mato Grosso e de Goiás.

Sudeste

Os maiores acumulados de chuva podem ocorrer em grande parte de São Paulo e centrossul de Minas Gerais, com valores superiores a 90 mm. Nas demais áreas, os volumes de chuva não devem ultrapassar 60 mm.

Sul

A previsão indica maiores volumes de chuva no nordeste do Paraná, com volumes chegando a 90 mm. Nas demais áreas, baixos acumulados de chuva, que não deve ultrapassar 50 mm.

Figura 2. Previsão de chuva para 2ª semana (10 e 18/01/2023). Fonte: GFS.

CURSOS E EVENTOS

Selecionamos uma série de eventos importantes no mundo Agro e que podem interessar você. Todos online!

Batata-doce: da produção de mudas à pós-colheita

Instituição promotora: Embrapa

Data: Contínuo

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Produção Integrada de Folhosas

Instituição promotora: Embrapa

Data: Contínuo

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Biogás: da produção à viabilidade econômica

Instituição promotora: Embrapa

Data: Contínuo

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Cultivo do algodoeiro em sistemas orgânicos no semiárido

Instituição promotora: Embrapa

Data: Contínuo

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Medidas de Prevenção, Monitoramento e Controle da Vespa-da-Madeira

Instituição promotora: Embrapa

Data: Contínuo

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RENIVA – Introdução às estratégias de produção de materiais de plantio de mandioca

Instituição promotora: Embrapa

Data: Contínuo

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Apicultura para Iniciantes

Instituição promotora: Embrapa

Data: Contínuo

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Produção e Tecnologia de Sementes e Mudas

Instituição promotora: Embrapa

Data: 17/02/22 a 31/12/22

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Produção de mudas de cajueiro – enxertia

Instituição promotora: Embrapa

Data: Contínuo

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Viticultura Tropical no Semiárido

Instituição promotora: Embrapa

Data: Contínuo

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