Soja, o surgimento do grão de ouro: Mundo, Brasil e Atualidade

Soja, o surgimento do grão de ouro: Mundo, Brasil e Atualidade

Os primeiros registros do grão surgiram ainda na Ásia, mais precisamente ao redor do rio Yangtse, na China, e descreviam a soja com uma anatomia dissemelhante ao que ela apresenta no mercado hoje. Ainda na China, ao longo dos anos suas características foram sendo modificadas a partir do cruzamento de espécies selvagens de soja e da seleção artificial das cultivares que melhor atendiam as necessidades da população.

Acredita-se que as primeiras citações à planta da soja ocorreram entre 2883 e 2838 A.C., no livro “Pen Ts’ao Kong Um” no qual eram descritas as plantas ao imperador da China e o grão possuía uma grande importância, comparando-se ao arroz, e ao milheto, dentre outros. Todavia, alguns historiadores afirmam que a cultura da soja foi citada muito anteriormente em outros documentos.

Alguns historiadores acreditam que o grão já fazia parte da alimentação dos chineses nos anos de 200 (A.C.), como matéria prima para a produção de alguns alimentos essências como, leite, queijos, pães. O grão na antiga China era tido como uma proteína vegetal, além de ter sido utilizado como moeda na compra e troca por alimentos de algumas sociedades da antiguidade.

Até o término da guerra entre China e Japão, em 1894, toda a produção comercial da cultura do grão da soja esteve sob o controle da China. Entretanto, na Europa, a soja já havia sido inserida no final do século XV como planta ornamental nos jardins botânicos.

Já na segunda década do século XX foram descobertos o alto teor de proteína e óleo oriundos do grão, o que incentivou a tentativa de inserção de grandes plantações na Alemanha, Inglaterra e outros países, porém, as condições climáticas não contribuíram para o desenvolvimento da cultura.

Após o fim da Primeira Guerra Mundial, no ano de 1919, foi comprovado os índices de proteína e óleo, e a leguminosa despertou interesse em diversas indústrias ao redor do mundo, tornando-se um produto com grande importância no mercado exterior. Em 1921, momento em que o mercado da soja já estava se consolidando, foi criada a American Soybean Association (ASA – Associação Americana da Soja, em português), que ajudou a promover a expansão da cultura e novas pesquisas e inovações nos EUA.

1. A CHEGADA NO BRASIL

A cultura da soja foi introduzida de fato no Brasil no ano de 1882 a partir de experimentos realizados na Estação Agropecuária de Campinas, localizada no estado de São Paulo. Logo após foram distribuídas sementes aos produtores paulistas. Outras fontes relatam que a introdução do grão chinês ocorreu no período da primeira imigração europeia no Rio Grande do Sul. Devido à dificuldade de registro na época e à falta de dados com maior confiabilidade, não é possível indicar uma única origem da introdução do grão no país.

2. DESENVOLVIMENTO DA CULTURA

A cultura japonesa imigrante em 1908 impulsionou o cultivo da leguminosa ao longo de todo o país. Em 1914 a cultura foi inserida formalmente no estado do Rio Grande do Sul, que possuía um clima quase semelhante ao dos Estados Unidos da América, país este onde eram iniciados os primeiros estudos e experimentos de novos cruzamentos de cultivares.

Em meados 1966, o país já era responsável por produzir aproximadamente 500 mil toneladas. A cultura começou a movimentar o setor agrícola do país e a exigir um plano estratégico por parte dos produtores e uma logística mais aprimorada para expandirem a produção nos anos seguintes.

Finalmente na década de 70, os preços da commodity começaram a chamar atenção de produtores. Com o passar dos anos, o Brasil se mostrou cada vez mais capaz de produzir a cultura em grande em escala e tanto os produtores quanto o governo optaram por investir em pesquisas, tecnologias e cultivares, num plano de longo prazo para o Brasil se tornar um dos maiores produtores do grão.

Com a disseminação e o desenvolvimento de novas cultivares, tecnologias e apoio à pesquisa na década de 70, o Brasil foi responsável por produzir mais de 1,5 milhões de toneladas de soja por ano. A nível nacional, a cultura já se destacava como uma das principais commodities produzida pelo agronegócio brasileiro.

Nessa mesma época, a sojicultura foi expandida ao longo do território brasileiro e deu início a produção em larga escala, em decorrência à alta demanda internacional pelo grão. A partir desta data, a forte produção e comercialização do grão incentivou institutos oficiais a registrarem dados mais precisos da cultura de forma a melhor compreender a sua importância na economia nacional e internacional.

A Embrapa, fundada nos anos de 1972, foi um dos grandes pilares responsáveis pela pesquisa, desenvolvimento e adaptação da cultura ao longo do Brasil. Dentre suas inúmeras inovações, destaca-se principalmente a geração de cultivares capazes de se adaptarem ao clima tropical e às características de diversos estados, sendo possível realizar o cultivo da soja em regiões como Norte, Nordeste e Centro-Oeste.

Outras técnicas e inovações também auxiliaram na disseminação da cultura na regiões Centro-Oeste. O Plantio Direto, por exemplo, auxilia a reduzir a temperatura do solo, e contribui para a fixação de nutrientes, tornando os solos mais férteis e protegidos. De forma semelhante, a cultura da soja também contribuiu para o desenvolvimento de outras culturas, sendo possível obter uma entressafra produtiva, decorrente dos benefícios que o grão traz para o solo.

Em 1979, a produção nacional da soja ultrapassou 15 milhões de toneladas. O crescimento substantivo possui ligação direta com os investimentos alocados em pesquisas que auxiliaram no ganho de produtividade, ou seja, aumento de produção sem realizar a expansão da área plantada. A produtividade alcançou 1,73 toneladas por ha, métrica que outrora correspondia a 1,14 toneladas por ha, representando um crescimento total de mais de 50%. Além disso, a área plantada também foi expandida, passando de 1,3 milhões de ha para 8,8 milhões de hectares cultivados, reforçando a importância da cultura do grão para o setor agrícola.

Os estudos e cultivos experimentais de cultivares de soja resistente a herbicidas no Brasil iniciaram-se em 1995, após a aprovação da Lei de Biossegurança pelo Governo Federal. No ano de 2005, a lei foi reformulada e foi autorizado o plantio comercial de cultivares resistentes a moléculas de herbicidas, os famosos “transgênicos”, em território nacional.

Com o grande aumento na oferta e a abundância do grão, do farelo e do óleo, grandes empresas agroindústrias e do setor de produção de carne animal sentiram-se confiantes em se consolidarem no Brasil, mais precisamente próximas as regiões produtoras. O mesmo fenômeno foi observado com as cooperativas e companhias de trading, que notaram a oportunidade de auxiliar os produtores em seus empreendimentos e de assessorar esses no momento de comercialização e exportação do grão.

A consolidação dos mercados nacionais e internacionais contribuíram para o desenvolvimento socioeconômico dos países, inclusive do Brasil, gerando novos empregos ao longo de toda cadeia produtiva, e atraindo investimento de instituições privadas e públicas para a inserção de novas indústrias, de estruturas de armazenamento, de redes logísticas, e até mesmos de portos.

A soja é matéria-prima para diversos produtos, portanto diversas outras cadeias ligadas ao agronegócio, como por exemplo a atividade da pecuária, suinocultura e avicultura, que necessitam da matéria prima para o ganho de rendimento da criação, se beneficiaram da forte expansão da cultura, do seu aumento de produtividade, e da redução dos custos de produção e transporte.

A popularização das grandes lavouras, a modernização dos processos, bem como os investimentos em infraestrutura, na otimização das operações de transporte, e no aprimoramento dos processos de armazenagem e de distribuição transformaram o modelo de produção e gestão dos empreendimentos agrícolas. A competição interna exigiu que os produtores buscassem mais qualificação, dinamismo e planejamento, a fim de lidar com operações cada vez mais complexas e tecnológicas. O mercado produtor de soja se caracteriza hoje por ser altamente tecnológico, com novas técnicas de manejo, novas cultivares disponíveis, e processos de gestão fortemente profissionalizados.

3. A SOJA BRASILEIRA GANHA O MUNDO

Ao longo da última década, o Brasil se consolidou nas posições de liderança do mercado internacional, assumindo a primeira colocação de maior produtor mundial na safra de 2019/2020. Na última safra, foram colhidos 124,8 milhões de toneladas e a expectativa para a safra de 2020/2021 é de uma produção ainda maior, mantendo o país na dianteira da corrida mundial. Não por acaso, o agronegócio tornou-se assunto popular tanto nos noticiários econômicos quanto nas discussões geopolíticas brasileiras, evidenciando a importância do setor para a construção do futuro do país.

BIBLIOGRAFIA E LINKS RELACIONADOS

– Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social [BNDES]. 1998. Panorama do complexo soja. Disponível em: https://web.bndes.gov.br/bib/jspui/bitstream/1408/2403/3/BS%2008%20Panorama%20do%20complexo%20soja_P_BD.pdf

– Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária [EMBRAPA]. 2020. História da soja. Disponível em: https://www.embrapa.br/soja/cultivos/soja1/historia#:~:text=Sua%20evolu%C3%A7%C3%A3o%20come%C3%A7ou%20com%20o,por%20cientistas%20da%20antiga%20China.&text=At%C3%A9%20aproximadamente%201894%2C%20t%C3%A9rmino%20da,soja%20ficou%20restrita%20%C3%A0%20China.

– Associação dos Produtores de Soja e Milho do Estado de Mato Grosso [APROSOJA]. 2020. A história da soja. Disponível em: http://www.aprosoja.com.br/soja-e-milho/a-historia-da-soja

 

 

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