AgronegóciosEspecialistasProf. Dr. Omar Sabbag
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Inovar para crescer: importância do planejamento de safra

Manejo da lagarta-do-cartucho do milho

Olá a todos, trago para vocês mais um importante tema a ser discutido entre produtores rurais sobre gestão de propriedades: afinal, qual a importância do planejamento de safra?

Inicialmente, uma propriedade deve ser percebida como uma empresa rural e, como tal, torna-se necessário administrar os três principais fatores de produção, que são terra, trabalho e capital. Assim, sem planejamento e racionalização destes fatores, não há condição para o lucro, destacando que nem sempre produzir bem é garantia de rentabilidade efetiva, pois à medida que a eficiência diminui (considerando, por exemplo, os desperdícios de insumos e ociosidade de horas de trabalho), os custos aumentam!

Quando se trata de planejamento de safra, deve-se responder a quatro questões fundamentais, que são: O que? Como? Quanto? e Como produzir?. Vale lembrar que a etapa de planejamento deve ser realizada na entressafra e o primeiro passo é analisar os dados da safra anterior.

A primeira questão remete ao que plantar? Deve-se considerar a cultura agrícola, expansão ou diversificação em área produtiva e o cenário macroeconômico no país, em se tratando de commodities agrícolas, principalmente no que se refere aos preços históricos dos últimos cinco anos.

Na questão como fazer?, procurar sempre observar a tecnologia incorporada no sistema de plantio (como irrigação e o tipo adequado às reais necessidades da cultura), bem como a utilização de instrumentos de gestão, como o financiamento (crédito rural na modalidade de investimento ou custeio) e o seguro rural, como principal instrumento de transferência de risco em condições adversas de clima.

Em O quanto gastar?, sempre orçamentar os principais insumos em diferentes fornecedores, bem como estimar os principais custos operacionais do ciclo de produção (baseando-se em safras anteriores), considerando ainda a importância da mão de obra qualificada e a manutenção periódica e programada de máquinas e implementos, visando à redução de custos mecanizados ao longo do processo produtivo.

E, por fim, quando efetuar o plantio? Aqui cabe uma importante observação, considerando o adequado período de semeadura para cada cultura, com observância do ZARC (Zoneamento Agrícola de Risco Climático), bem como a expectativa de preços no mercado do agronegócio.

Após estas considerações, segue um breve checklist correspondente a algumas variáveis do planejamento operacional de campo, dentre as quais:

Semente: escolha de variedade registrada pelo MAPA (Ministério da Agricultura); densidade populacional correspondente ao espaçamento entre linhas e entre plantas (que influenciam diretamente no rendimento); frequência de irrigação; período de ciclo;

Análise do solo: saber quais são as condições de fertilidade do solo de cada propriedade; necessidade de amostragem; busca por laboratórios credenciados;

Fertilizantes: observar a relação parcelamento X necessidade adequada nutrientes;

Manejo Integrado de Pragas (MIP): eliminar as ameaças fitossanitárias (pragas, ervas, insetos), o que reduz o número de pulverizações com inseticidas e de consequentes custos, por meio de algumas práticas, como rotação de culturas, mudas sadias, eliminação de plantas doentes, época de plantio correta e controle genético (variedades resistentes);

Capacidade operacional: mão de obra disponível e equipamentos necessários (manutenção de máquinas pode reduzir até 25% dos custos);

Custos: conhecer os principais coeficientes técnicos e correspondentes custos de produção efetivo e total; interpretar os indicadores rentabilidade; aplicar a gestão automatizada (softwares);

Variedade do cultivo: adequar às condições edafoclimáticas, apresentando maior resistência à pragas e doenças.

Em síntese, além do planejamento operacional, deve observar também o planejamento técnico, o qual deve anteceder ao plantio, considerando a previsão de cultivo, principais atividades e operações, previsão de compras de insumos e contratação/capacitação de mão de obra, bem como o planejamento financeiro, que remete à saúde econômica da atividade, com projeções para novos investimentos, considerando a possibilidade de expansão ou diversificação de cultivo, por meio de análise de dados de mercado e safras anteriores.

Ou seja, “jamais planejamos fracassar em nossas atividades, mas fracassamos em não planejar, por isso a relevância do planejamento de safra como uma das principais funções da gestão de quem produz”.

Muito obrigado pela atenção. Um agro abraço!

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