Curadoria
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Entenda o consórcio cana-milho

(Curadoria Agro Insight)

Na curadoria de hoje, trouxemos um Podcast que aborda uma nova tecnologia da Embrapa. Resultados da Embrapa apontam que o consórcio com o milho garante resultados mais rápidos e rentáveis ao setor produtivo da cana-de-açúcar, no bioma Cerrado. A tecnologia permite antecipar o plantio da cultura da cana-de-açúcar para o início do período chuvoso, o que amplia a janela de plantio e “desafoga” a implantação do canavial, que é mais concentrada no mês de março.

Consórcio com milho muda a logística de plantio da cana

Fonte: Prosa Rural, programa de rádio da Embrapa

(Transcrição Podcast)

Olá Macau! Olá Juliana! 

E um alô especial para você ouvinte, é sempre muito bom ter você aqui com a gente. Muito bom mesmo!

No programa de hoje vamos falar da tecnologia cana-milho. Ela foi desenvolvida pela Embrapa e propõe a antecipação do plantio da cana-de-açúcar no cerrado, para o início do período chuvoso, como ocorre com as culturas anuais, como soja e milho, por exemplo. Isso porque, né Macau? O plantio da cana hoje é mais concentrado no fim do período das chuvas, por volta do mês de março. Essa estratégia é utilizada pelos agricultores e usineiros para fortalecer o desenvolvimento da planta, já que o rebrote inicial da cana é muito lento quando semeada em novembro ou dezembro. Com certeza Juliana, com a nova tecnologia proposta pela Embrapa, em março, no momento da colheita do milho, a cana já estará plantada. Essa mudança de logística traz muitas vantagens, amplia a janela de plantio, facilita a entrada de grãos na renovação do canavial, protege o solo da erosão e ainda mostra bom potencial na geração de biocombustível.

Sobre esse assunto, a jornalista Juliana Caldas conversa agora com o pesquisador da Embrapa cerrados, João de Deus dos Santos. Nessa primeira parte da entrevista, a gente vai entender um pouco mais sobre a tecnologia e saber quais são os benefícios.

Pesquisador, no que consiste a tecnologia cana-milho?

O período de maior demanda para o plantio de cana-de-açúcar no cerrado é no final do período chuvoso, essa é a cana de maior produtividade, não que se planta em outras épocas. Já a cana plantada no período chuvoso, tem baixa produtividade, que chama a cana de ano, em comparação com a cama de março, que é conhecida como cana de ano e meio. 

A tecnologia consórcio cana-milho, consiste em antecipar o plantio de março, que no final do período chuvoso para início do período chuvoso, sem os problemas inerentes ao plantio da cana no período chuvoso, porque quando eu planto consorciada cana com milho no inicio do período chuvoso, quem cresce é o milho. E quanto eu chego lá em março, final de março, que eu colho o milho, a cana já tá plantada. Aí é como se ela tivesse sido plantada em março, mas não, ela foi plantada no início pelo chuvoso. Mas se comporta com uma cana plantada em março.

E quais são as vantagens da tecnologia?

Primeiro eu desafogo o plantio de março, que é uma época de muita demanda de maquinário pelo lado do produtor de cana. Por outro lado, quem planta grão, não tem pressão para tirar o grão da área, porque eles vão terminar no período chuvoso e quem planta cana precisa estar com a área liberada para fazer o plantio da cana né. Então é a pessoa que planta cana não tem a pressão. Então essa vantagem. Fora que você intensifica o uso da terra, você diminui a questão de problemas de erosão da área, porque se você plantar cana solteira você tem muito solo exposto né. Quando você tem milho nas entrelinhas da cana, você protege esse solo da erosão, essa é uma das principais vantagens. Fora a questão da produtividade também, intensificação do uso da terra.

Pesquisador, em termos de produtividade das culturas, quais são os impactos do consórcio cana-milho? 

Nos adotamos um trabalho intenso de experimentação, primeiro dentro das unidades da Embrapa, localizadas no Distrito Federal, Mato Grosso do Sul e São Paulo, depois partimos para uma segunda etapa de validação da tecnologia em usinas, em escala de talhão. Em ambas as situações o milho nunca perdeu produtividade sendo consorciado ou sendo solteiro, esse é o primeiro aspecto o milho não perde, ele compete muito bem com a cana e a produtividade do milho tanto consorciado quanto solteiro é a mesma. Por outro lado, a cana se ela plantada solteira no início do período chuvoso e colhida com um ano de idade, chama os cana de ano, a produtividade dela despenca. Mas se você fizer ela consorciada com milho, além de garantir a produtividade do milho durante o período chuvoso, ela se equivale a uma cana plantada em março. Ou seja, nós comprovamos a teoria que a gente pode antecipar o plantio de março, para o início do período chuvoso e transformar o que seria uma cana de ano em uma cana de ano e meio, ela se comporta igual a uma cana de ano e meio e a produtividade é equivalente. Fora que você intensifica o uso da terra e você diminui a questão da erosão.

Agora vamos conversar com a pesquisadora da Embrapa Cerrados Núbia Correia, ela vai falar sobre o manejo de plantas daninhas no sistema.

Pesquisadora, o manejo de plantas daninhas no consórcio cana-milho é feito de forma diferenciada dos demais?

A gente tem que ficar atento em relação a escolha do herbicida, como nós teremos duas culturas instaladas na área, tanto o milho quanto a cana não podem sofrer efeitos dos herbicidas nem das plantas daninhas. Então as plantas daninhas deve ser muito bem controladas para que o milho seja colhido no limpo e a cana, que vai permanecer na área após a colheita do milho, permaneça nessa área, no limpo, e siga com o manejo de herbicidas indicados para cultura da cana. Então nós temos que ficar atentos a esta questão, o herbicida que nós vamos trabalhar no milho ou na cana seja em pré-emegerência ou em pós-emergência, deve ser seletivo às duas culturas, e isso fica muito fácil, porque nós temos vários herbicidas que são recomendados para milho e cana. Só que a gente tem que ficar atento que a dose a ser escolhida é a dose indicada na menor quantidade, porque tem muitos herbicidas que para a cana se trabalha com uma dose maior, que é seletivo para milho, mas que na cultura do milho a dose é menor. Então a gente vai utilizar o herbicida seletivo para os dois na menor dose indicada para uma das culturas, no caso, na maior parte das vezes é para cultura do milho. Outro ponto que é importante, então nós temos que ter um bom manejo de herbicidas, utilizar produtos seletivos, na dose recomendada para cultura, para que a cultura não tenha nenhum tipo de perda, seja em função de fitointoxicação ocasionada pelo herbicida, ou seja, em função de competição de plantas daninhas. 

Muito interessante essa colocação a pesquisadora Núbia. Existe algum outro ponto que merece ser destacado?

O milho não é uma cultura comum no sistema de produção da cana-de-açúcar, então nós temos que ficar atentos com o herbicida utilizado no corte anterior da cana, porque esse herbicida pode afetar o milho que vai estar no consórcio com a cana. É claro que esse efeito que nós chamamos de “carryover” do herbicida que foi pulverizado na cana antes, na última soqueira colhida, ele pode acontecer em qualquer tipo de sistema, seja no milho consorciado ou no milho solteiro. Mas agora como algumas áreas já estão adotando o consórcio, esse é um ponto que chamou atenção, porque as pessoas estão com a ideia muito clara quando é para soja e amendoim, mas esse ponto de  “carryover”  para milho não é tão comentado ou tão levado em consideração nas áreas, principalmente nos canaviais do sistema de produção de cana-de-açúcar. Então nós temos também que levar esse 

ponto em consideração. Além do problema com o “carryover”, temos que ficar atentos que se o milho não for estabelecido em numa condição adequada, na época certa, a gente fala certo em relação ao plantio da cana, a cana, ela pode se formar mais rapidamente, e se ela se formar mais rapidamente, ela pode vir a competir com milho e nessa competição, que significa que ela vai atuar como uma planta competindo por água luz e nutrientes, vai prejudicar o estabelecimento da cultura do milho. Aí, nesse caso, o milho vai ter perda de produtividade de grãos, que não é o desejado. Aí temos que estabelecer o consórcio de uma forma que as duas culturas sejam privilegiadas, não tendo a perda de produção e a cana após a colheita do milho vai estar bem instalada, sem nenhum tipo de perda no seu estande inicial. Então nós temos que ficar atentos que se tiver algum problema com milho e ele não tiver um bom desenvolvimento inicial, a cana crescer mais. Mas nesse caso temos que fazer algum tipo de interferência no crescimento da cana, porque senão ela vai ficar muito grande e vai começar a passar o milho e ele não vai ter condições de se desenvolver adequadamente. Então para vocês entenderem, nós temos que ter algo muito bem instalado, para que o próprio crescimento do milho faça uma inibição do desenvolvimento da cana de modo que a cana vai ficar com o crescimento paralisado pelo sombreamento do milho, que cresce sombreia a cana e como a cana precisa de luz para crescer, sem essa luminosidade ela não se desenvolve. Ela só volta se desenvolver após a colheita do milho.

BIBLIOGRAFIA E LINKS RELACIONADOS

Prosa Rural – Consórcio com milho muda a logística de plantio da cana

Espaço para parceiros do Agro aqui

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