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Manejo das pragas de raízes na cultura do milho

Pragas de solo no milho

(Curadoria Agro Insight)

Na curadoria de hoje trouxemos um artigo do pesquisador da Embrapa Agropecuária Oeste, Crébio José Ávila. Na publicação, o pesquisador nos ajuda a conhecer melhor as pragas que atacam o sistema radicular do milho e saber como manejá-las.

Artigo: Conhecendo e manejando as pragas de raízes de milho

As plantas de milho podem ser atacadas por pragas iniciais que ocorrem desde a germinação das sementes e emergência das plantas até a fase de plântulas. Os problemas se iniciam com lagartas presentes na cobertura a ser dessecada para a semeadura do milho, seguidas pelos insetos de solo que atacam as sementes e as raízes e, posteriormente, pelas pragas de superfície que atacam especialmente as plântulas.

Pragas de sementes e raízes

As pragas que atacam as sementes e raízes do milho são geralmente insetos subterrâneos pertencentes a diferentes grupos taxonômicos, sendo Coleoptera e Hemiptera as duas principais ordens que abrangem este complexo de organismos. Esse grupo de pragas apresenta, normalmente, uma forte associação com o solo onde ocorre e pode destruir as sementes ou as raízes, afetando negativamente o estabelecimento do estande, o vigor, o desenvolvimento das plantas e, consequentemente, a produtividade.

Na região Centro-Oeste, dentre as pragas que atacam as raízes, destacam-se as larvas subterrâneas rizófagas de besouros melolontídeos, também denominados de corós, bicho-bolo ou pão-de-galinha, a larva-alfinete e os percevejos castanho-da-raiz, os quais, embora possam ocorrer durante todo o ciclo da cultura, causam danos mais severos nos estádios iniciais de desenvolvimento das plantas.

Corós rizófagos

São larvas de coleópteros da família Melolonthidae que se alimentam das raízes do milho e que apresentam corpo de coloração branca, três pares de pernas torácicas e posicionam-se no formato de U, quando em repouso. Os danos de corós são causados pelo consumo do sistema radicular, acarretando-se redução na capacidade das plantas de absorver água e nutrientes, ingredientes essenciais para o seu desenvolvimento. A intensidade dos danos é maior em plantas jovens, cultivadas em solos de baixa fertilidade, com camadas adensadas e sob condições de déficit hídrico. As plantas atacadas por corós apresentam desenvolvimento inicial reduzido, seguido por amarelecimento, murcha e morte, podendo esses sintomas ocorrer em grandes reboleiras distribuídas irregularmente nas lavouras. Em condições de alta infestação de corós no solo, pode ocorrer até 100% de perda da lavoura, especialmente quando a presença de larvas mais desenvolvidas coincide com a fase inicial de desenvolvimento das plantas de milho.

As espécies de corós Liogenys suturalis e Phyllophaga cuyabana apresentam uma geração/ano (univoltino) e que, tradicionalmente, ocorre nas lavouras de milho do Rio Grande do Sul, Paraná, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Goiás. P. cuyabana é uma espécie que pode causar danos tanto no milho como na soja, enquanto que L. suturalis está associado somente a gramíneas como milho, trigo e aveia. As revoadas de adultos dessas espécies ocorrem durante os meses de setembro a novembro. Após o acasalamento, os ovos são colocados no solo, onde ocorre o completo desenvolvimento das fases imaturas do inseto. As larvas apresentam três estágios de desenvolvimento (instares) e, no final do terceiro estágio, entram no estágio de pré-pupa, quando não mais se alimentam e apresentam baixa mobilidade.

Nos estados de Goiás e Mato Grosso, tem-se também constatada a espécie de coró Liogenys fusca que apresenta grande potencial de danos tanto em milho como na soja. Nas semeaduras tardias ou no caso do cultivo do milho “safrinha” os danos são maiores, uma vez que neste período há predomínio de larvas de 2o e 3o instares que são mais vorazes. Outras espécies de corós de menor importância econômica como Diloboderus abderus ou Cyclocephala sp. podem, eventualmente, serem observadas em associação com o milho, em especial na região sul do País.

Percevejos castanho-da-raiz

No Brasil, há registros da ocorrência de percevejo castanho em vários estados brasileiros, embora tenha uma incidência mais acentuada na região dos Cerrados. O ataque desses insetos ocorre, normalmente, em grandes reboleiras nos cultivos de milho, sendo observados focos de infestação de até 70 hectares. Os danos são decorrentes da sucção contínua da seiva nas raízes, o que pode levar ao enfraquecimento ou até mesmo a morte das plantas. As diferentes espécies de plantas hospedeiras que o percevejo castanho-da-raiz se alimenta apresentam graus diferenciados de suscetibilidade ao seu ataque. Ávila et al. (2009) constataram que o algodoeiro foi a espécie mais suscetível à alimentação de S. castanea, seguido pela soja, milho, sorgo e arroz. Esses percevejos predominam em solos arenosos, especialmente naqueles com pastagem degradada. Os sintomas de ataque nas plantas dependem da intensidade e da época de ocorrência da praga na cultura, variando do murchamento e amarelecimento das folhas a um subdesenvolvimento e secamento da planta, podendo causar acentuadas perdas da lavoura.

A presença dos percevejos castanho-da-raiz nas lavouras é facilmente reconhecida pelo forte cheiro que estes insetos exalam quando o solo é movimentado nas áreas infestadas. No Brasil, as principais espécies de percevejo castanho associado à cultura do milho são Scaptocoris castanea, S. carvalhoi e S. buckupi. Ávila et al. (2009) constataram que no estado de Mato Grosso do Sul ocorre, pelo menos, duas espécies de percevejos castanho, sendo elas Scaptocoris castanea e S. carvalhoi. No estado de Goiás, as revoadas dessa praga iniciam-se no período chuvoso durante o mês de novembro e persistem até março, período em que há predominância de adultos no solo.

Durante períodos do ano de maior umidade, este inseto permanece nas camadas mais superficiais do solo, mas, em condições mais secas, ele se desloca para camadas inferiores chegando a profundidades além de 1,5 m.

Larva-alfinete

À semelhança do coró, a larva-alfinete, da espécie Diabrotica speciosa, alimenta-se das raízes do milho. As larvas dessa praga são de coloração esbranquiçada, porém apresentam, na cabeça e na placa anal, uma mancha esclerotizada de coloração pardo-escura ou preta. Essas larvas alimentam-se especialmente das raízes adventícias. A perda dessas raízes reduz a capacidade da planta de absorver água e nutrientes, tornando-as menos produtivas, com deficiência hídrica bem como mais suscetíveis a doenças e ao tombamento. As plantas caídas ficam com um aspecto recurvado, caracterizando o sintoma conhecido como “pescoço de ganso”. Embora essas plantas, por ocasião da colheita, possam conter espigas de milho desenvolvidas, estas geralmente não são colhidas pela plataforma da colhedeira.

Manejo das pragas que atacam as raízes do milho

Para que o controle de pragas que atacam a parte subterrânea das plantas de milho seja efetivo, é necessário fazer o monitoramento preciso desse grupo de pragas antes mesmo da instalação da lavoura, uma vez que todas as táticas de controle a serem implementadas são preventivas. Tanto para o manejo de corós como do percevejo-castanho, é de fundamental importância a realização de amostragens no solo, visando avaliar as espécies presentes, o seu nível populacional e os estádios de desenvolvimento predominante desses insetos. Já no caso da larva-alfinete, a presença de adultos na área ou de cultivos adjacentes onde o inseto utiliza como hospedeiros são fortes indícios de que essa praga estará presente no solo.

Dentre as técnicas que podem ser utilizadas para o controle de corós e percevejos castanho destacam-se: manipulação da época de semeadura, preparo do solo com implementos adequados e aplicação de inseticidas nas sementes ou em pulverização no sulco de semeadura. Como os adultos dos corós apresentam normalmente forte atração pela luz, o uso de armadilhas luminosas durante o período de emergência dos insetos do solo pode capturar um número expressivo de adultos durante a noite e, assim, contribuir para reduzir a sua infestação nos cultivos subsequentes. A aplicação de inseticidas nas sementes e no sulco de semeadura do milho constitui alternativa promissora para o manejo de corós na cultura do milho, especialmente em sistemas conservacionistas, como o sistema de plantio direto. Já no caso do percevejo-castanho, inseticidas aplicados nas sementes não se têm mostrado uma tática eficiente. Todavia, a pulverização no sulco de plantio com inseticidas químicos, especialmente quando o percevejo está localizado próximo da superfície do solo, pode proporcionar um bom controle da praga, dependendo do produto e da dose empregada. Em trabalhos realizados com coberturas vegetais, no estado de Mato Grosso, no período de entressafra, observou-se redução da população do percevejo castanho na cobertura contendo crotalária, Crotalaria spectabilis, em relação às áreas com plantio de milheto, sorgo, braquiária. O controle biológico do percevejo-castanho empregando-se fungos entomopatogênicos pode ser, também, uma alternativa promissora. Xavier e Ávila (2006) identificaram quatro isolados de Metarhizium anisopliae, que proporcionaram níveis de controle de S. carvalhoi superior a 80%, em condições de laboratório.

O controle químico de larvas de vaquinha deve também ser preventivo. No entanto, o tratamento das sementes com inseticidas normalmente não protege o sistema radicular do milho do ataque da larva de vaquinha. Isso acontece porque no período em que as larvas causam danos no milho (mais que 30 dias da emergência), as plantas já não apresentam efeito residual dos produtos aplicados nas sementes. Alguns inseticidas, quando aplicados em pulverização no sulco de semeadura, têm-se mostrado eficazes no controle de larvas de vaquinha na cultura do milho.

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