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O manejo de plantas daninhas de difícil controle deve ser uma preocupação de todos

Plantas daninhas resistentes

(Curadoria Agro Insight)

Na curadoria de hoje, o pesquisador, Fernando Mendes Lamas, da Embrapa Agropecuária Oeste, nos traz uma reflexão sobre a atenção que devemos ter no desenvolvimento de plantas daninhas resistentes. Desta forma, precisamos estar sempre atentos ao manejo integrado, buscando evitar que plantas altamente adaptadas, como a buva, se tornem resistentes aos herbicidas e impactem ainda mais no custo de produção e na produtividade das culturas.

Artigo: A sobrevivência das plantas em ambientes restritivos

As plantas cultivadas sofrem com o ataque de pragas, doenças e com a concorrência imposta pelas plantas daninhas. Para minimizar os danos, os agricultores lançam mão de uma série de estratégias, que normalmente tem impacto muito grande nos custos de produção. Algumas espécies de plantas daninhas são capazes de provocar queda significativa na produtividade de uma cultura.

A Buva, espécies de planta daninha muito comum nas lavouras da região centro-sul do Brasil, de acordo com alguns pesquisadores apresenta grande potencial de redução da produtividade.  No caso da soja, 2,7 plantas de buva/metro quadrado são capazes de reduzir em até 50% a produtividade. No caso do milho, a Buva pode comprometer até 92% da produtividade, quando não controlada.

Com esses dois exemplos fica claro o poder de competição desta terrível planta daninha. Quando analisamos a sua capacidade de produzir sementes verifica-se que apenas uma planta é capaz de produzir de 100 a 200 mil sementes. Essa quantidade de sementes dá ideia do quanto é grande a capacidade de dispersão desta espécie. Também apresenta uma capacidade de sobrevivência em ambientes que apresentam as maiores restrições para o crescimento e desenvolvimento de qualquer espécie vegetal.

Foto: Fernando Lamas

Na imagem acima, pode-se observar uma planta de buva crescendo e desenvolvendo-se em uma das avenidas mais movimentadas de uma cidade de porte médio de uma importante região agrícola do Brasil. A planta cresce numa pequena fenda localizada entre o asfalto da avenida e o meio fio, mesmo num período prolongado de crise hídrica. Essa foto foi feita no dia 27 de novembro de 2021.

Esta agressividade e rusticidade não deixa qualquer dúvida do potencial desta planta de competir com a soja, com o milho com o algodão, dentre outras espécies de interesse econômico. Quase que nas mesmas condições de onde encontramos a buva, encontramos duas outras espécies de plantas daninhas com elevado potencial de causar dano econômico e de difícil controle, que é o capim-amargoso e o capim-de-galinha.

O capim-amargoso também se reproduz por sementes, sendo que em uma única planta chegam a ser produzidas 100 mil sementes que apresentam alta capacidade de dispersão. O capim pé-de-galinha chega a produzir até 120 mil sementes por planta, que são disseminadas pelo vento durante todo o ano.

Vários são os métodos de controle de plantas daninhas, talvez o mais importante deles seja o da prevenção. Que consiste na adoção de práticas que retardam ao máximo ao estabelecimento de uma planta daninha numa área cultivada. Plantas daninhas que se propagam através de sementes, mesmo que em locais distantes, constituem um grande potencial para causar danos, pois suas sementes podem ser levadas pelo vento, pelo homem, veículos, pássaros, entre outros. Daí a importância de se controlar as espécies de plantas daninhas, especialmente as de difícil controle em qualquer lugar que elas estejam.

As plantas daninhas com o passar do tempo vão adquirindo resistência aos herbicidas, dificultando e tornando cada vez mais caro o seu controle. As três espécies de plantas daninhas citadas neste artigo apresentam resistência a alguns grupos de herbicidas, dificultando sobre maneira o seu controle.

De acordo com trabalho realizado pela Embrapa Trigo, o custo de controle quando essas espécies se tornam resistentes a alguns herbicidas pode aumentar em até cinco vezes, alcançando a cifra dos U$ 160/ha. Pelos dados apresentados até aqui, não fica dúvida que as espécies citadas, que se desenvolvem e crescem até em ambientes com grandes restrições de recursos, especialmente água, são capazes de impactarem negativamente a agricultura de uma região.

Em condições de lavoura, o agricultor pode minimizar os efeitos das plantas daninhas utilizando várias práticas agronômica, talvez, uma das mais eficientes para algumas espécies como exemplo a buva, é cobertura do solo com palha. As sementes de buva necessitam de luz para germinarem e a palha reduz drasticamente a incidência de luz na superfície do solo impedindo a germinação das sementes de buva. Não só para buva; a palhada na superfície do solo, de maneira uniforme assegurando uma boa cobertura é uma estratégia extremamente importante para o manejo de plantas daninhas.

Assim, o cultivo do trigo, da aveia e do milho com braquiária, constitui estratégias a serem utilizadas, para manejo de plantas daninhas, minimizando o impacto destas sobre as culturas de interesse econômico e os custos de produção. Oportuno também destacar que plantas daninhas podem interferir negativamente na qualidade do produto e serem hospedeiras de pragas e doenças.

Em síntese, controlar plantas daninhas, especialmente as de difícil controle como as citadas neste artigo, deve ser uma preocupação de todos, inclusive da população urbana, que assim contribuirá para evitar a sua disseminação, principalmente das espécies citadas que tem nas sementes o seu principal meio de propagação. Plantas daninhas que crescem e desenvolvem em ambientes com restrição de água, luz, nutrientes e, em condições de temperaturas extremas, podem dar origem a populações de mais difícil controle.

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